sexta-feira, 14 de outubro de 2011

MUDANÇA

Texto de Clarice Lispector

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!

POESIA

Reinvenção
(Cecília Meireles)

A vida só é possível
reinventada.
Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Qual o jeito mais ecológico de morrer?

por Gabriela Portilho
Mundo Estranto



Dentre os rituais pós-morte, a cremação é o modo mais ecológico de retornar ao pó. Feita de maneira correta, a queima dos corpos libera apenas água e gás carbônico em pequenas quantidades, já que os resíduos tóxicos ficam retidos em filtros de ar. Além disso, a cremação dispensa armazenamento de resíduos e não ocupa terrenos. "Uma pessoa com 70 quilos de massa se transforma em 1 ou 2 quilos de cinzas, enquanto sob a terra a decomposição pode durar até dois anos e deixar cerca de 13 quilos de ossos para a posteridade", afirma o geólogo Leziro Marques.

VERDE ATÉ A MORTE
Como bater as botas de modo ecologicamente correto

ENTRADA TRIUNFAL
A chegada do corpo ao cemitério é pomposa: os corpos vêm em charretes puxadas por cavalos, evitando a poluição que carros poderiam causar. Para homenagear o ente querido, familiares não trazem coroas - no máximo, uma flor, para não desperdiçar
AS ÁRVORES SOMOS NOZES
Esqueça os mausoléus de concreto - para identificar o corpo, há apenas pequenas placas de couro ou madeira sustentável, que se decompõem com o tempo. O que vai sinalizar que debaixo daquele pedaço de chão há alguém descansando em paz são sementes, que, no futuro, se transformarão em uma árvore
LUGAR AO SOLO
Prefira solos menos argilosos - nesses, o corpo pode demorar a se desfazer e vira uma espécie de sabão. Além disso, a distância entre o corpo e o lençol freático deve ser de pelo menos 2 metros, segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente. Isso evita que os líquidos da decomposição contaminem as águas
NU DE CORPO E ALMA
Vá para o lado de lá pelado, sem silicone e sem ser embalsamado com compostos tóxicos! Se você não abre mão da roupa, use tecidos naturais, como algodão ou linho - os outros demoram ainda mais para se decompor. Já o silicone não é biodegradável, por isso as próteses devem ser retiradas antes do enterro
EMBRULHO PARA PRESENTE
A versão ecológica do paletó de madeira não é de madeira! Ele pode ser feito de materiais biodegradáveis como bambu ou papel machê (massa feita com papel amassado, cola e gesso). E nada de alças ou crucifixos de metal - eles levam até cem anos para se decompor, enquanto o papel leva meses

SÓ FALTA VIRAR PURPURINA
Veja as maneiras mais bizarras de marcar sua passagem para o além

A SERVIÇO DA CIÊNCIA
Que tal deixar o corpo para estudos em faculdades de medicina? No Brasil, o cadáver serve cinco anos à ciência e depois é cremado.
MORTE EM ALTO NÍVEL
Uma prática comum em rituais no Tibete é colocar os corpos mortos no alto de montanhas. Os cadáveres são esquartejados e viram comida para os abutres.
DORMINDO COM OS PEIXES
A empresa Eternal Reefs transforma as cinzas da cremação em uma placa que é colocada no fundo do mar e serve de base para corais.
BRILHO ETERNO
Na Suíça, uma empresa transforma o produto da cremação em diamante. Para fazer a peça, são usados 500 gramas de cinzas e o preço varia de 2 800 a 10 600 euros.

Dá para transformar lixo em energia?

por Rodrigo Ratier
Mundo Estranho


Dá, sim. Se separarmos direitinho o lixo que tem bom potencial energético, os dejetos de uma cidade como São Paulo seriam suficientes para gerar energia para 400 mil casas! O principal segredo é tascar fogo no lixo - afinal, o calor das chamas também é uma forma de energia. Se o fogaréu for bem aproveitado em um processo controlado, a energia calorífica pode ser usada para produzir eletricidade, por exemplo. Tudo isso acontece em incineradores que utilizam o mesmo princípio de funcionamento de uma usina termelétrica, queimando um combustível fóssil para gerar energia. No nosso exemplo, a diferença é que o combustível queimado não é carvão, nem óleo, nem gás. É lixo. Até agora, essa tecnologia não aportou no Brasil. O país até tem incineradores, mas eles servem apenas para se livrar da sujeira - nenhum deles é adaptado para produzir energia. Por aqui, falta dinheiro para bancar o alto custo de uma instalação desse porte e vontade política para enfrentar as pressões dos grandes grupos de limpeza urbana, que muitas vezes gerenciam o lixo desde a varrição até o depósito final. "No Brasil, 99% dos dejetos seguem para aterros sanitários, sem gerar energia ou passar por qualquer reciclagem. Nas grandes cidades, a escassez de áreas para novos aterros se tornou um problema administrativo para as prefeituras", afirma o biólogo Hamilton João Targa, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) de São Paulo. Mas, mesmo nos aterros, daria para aproveitar pelo menos uma parcela do potencial energético do lixo. Bastaria pegar o metano gerado pelo processo de decomposição do lixo orgânico, encanar o gás e abastecer casas e indústrias, por exemplo. Há mais de 50 anos, os chineses empregam esse método utilizando biodigestores, equipamentos que fermentam controladamente o lixo orgânico. No Brasil, até esse tipo de iniciativa é raridade.

No japão, 62% do lixo vira energia.
Na suiça, 59%, na frança, 37%
No brasil? zero.

Quem é o pai dos sobrinhos do Pato Donald?

Mundo Estranho


Só há pistas sobre a mãe deles. A identidade do pai continua sendo um dos maiores mistérios da história de Patópolis, a cidade fictícia habitada por Donald, Tio Patinhas e companhia nas histórias em quadrinhos Disney. Os trigêmeos Huguinho, Zezinho e Luizinho (como são conhecidos no Brasil) estão entre os personagens mais antigos dessa família: sua aparição data de outubro de 1937, apenas três anos depois do surgimento do próprio Donald. Apesar de tanto tempo de estrada, pouco se sabe sobre seus pais. No início da década de 50, Carl Barks - um dos principais desenhistas, roteiristas e animadores da Disney - criou uma árvore genealógica na qual a mãe do trio era identificada como Thelma, irmã gêmea de Donald. No lugar do pai, aparecia apenas um sinal de interrogação. Outra árvore genealógica mais completa, criada em 1993 pelo ilustrador e roteirista Don Rosa, também deixou esse espaço em branco.
A verdadeira explicação está no conceito de entretenimento familiar dos Estúdios Disney, que busca ser o mais assexuado possível. "Por isso, os laços familiares nessas histórias sempre se distanciaram da realidade. Quase não há contato entre pais e filhos - as relações se dão entre sobrinhos e tios, ou netos e avós - e os personagens nunca se casam", diz o especialista em quadrinhos Álvaro de Moya, autor do livro O Mundo de Disney.

Como viviam os hippies?

por Roberto Navarro
Mundo Estranho

O lance dessa galera era ser contra o "sistema" - a sociedade branca de classe média que pregava o apego aos bens materiais. Baseados nos princípios da não-violência e da cooperação, os hippies mais tradicionais costumavam viver em grupos. O centro do movimento foi a cidade americana de São Francisco, na Califórnia. Por lá, os hippies alugavam casarões antigos, onde moravam até 30 pessoas. Eles faziam jus ao lema "sexo, drogas e rock’n roll", mas, ao contrário do que se pensa, também trabalhavam e tinham hábitos de higiene normais. A expressão "hippie" deriva da gíria americana "hip", que significa "bacana, antenado" e era usada pelos antecessores dos hippies, os beats ( intelectuais rebeldes dos anos 1950), para indicar coisas legais. Bebendo dessa influência, professores e alunos de universidades da Califórnia fundaram o movimento hippie no começo dos anos 1960. Lutando contra a Guerra do Vietnã (1954-1975) e a convocação obrigatória, seus ideais pacifistas se espalharam pelo mundo ocidental e foram fundamentais no desenvolvimento da chamada contracultura - forma de expressão que combatia os valores do capitalismo. O maior canal do movimento foi a música. Roqueiros como Jimi Hendrix, Janis Joplin e os Beatles aderiram ao "paz e amor" e ao experimentalismo psicodélico nas letras e sons. Com o fim da Guerra do Vietnã, em 1975, o movimento passou por uma desmobilização - afinal, o grande motor da união pacifista acabara. Se as "sociedades alternativas" de São Francisco foram desmontadas, os ideais hippies influenciaram outros grupos que surgiram nos anos 1980 e 1990, como os movimentos ecológicos, de defesa dos direitos indígenas e femininos.



Viva a sociedade alternativa
Além de sexo, drogas e rock'n roll, uma casa hippie tinha trabalho e era bem limpinha


ARTESÃO MODERNO
Os hippies preferiam fazer trocas entre si a usar grana. Eles evitavam empregos "normais" e se sustentavam fazendo artesanato. Alguns criaram fabriquetas de instrumentos musicais e produtos alimentícios que depois viraram grandes indústrias

ROCK NA VEIA
Muitas comunidades tinham suas próprias bandas, que tocavam de graça nas ruas. Os hippies são associados aos grupos de rock psicodélico, mas também havia os conjuntos de música folk, um gênero mais acústico, com letras de protesto

SAUDOSA MALOCA
Por ter pouca grana, eles viviam em casas de aluguel barato ou abandonadas, que redecoravam com murais psicodélicos. Em cidades como Nova York e São Francisco surgiram "guetos hippies", com vizinhanças formadas por casarões habitados por muita gente

MISTICISMO NO AR
Drogas sintéticas, como LSD e mescalina, eram usadas em experiências místico-religiosas, as chamadas "viagens coletivas". Esses rituais eram conduzidos por um guru (líder espiritual) e incluíam meditação oriental para atingir a "expansão da consciência"

VALE TUDO
Os hippies pregavam a liberdade sexual: topavam "festinhas" com mais de dois parceiros e aceitavam o homossexualismo numa boa. Nas comunidades, crianças eram incentivadas a descobrir o mundo por si próprias e raramente eram matriculadas em escolas

BANHO DE ESPUMA
Apesar dos cabelos compridos e desgrenhados, os hippies não eram "porcos". Tomar banho uma vez por dia era o mais comum. Eles só não eram chegados a desodorantes ou perfumes, considerados produtos supérfluos da sociedade de consumo

RANGO NATUREBA
Eles rejeitavam comidas industrializadas, preferindo frutas, verduras, legumes e sucos naturais. As comunidades rurais plantavam o que consumiam. O que sobrava era vendido a preço de custo para outros hippies

NUVEM DE FUMAÇA
Os hippies usavam dois tipos de drogas. As consideradas "leves", como maconha e haxixe, eram consumidas em festinhas ou reuniões. Algumas comunidades improvisavam pequenas plantações em armários para garantir seu "estoque".

Florestas rendem bilhões para a economia

Florestas de pé não são boas só para a biodiversidade. Elas geram bilhões para a economia. Quando as tratarmos como empresas, aí, sim, o desmatamento pode cair a zero. Ou abaixo de zero.


por Rodrigo Rezende
Superinteressante

Um Maracanã de floresta acaba de desaparecer. Isso desde que você começou a ler este texto, há 1 segundo. Amanhã, neste mesmo horário, você levará a vida como sempre - esperamos. Mas os integrantes de 137 espécies de plantas, animais e insetos, não. Eles terão o destino que 50 mil espécies por ano têm: a extinção. Argumentos como os 15 Maracanãs de mata tropical devastados desde o início deste parágrafo - agora, 17 -, são fortes, mas nem sempre suficientes para que algo seja feito. Só que existe outro, talvez ainda mais persuasivo: dinheiro não dá em árvore, mas árvore dá dinheiro.

Hoje, manter uma floresta em pé é negócio da China. Em uma área estratégica perto do rio Yang Tsé, o governo chinês paga US$ 450 aos fazendeiros por hectare reflorestado. O objetivo é conter as enchentes que alteram o fluxo de água do rio. Equilíbrio ecológico, manutenção do ecossistema, mais espécies preservadas, esses são os objetivos do Partido Comunista Chinês? Não.

Trata-se de um investimento. O reflorestamento mantém o curso do rio estável e as árvores, sozinhas, aumentam a quantidade de chuva - as plantas liberam vapor d’água durante a fotossíntese. Resultado: mais água no Yang Tsé. O que isso tem a ver com dinheiro? A água alimenta turbinas das hidrelétricas distribuídas pelo rio - inclusive a megausina de Três Gargantas, 50% maior que Itaipu, que abriu as comportas em 2008.

Investindo em reflorestamento, os chineses agem de forma pragmática. Pagar fazendeiros = mais árvores. Mais árvores = mais água no rio. Mais água = mais energia elétrica barata (ainda mais no país que inaugura duas usinas a carvão por semana para dar conta de crescer como cresce). Mais energia barata, mais produção para a economia - e dinheiro para pagar os reflorestadores. O final dessa equação é surreal para os padrões brasileiros. A China, nação que mais polui e que mais consome matéria-prima, tem índice de desmatamento zero. Abaixo de zero, até: eles plantam mais árvores do que derrubam.

Não é só lá que as árvores valem dinheiro. No país que melhor preserva sua floresta tropical acontece a mesma coisa. É a Costa Rica. Os donos de terras de lá são pagos para manter áreas de floresta intactas. Parte do dinheiro vem de uma companhia hidrelétrica interessada em manter os rios que usa fluindo.

Florestas, hidrelétricas... Só esses dois pontos já deixam claro que o Brasil tem algo a aprender. O berço da maior usina hidrelétrica inteiramente brasileira (e 3ª do mundo) fica em plena Floresta Amazônica. É Belo Monte, no rio Xingu, a 40 quilômetros da cidade de Altamira, no Pará.

A partir de 2015, ela vai servir 26 milhões de habitantes. O dado mais célebre dela é outro: os 512 km2 de floresta inundada por suas barragens. É a área de uma cidade média, toda debaixo d’água.

Mesmo assim, a usina pode fazer mais bem do que mal para a mata. Pelo menos nas próximas décadas. Se seguirmos a lógica da China e da Costa Rica, faz sentido que Belo Monte pague algo pela manutenção da floresta, já que sem ela não tem chuva o bastante, e sem chuva o bastante não tem energia.

E não são só hidrelétricas que lucram com as árvores de pé, e que podem pagar para mantê-las assim. O ciclo de chuvas da Floresta Amazônica é o que garante nossas safras agrícolas - sem ele, boa parte do país seria um deserto. A ONU calcula que mesmo uma queda mínima na quantidade de chuvas que a floresta produz pode trazer prejuízos entre US$ 1 bilhão a US$ 30 bilhões para a agricultura nos arredores da Amazônia.

As estimativas são imprecisas por uma limitação da ciência: não há como saber se um tanto de desmatamento vai provocar outro tanto de bagunça no ritmo das chuvas. Mas todo mundo sabe que a relação existe. O problema é quantificá-la. Mesmo assim, faz sentido imaginar um futuro em que os produtores agrícolas paguem pela preservação de florestas como uma espécie de seguro contra a falta de chuvas.

Claro que, se ficar só na conversa, nunca vai acontecer nada. Mas um grupo de cientistas americanos deu um passo importante. Criaram um software que busca calcular com alguma precisão quanto uma área desmatada ou reflorestada pode gerar em lucros (ou prejuízos) para a economia de uma região. O nome do programa é engenhoso: InVEST (Valoração Integrada de Serviços e Compensações do Ecossistema, em inglês - haja paciência para inventar uma sigla dessas). E ele já saiu do mundo das ideias: é o software que a China usa para gerenciar o retorno de seu reflorestamento. Enquanto isso, devastamos mais 200 Maracanãs no tempo que você levou para ler este texto.

Polêmica: Em defesa da eleição dos analfabetos

Eles não podem ser proibidos de ter mandato político porque o estado falhou em educá-los. Há outros e mais sérios analfabetismos políticos a serem combatidos.



por Daisy Moreira Cunha
Superinteressante


Aceitar o voto dos analfabetos e recusar sua elegibilidade significa dar lhes meia cidadania. Votar e não poder ser votado é ter a metade do direito político cassado. Ou seja, não é possível impedir a eleição de alguém porque o Estado falhou em educa-lo. O fato de um parlamentar, no Congresso ou nas câmaras de vereadores, não saber ler e escrever é problema de uma nação que se deseja desenvolvida. E, se a educação básica é direito de todos, a legislação não pode impedir a eleição dos analfabetos.

Todos os dias muitos fatos políticos nos mostram que não somos salvos do analfabetismo político pelo domínio da leitura e da escrita. Depois dos anos 60, Paulo Freire, pedagogo brasileiro de renome internacional, já mostrava que iletrismo não é sinônimo de (in)cultura política, aquela que importa para a construção do bem comum.

Analfabetismos são muitos: aquele dos tecnocratas da cultura da gestão eficiente que "azeitam" a máquina, mas deixam professores em greves infinitas e desgastantes; aquele que ainda permite a corrupção; e o que elege políticos cujos slogans são "Ser bom de serviço" e "Rouba, mas faz". Ou mesmo "O que é que faz um deputado federal? Na realidade, não sei. Mas vote em mim que eu te conto" e "Pior que tá não fica". O autor das últimas frases tornou-se o deputado federal mais votado na última eleição e acabou acusado pelo Ministério Público de não saber ler e escrever. Fosse ele de fato analfabeto, deveria ser garantido o seu direito de se eleger, ainda que seu mote de campanha prestasse um desserviço à política. Mas tudo isso nos impõe interrogar: que política é essa dos tempos de marketing e do voto obrigatório? Cabe ao Congresso rediscutir a inelegibilidade de quem não sabe ler e escrever.

Hoje, a Proposta de Emenda Constitucional número 27/2010 espera a indicação de um relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado. A PEC que autoriza a eleição dos analfabetos ainda está longe de ir para a votação em plenário. Os argumentos da Assembleia Nacional Constituinte para manter a negação desse direito, há 23 anos, parecem ultrapassados quando somos surpreendidos com o noticiário de que um deputado (entre tantos outros maus exemplos) foi condenado por trocar votos por laqueadura de trompas. Não saberia ler quem vendeu e quem comprou os votos?

Segundo o Censo 2010 do IBGE, há 13,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais analfabetos. Isso significa 9,63% da população. Em pleno século 21, é um número mais do que absurdo.

A imprensa, que noticiou a polêmica em torno do deputado Tiririca e levou à ação do Ministério Público, não tem contribuído para aprofundar os debates cruciais da política nacional. E o Congresso, enquanto adia a discussão do tema, muito menos. Falta aos parlamentares, junto com a sociedade, combater os verdadeiros problemas da política brasileira.
*Daisy Cunha Pós-Doutora em Educação de Adultos pelo Conservatoire National des Arts et Métieurs (CNAM-Paris); doutora em Filosofia pela Université de Provence-França, professora do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UFMG. Os artigos aqui publicados não representam necessariamente a opinião da SUPER.

Estudo define oito tipos de bebedores com base na forma como seguram o copo – Como as pessoas funcionam

Estudo define oito tipos de bebedores com base na forma como seguram o copo – Como as pessoas funcionam

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Quanto é "beber socialmente"?

Tecnicamente, é até o quanto você consegue beber sem a sociedade reparar

por Raquel Lima
Superinteressante

Definição clássica de quem não quer parecer nem irresponsável nem careta, "beber socialmente" equivale ao que os especialistas classificam como "risco moderado" de alcoolismo. Entra nessa categoria quem consome até 3 doses diárias de bebida alcoólica - na classificação-padrão, 1 dose equivale a 1 latinha de cerveja, uma 1 taça de vinho ou meros 25 mililitros de destilados, como uísque e vodca (ver quadro ao lado). Acontece que há uma linha tênue entre bebedores sociais e antissociais. Nesse sistema, a categoria acima do "risco moderado" já é "risco em crescimento". Quem estiver nas 4 doses diárias deve ficar atento.Mas calma: passar de 3 doses diárias não quer dizer que você esteja virando alcoólatra. "A dependência do álcool não é diagnosticada tendo como critério único, e nem principal, a quantidade de álcool que uma pessoa bebe, mas a relação com o álcool que a pessoa tem, ou seja, o quanto o consumo atrapalha sua vida", explica a pesquisadora Ilana Pinsky.


É dose Risco de alcoolismo conforme consumo diário de álcool
1 dose* - risco baixo
2 doses* - risco leve
3 doses* - risco moderado - Limite de "beber socialmente"
4 doses* - risco em crescimento
5 ou + doses* - risco avançado

*1 dose = 350 ml (lata) de cerveja, 90 ml (taça) de vinho ou 25 ml de destilados

Fonte Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) e National Institute of Alcohol Abuse and Alcoholism.

Novas normas para evitar publicidade “verde” enganosa começam a valer hoje

Lydia Cintra/ Superinteressante
1 de agosto de 2011

Como saber se um produto realmente é aquilo que mostra a embalagem? O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) estabeleceu uma série de normas éticas, que começam a valer hoje, para quando o apelo publicitário é voltado à sustentabilidade.
O objetivo é evitar o chamado greenwashing – a “maquiagem verde”, ou seja, quando um produto ou serviço se diz sustentável, mas não é. O texto do Conselho diz que “o sentido geral das novas normas é reduzir o espaço para usos do tema sustentabilidade que, de alguma forma, possam banalizá-lo ou confundir os consumidores.”
Para isso, as campanhas e produtos que façam menção ao tema devem obedecer aos princípios da: veracidade (as informações devem ser verdadeiras e passíveis de comprovação); exatidão (informações precisas, sem dados vagos e genéricos); pertinência (a informação “verde” deve ter relação com os processos de produção e comercialização dos produtos e serviços anunciados) e relevância (qualquer benefício ambiental anunciado deve ser significativo em termos de impacto sobre o meio ambiente).
O Conar poderá advertir ou suspender campanhas de empresas que não comprovarem os benefícios ambientais daquilo que estão oferecendo. Segundo o Conselho, a ideia não é punir as empresas, mas “elevar o nível da publicidade sobre sustentabilidade.” As normas valem para todos os meios de comunicação.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Seus amigos te conhecem melhor do que você mesmo

Superinteressante

Você está entre amigos e um deles diz que você fala demais ou é meio egoísta. Você discorda e ignora. É claro que os outros estão enganados. Afinal, ninguém te conhece melhor do que você mesmo. Se você se identificou com a situação (muitos de nós somos assim), preste atenção ao que vem a seguir.


Um artigo publicado no periódico Current Directions of Psychological Science mostrou que provavelmente não conhecemos a nós mesmos tão bem quanto imaginamos. E mais: nossos amigos podem ter impressões mais exatas sobre quem somos.


“Uma imagem completa da personalidade de alguém exige tanto a perspectiva da própria pessoa quanto as perspectivas de outros que a conhecem. A percepção das pessoas sobre suas próprias personalidades, ao mesmo tempo que pode ser bastante rigorosa, contém omissões importantes”, escreveu Simine Vazire, da Universidade de Washington em St. Louis, no artigo.


Um estudo citado por ela mostrou que as pessoas não deixam de acreditar na autoimagem que têm, nem mesmo diante de provas. Por exemplo, se um voluntário atribuía a si mesmo uma característica e, em um vídeo, aparecia outra coisa, ele continuava convencido do que havia dito antes. Já as outras pessoas que viam a fita apontavam facilmente as contradições.


O que atrapalha o nosso julgamento são nossos medos e o impulso inconsciente (ou não, né?) para manter uma determinada autoimagem. Essas coisas acabam influenciando a forma como nos avaliamos e mascaram a verdade.


Mas calma, você não está tão fora do controle assim. Há aspectos sobre os quais ninguém pode saber mais do que você, como o seu nível de ansiedade e como anda a sua autoestima. Essas coisas dá para disfarçar e confundir quem vê de fora. Quantas vezes você não definiu uma pessoa como arrogante e depois descobriu que ela, na verdade, era insegura?


A avaliação externa é mais eficiente e precisa no que diz respeito a características observáveis e mensuráveis, como inteligência, criatividade e comunicação. Vale prestar atenção ao que o amigo diz sobre você nesses aspectos, mesmo que não concorde. E é bom lembrar que isso não vale só para características ruins: se disserem que você é inteligente, pode acreditar também.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Brasileiro consome 30 quilos de plástico reciclável por ano, mostra pesquisa

Por Vinicius Konchinski/Agência Brasil

Cada brasileiro consome, em média, aproximadamente 30 quilos de plástico reciclável por ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Em 2010, de acordo com anuário do setor químico da entidade, foram consumidas no país cerca de 5,9 mil toneladas de plástico, o que representa 50% a mais do que há dez anos.
Os dados foram apresentados na sexta-feira (7) pela pesquisadora Lucilene Betega de Paiva em um seminário na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Lucilene trabalha no Instituto de Pesquisa Tecnológica do Estado de São Paulo (IPT) e é especialista em plásticos.
Em sua participação no seminário, ela falou sobre a importância da reciclagem desse material. Segundo ela, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) pode ajudar a "transformar um passivo ambiental em uma fonte de recursos financeiros".
A PNRS foi o tema central do seminário na Alesp. O evento faz parte de uma série de debates preparatórios para a 12ª Conferência das Cidades, promovida pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados.
A Conferência das Cidades ocorre todo ano, no segundo semestre. Em 2011, ela está programada para outubro e deve tratar também da PNRS.
A PNRS foi instituída por lei aprovada, sancionada e regulamentada no ano passado. Ela estabelece regras para a destinação do lixo produzido no país. De acordo com a PNRS, a reciclagem deve ser priorizada. Já o lixo não reciclável deve ser levado a aterros sanitários. Os lixões precisam fechados até 2015.
Dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), também apresentados no seminário na Alesp, mostram que o Brasil ainda precisa avançar para cumprir o estabelecido pela PNRS. Segundo levantamento feito pela entidade em 350 cidades que concentram quase metade da população urbana brasileira, 42% do lixo do país não receberam uma destinação adequada no ano passado.
Ao todo, foram 23 milhões de toneladas de lixo levadas para lixões ou aterros controlados, que não são ambientalmente apropriados. Para aterro sanitários, em que existem sistemas para evitar contaminação de água e solo, foram levadas 31 milhões de toneladas de lixo.

sábado, 28 de maio de 2011

Ruivas fazem mais sexo


Thiago Perin / Superinteressante

Dizem que as loiras se divertem mais, né? Bem, parece que não nesse aspecto.

Quem muda o paradigma é o pesquisador alemão Werner Habermehl – e não é só por experiência própria não. Ele estudou e comparou as vidas sexuais de centenas de voluntárias alemãs, traçando paralelos entre a aparência e o estilo de vida de cada uma, e chegou à conclusão final: “a vida sexual das ruivas é claramente mais ativa do que as das mulheres com outras cores de cabelo”, diz.

Segundo os dados coletados, elas têm mais parceiros e fazem sexo com mais frequência do que a média.

Por quê? As ruivas são mais “facinhas”, é isso? Veja bem, não necessariamente.

A psicólogaChristine Baumanns explica que a estatística deve mais aos homens do que às próprias.“Vermelho representa paixão”, lembra. A cabeleira vermelha, portanto, chamaria mais a atenção do sexo oposto por passar uma mensagem do tipo “não vou enrolar você” e “vamos direto ao ponto”.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Como descartar corretamente o óleo de cozinha e evitar danos ambientais

Lydia Cintra
Superinteressante


Você fritou aquela batatinha crocante. Preparou bolinho de chuva e pastel. E fez o que com o óleo que sobrou? Muitas vezes, ele pode ser usado no preparo de outra receita, mas uma hora, é certo, terá de ser descartado. Ao invés de jogá-lo pelo ralo da pia, existem algumas formas mais sustentáveis de descarte, já que um único litro de óleo descartado de forma incorreta polui até 25 mil litros de água.
Muita coisa pode ser feita com o óleo de cozinha usado: fabricação de tintas, sabão, detergentes e biodiesel. Alguns países como Bélgica, Holanda, França, Espanha e Estados Unidos possuem até recomendações oficiais para o descarte correto de óleos e gorduras de frituras. No Brasil, só em São Paulo, o volume mensal de compra do produto é de mais de 20 milhões de litros, segundo pesquisa da Nielsen. E pouca gente faz o descarte correto.

Além do mau cheiro, o óleo:
- Prejudica o funcionamento das estações de tratamento de água, entope canos, pode romper redes de coleta e encarece o processo de tratamento;
- Quando chega a rios e oceanos, cria uma barreira que dificulta a entrada de luz e bloqueia a oxigenação da água, o que compromete o equilíbrio ambiental;
- Exige uso de produtos químicos altamente tóxicos para limpeza de encanamentos contaminados;
- Impermeabiliza solos, dificulta o escoamento da água das chuvas, contamina o lençol freático e, em decomposição, emite grande quantidade de gases tóxicos na atmosfera.

O que fazer?
Se você ainda tem o hábito de jogar o óleo de cozinha pela pia, dá para ajudar a mudar essa realidade. Armazene-o em garrafas e procure postos de coleta. O Instituto Akatu tem uma lista nacional de postos de coleta de óleo usado. A ONG TREVO, especializada em coleta e reciclagem de resíduos de óleo, também disponibiliza uma lista com alguns endereços de postos de coleta.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Pescadores vão coletar lixo plástico no mar

Ana Luiza Vastag / Mônica Nunes
Superinteressante

Certamente, você sabe que a maior parte das embalagens plásticas que jogamos no lixo vão parar no mar. Se não sabe, veja o caminho que ele faz ao ser levado pelas águas no infográfico A viagem do lixo, criado pela revista National Geographic Brasil. Toda essa poluição sobre as águas causa danos irreparáveis à vida marinha e à humanidade. No ano passado, essa mesma revista, que é parceira do Planeta Sustentável, enviou a jornalista Liana John, autora do blog Biodiversa –, em uma expedição de cientistas, realizada para analisar a presença de plásticos no Oceano Atlântico (leia a reportagem Pesquisadores fazem expedição para avaliar ilhas de lixo no Atântico).
A situação é caótica, sem dúvida, e agrava as condições dos oceanos que já sofrem com o aquecimento global e a poluição provocada por elementos tóxicos jogados no mar por navios e barcos ou pela extração de petróleo. Ao mesmo tempo, já há uma lei de preservação dos oceanos que deverá ser colocada em prática em breve, pela União Européia, e punirá os pescadores que praticarem a pesca predatória, que resulta na morte e devolução de peixes mortos aos oceanos. As estimativas apontam que 2/3 dos peixes pescados aleatoriamente são devolvidos ao mar, geralmente mortos, já que os pescadores priorizam os peixes grandes, de maior valor.
Por conta disso, a União Européia lançou um projeto inovador para resolver o problema da poluição dos oceanos por plásticos e que pode ajudar a evitar o “desemprego” dos pescadores. E é na cidade de Fiskardo, na Grécia, que ele será testado. Lá, além de pescar peixes – seguindo a nova lei, claro! -, os pescadores vão recolher dejetos plásticos que serão encaminhados para reciclagem.
Inicialmente, o projeto será patrocinado pelos países membros da UE, mas a ideia é que esse trabalho se torne, com o tempo, auto-sustentável, ou seja, que todos os pescadores envolvidos passem a vender diretamente o material recolhido para reciclagem.
Realmente, uma ótima ideia que poderá ser replicada pelo mundo. Mas dar a esses pescadores uma nova fonte de renda com base na limpeza dos oceanos é apenas um paliativo para um problema tão grave, que se alastra a cada dia. O que está claro é que a gente tem que mudar hábitos e reduzir o consumo de plásticos de qualquer natureza no dia a dia, inclusive das famigeradas sacolinhas (participe da campanha do Planeta Sustentável).
Os relatos diários de Liana, durante a expedição com os cientistas, no veleiro Sea Dragon – clique em cada barquinho, no mapa Mar de Lixo para acompanhar –, são contundentes: não só peixes, como baleias, focas, golfinhos, tartarugas e vários tipos de pássaros morrem por ingerir todo tipo de lixo plástico que jogamos nos mares. Até quando vamos deixar isso acontecer?
Veja também:
Mar plastificado (reportagem da revista National Geographic)
O diário fotográfico de Liana John (expedição)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

”Belo Monte vai exportar empregos”

27 de abril de 2011 - Jaime de Agostinho Biólogo diz que, apesar de ser vendida como solução contra o apagão, usina será fonte de energia para indústrias que exportam produtos primários, como alumínio.


O biólogo americano Philip Fearnside acompanha os planos do governo para explorar o potencial hidrelétrico da Amazônia desde os anos 70, quando morou em Altamira, no Pará. Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), órgão federal, Fearnside afirma que a Usina de Belo Monte, vendida como solução para evitar o apagão no País, terá boa parte de sua energia usada pela indústria de eletrointensivos, em especial a de alumínio. Para ele, o Brasil vai exportar produtos primários, criando empregos no exterior. “E os impactos vão ficar aqui, com os ribeirinhos e os índios.”

O projeto de Belo Monte mudou muito nesses 30 anos?
Mudou e não mudou. Lembro de, em 1976, ter entrado no escritório do Incra e ter conseguido o mapa com as hidrelétricas que iam inundar uma parte da área da colonização idealizada pelo Estado e terras indígenas. Na época ninguém podia fazer nada porque era uma ditadura. Hoje, temos o sistema do EIA-Rima (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental), mas a tomada de decisões não mudou, continua no mesmo círculo, e todo o resto parece que vira formalidade. Para tomar uma decisão dessas, você tem de olhar todos os impactos, não só os do EIA-Rima.

E o que há de importante que não está no EIA-Rima?
O que chama atenção é que 30% da energia (de Belo Monte) vai para a indústria de eletrointensivos, basicamente alumínio. Será a fonte de energia para novas unidades de grandes produtoras de alumínio no Pará e no Maranhão. Vai haver expansão das usinas de alumina e de alumínio primário. Belo Monte é apresentada como uma iniciativa contra o “apagão”. O brasileiro médio é levado a pensar que vai ficar sem ver TV se não forem feitas as hidrelétricas do Madeira, de Altamira, mas o País tem grande margem de flexibilidade. Tem toda essa energia sendo exportada, boa parte em forma de lingote de alumínio. Algo muito diferente de exportar um avião de alumínio feito pela Embraer, que gera empregos. O importante no valor do lingote não é o minério ou a mão de obra: é a energia. Exportamos energia elétrica e, com ela, empregos.

Os impactos se justificariam, então, se os objetivos da geração fossem “mais nobres”?
O Brasil não enfrentou ainda a questão mais crítica: o que fazer com essa energia. Mas está importando os impactos ambientais para gerá-la. Ninguém quer fazer hidrelétrica nos Estados Unidos, na Europa, para fazer alumínio. A solução é fazer isso na Amazônia e deixar os impactos aqui e os benefícios no Hemisfério Norte. Lá vão gerar empregos para transformar esse lingotes em produtos acabados e os impactos vão ficar com ribeirinhos e índios. No caso de Belo Monte, está se deixando quase seco um trecho de mais de 100 quilômetros do Rio Xingu com duas áreas indígenas e comunidades de ribeirinhos.

O que é “quase seco”?
No EIA-Rima, a “vazão ecológica” é o mínimo necessário para passar para essas comunidades. Uma dos condicionantes foi aumentar esse volume, o que foi feito. Belo Monte tem duas casas de força e duas barragens. Em Volta Grande do Xingu gera-se pouca energia, correspondente à vazão ecológica. O grosso da água vai ser desviado para o Reservatório dos Canais, onde está a casa de força principal, com 11 mil megawatts. Isso deixa na Volta Grande uma quantidade de água mínima. O impacto de uma hidrelétrica em geral é inundação, aqui é a falta de água.

E quanto seria inundado para a construção da usina?
A soma dos reservatórios dos Canais e da Calha (o da Volta Grande) estava calculada em 400 quilômetros quadrados de inundação. Subiu para 516 km² e depois saiu o edital com o número em torno de 615 km². O reservatório de Belo Monte é pequeno se comparado à energia gerada. Agora, cerca de 11 km acima da Volta Grande ficaria, pelos planos do governo, a barragem de Altamira. Ela é um lago de 6.140 km². Mais que duas vezes Balbina (usina inaugurada nos anos 80 que é considerada o maior desastre ambiental do País). Em 2008, o Conselho Nacional de Política Energética disse que só iria fazer Belo Monte, e não as outras hidrelétricas. Mas o conselho muda de um governo para outro.

Existe esse risco?
O projeto de só uma hidrelétrica é inviável. Durante quatro meses, na seca do Rio Xingu, não se conseguirá movimentar uma turbina sequer da grande casa de força. O governo e as empresas planejam com outros cenários. O plano inicial previa seis hidrelétricas no Xingu. Depois, diminuiu para quatro. Quando Marina Silva era ministra, tentou criar uma Reserva Extrativista na área que seria inundada pelas hidrelétricas, e isso foi vetado pela Dilma, na época na Casa Civil. A cúpula não tem intenção de ter só uma hidrelétrica.

Quanto de metano Belo Monte emitiria?
Belo Monte e o reservatório da barragem de Altamira juntos, para os primeiros dez anos, uma média de 11,2 milhões de toneladas de carbono equivalente ao ano. É mais do que a cidade de São Paulo emite em um ano.
Você contesta a geração de energia por hidrelétricas?
Não. Para cada uma você tem de avaliar os impactos e as alternativas a elas. E tem de saber para que vai servir essa energia.

QUEM É
Philip Fearnside
Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
Formado em Biologia pelo Colorado College, nos EUA, é mestre em Zoologia e doutor em Ciências Biológicas pela Universidade de Michigan. Está no Inpa desde 78.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

Fiquem de olho!!

Marinor Brito (PSOL), em quem votei para o senado nas últimas eleições, o que já me arrependo do feito, é contra a realização do plebicisto sobre a divisão do Estado do Pará (informação dada pelo blog Radar Online). E o argumento usado pela senadora: - "Há poucos elementos sobre a sustentabilidade econômica das regiões".
Lembrando: Marinor Brito é de Alenquer e só teve votos para assumir a vaga no Senado, no lugar do Jader Barbalho, porque o povo do Oeste acreditou e votou nela para ser a representante da nossa região no cenário nacional. É esta mulher que não quer nem nos dar o direito a votar se é a favor ou contra a divisão do estado. Porque a Senadora não que ouvir a nossa opinião?
Pois a resposta que ela merece é nunca mais ser eleita com os nossos votos! Ela acha que a elite de Belém vai ser tão fiel quanto ela está sendo.. vai achando!!

Carla Ninos

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Casais que falam como bebê são mais felizes

Thiago Perin / Superinteressante

Ô, delixinha minha, toisinha mais totosa do mundo! É, voxêêê, voxê meeesmo, meu bebezinho. Vem cá com o seu amorzinho! Vamos ver um filmezinho hoje? Fofurinha! (Bilú, bilú.)

Sabe aqueles casais insuportáveis que falam desse jeito? Eles são mais felizes. Insuportavelmente mais felizes. Em uma pesquisa feita nos EUA, 75% dos participantes assumiu usar o linguajar fofinho com o parceiro. E, segundo os pesquisadores, os casais que falavam nesse tatibitati para adultos demonstraram maior satisfação, intimidade e segurança no relacionamento, além de terem uma vida sexual mais movimentada. A justificativa é que, ao abandonar o papel de “adulto normal”, assumindo seu lado bobão e romântico sem economia, a pessoa se permite criar um nível de intimidade mais elevado com a cara-metade. E isso, é claro, favorece o relacionamento. Alguém comprova? Quem aí curte ser tratado como criancinha pelo amorzinho? Ah, que fofinho.

domingo, 3 de abril de 2011

Fórmula do Amor: os relacionamentos explicados pela Ciência

Fórmula do Amor: os relacionamentos explicados pela Ciência

Revista Galileu

5 mentiras famosas da web


Superinteressante

Cuidado com as histórias que você decidir inventar hoje – nunca se sabe a proporção que elas podem tomar com essa coisa doida chamada internet. No dia da mentira, relembramos 5 dos boatos mais famosos que já circularam pela internet. E pode dizer: você encaminhou pelo menos um deles para os seus amigos, não?


1- O pássaro Galvão (2010)

Durante a abertura da Copa do Mundo de 2010, brasileiros começaram a se irritar com o narrador do evento e inundaram o Twitter de mensagens dizendo “CALA BOCA, GALVÃO!”. Os gringos começaram a se perguntar que diabo era aquilo e, dois dias depois, surgiu um vídeo muito bem editado, em inglês, com uma explicação (falsa): Galvão era uma ave brasileira ameaçada de extinção e cada tweet com a mensagem renderia 10 centavos para a causa. A expressão se tornou a mais twittada do mundo nesse dia e os brasileiros festejavam aquilo que chamavam de “a maior piada interna da história”. Mas logo os não-falantes de português descobriram a farsa. Cerca de uma semana depois, os maiores portais de notícias no Brasil divulgaram um vídeo em que Bart Simpson escrevia a expressão no quadro negro, na abertura do desenho. Desta vez, nós é que fomos enganados – o vídeo também era uma brincadeira.


2- Lady Gaga é hermafrodita (2009)
Em 2009, um vídeo de um show de Lady Gaga revelou um volume suspeito em sua calcinha e deu origem ao boato bizarro de que a cantora seria hermafrodita. Um post publicado no blog Starrtrash em dezembro de 2008 começou a ser reproduzido p
or diversos sites pelo mundo para colocar mais fogo na história. Segundo o texto, a cantora teria confirmado ser hermafrodita em seu blog oficial. “Não é um assunto de que me envergonhe, apenas não é algo que eu vá ficar contando por aí”, teria dito Gaga. O bizarro é que ninguém verificou a confiabilidade de um blog que postava “notícias” como “Angelina Jolie raptou criança asiática” ou “Gwen Stefani deixa Mandarin [um restaurante chinês] 45 kg mais gorda”. Em agosto de 2009, Lady Gaga disse que essa história toda era vulgar demais para ela sequer discutir.


3- A foto do avião no dia 11 de setembro (2001)

Pouco depois dos atentados de 11 de setembro, começou a circular na internet a imagem de um turista que estaria visitando o World Trade Center (WTC) e teria tirado uma foto no momento exato em que um avião estava para atingir uma das torres. A câmera com a foto teria sido encontrada no meio dos escombros. Apesar da fama imensa, vários erros provam que a imagem é falsa. Para começar, 11 de setembro de 2001 foi um dia quente e ensolarado – ao contrário do que mostra a foto, em que o cara está todo agasalhado. Além disso, o avião da imagem se aproxima pelo norte, o que significa que teria atingido a torre norte. Acontece que não existe um deck de observação ao ar livre ali. A torre sul até possui um, mas ele só abria às 9h30 da manhã. O primeiro avião atingiu o WTC às 8h49. Assim, a farsa logo foi descoberta. Mas ficou a dúvida: quem seria o turista da foto? Um empresário brasileiro de Campinas chegou a dizer que o rosto era dele, mas não apresentou provas confiáveis. Semanas depois, um húngaro chamado Peter forneceu outras fotos semelhantes àquela e revelou que ele próprio havia criado o boato todo.


4. Gatinhos bonsai (2001)

Olha que absurdo! Filhotes recém-nascidos de pobres gatinhos estão sendo colocados dentro de recipientes de vidro para não crescer! Urina e fezes são removidas através de sondas e os bichinhos ainda recebem substâncias para deixar os ossos molengas e flexíveis e tomarem a forma da garrafa. Alguns e-mails diziam que os gatos estavam sendo vendidos em Nova York por um japonês maligno; outro contava que o experimento estava sendo feito por cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Difícil de acreditar, né? Mas as imagens eram assustadoras e convenceram muita gente. A lenda virou um clássico da internet e até gerou protestos irados de protetores dos animais.


5. Bill Gates dando grana (1997)
Corram! A Microsoft está dando dinheiro para as pessoas encaminharem e-mails! Essa históriasurgiu em 1997 e reapareceu anos seguintes. “Parece que a Microsoft está testando algum novo programa para rastrear e-mail e a empresa precisa de voluntários para ajudar. Ele me mandou um e-mail que recebeu da Microsoft – o e-mail era do próprio Bill Gates! Duas semanas depois, como recompensa pela participação, meu amigo recebeu um cheque de milhares de dólares”, dizia a mensagem. Outras versões prometiam prêmios variados e esse boato foi ressuscitado outras vezes em anos seguintes. Em 2004, uma mensagem até citou valores: você receberia uma recompensa de 245 dólares para cada pessoa a quem mandasse o e-mail. A cada vez que essa pessoa o reencaminhasse, você receberia mais 243 dólares. Difícil de acreditar, não? Mas, por via das dúvidas, o pessoal encaminhava e lotava a caixa de todos os seus contatos. Custava nada, né?

Ajude os animais do Japão pela internet! – Planeta Sustentável

Ajude os animais do Japão pela internet! – Planeta Sustentável

quinta-feira, 31 de março de 2011

Cinco esculturas do período asteca são encontradas no México

Fragmentos em pedra decoravam o Templo Maior na capital do país. Maior peça possui o formato de um crânio e tem 88 cm de comprimento.

G1
Arqueólogos encontraram cinco figuras de pedra no centro histórico da capital do México - onde antigamente existia a cidade asteca de Tenochtitlan -, perto da Catedral Metropolitana, segundo divulgou o Instituto Nacional de Antropologia e História do país (INAH). As peças decoravam as fachadas do Templo Maior, uma das principais construções do império asteca, entre os anos 1.325 e 1.521 da Era Cristã. O material foi achado durante escavações pelo Programa de Arqueologia Urbana mexicano em uma fossa de 12 metros por 7 metros de área. As cinco esculturas foram esculpidas em pedra vulcânica. A maior delas possui o formato de um crânio, com 88 centímetros de comprimento e 44 centímetros de altura. No local da vala onde foram encontradas as figuras existia um piso, que teria sido destruído pelos astecas para criar um depósito para itens arquitetônicos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Belém ignorou a ‘Hora do Planeta’

Diario do Pará

Promovida pela ONG WWF desde 2007, quando o mundo inteiro se mobiliza para apagar as luzes por 60 minutos, a Hora do Planeta, este ano não foi percebido nos logradouros públicos e cartões-postais escolhidos para simbolizar o fato em Belém, no último sábado. O protesto é programado para chamar a atenção para os desafios ambientais impostos pelo aquecimento global. Pelos cálculos da WWF, neste ano cerca de 3.800 cidades de 130 países prometiam aderir à campanha. Entre elas estava a capital do Pará, que chegou a programar 60 minutos no escuro para o maior cartão-postal da cidade, o Ver-o-Peso, e também para o Mercado de São Brás e o Bosque Rodrigues Alves. A ideia dos organizadores do evento era deixar no escuro por 60 minutos os logradouros públicos de Belém entre as 20h30 e 21h30. No entanto, as pessoas que frequentam a noite estes locais não sabiam e se surpreenderam com a ideia. No Mercado do Ver-o-Peso, que se preparava a festa de aniversário neste domingo, a vendedora de verduras Orminda dos Passos ficou surpresa e ao mesmo tempo preocupada com a informação. “Se no claro os ladrões agem com a maior tranquilidade, imagine com isto aqui no escuro. Eu vou já para minha barraca”, disse a feirante. Os policiais militares de plantão no Posto Tiradentes também não foram informados do evento, cuja primeira edição aconteceu em 2007, na Austrália. Tão logo tomaram conhecimento, organizaram uma operação com o efetivo de plantão, com intuito de reprimir ações de ladrões caso o Ver-o-Peso ficasse às escuras. O Mercado de São Brás, com suas luzes amarelas, no ano passado aderiu ao movimento, mas esse ano permaneceu iluminado. Praticantes de skate que aproveitam a noite para exibições em plataformas improvisadas disseram que tinham ouvido falar do evento da WWF. “Estamos esperando apagar as luzes, mas até agora nada”, reclamava o skatista John Cristiano. Algumas empresas com painéis luminosos na Doca de Souza Franco e avenida Almirante Barroso aderiram ao movimento apagando as luzes por uma hora, mas não chegou a ser percebido devido serem fatos isolados e sem informação prévia. A primeira edição da Hora do Planeta aconteceu em 2007 e contou com a participação de 2,2 milhões de moradores da cidade de Sidney, na Austrália. O movimento cresceu e ganhou o mundo. Em 2010, foram mais de 4,6 mil cidades em 128 países realizando eventos e apagando símbolos arquitetônicos. Ano passado, no Brasil, 98 cidades em 21 estados da federação aderiram oficialmente à Hora do Planeta.

sábado, 26 de março de 2011

Kate Winslet faz papel que foi de Joan Crawford em novo 'Mildred'. Personagem da mãe solteira rendeu Oscar para a atriz na versão de 1945.

Especialistas apostam que Kate Winslet receberá indicação ao Emmy.
G1

Joan Crawford recebeu seu único Oscar pelo papel da mãe solteira lutadora Mildred Pierce em "Almas em suplício" (título original: "Mildred pierce"), de 1945. Mas Kate Winslet, atriz britânica também ganhadora do Oscar, achou que assistir ao clássico do cinema noir foi a pior preparação possível para representar o mesmo papel de Crawford na nova versão de do filme criada pela HBO.
"Assisti aos primeiros cinco minutos do filme e então pensei 'eu não deveria ver isto'', disse Winslet a jornalistas.
"Eu sabia que deveria respeitar o livro original e ser fiel à Mildred Pierce desse romance brilhante. O que procurei fazer com o diretor Tood Haynes foi algo diferente."
A minissérie em cinco partes da HBO, que começa no próximo domingo (27), não é tanto uma versão diferente do filme em preto e branco com Joan Crawford quanto um retorno às raízes da história: o romance "A história de Mildred Pierce" (1941), de James M. Cain.
"Almas em suplício" é a história de uma mulher recém-divorciada na Grande Depressão, que luta para criar uma vida independente para ela e sua família e para conquistar o amor de sua filha Veda, uma adolescente fria e calculista.
O livro não tem a trama de assassinato que foi inventada para o filme de 1945, focando em vez disso o relacionamento torturado e às vezes melodramático entre Pierce e sua filha Veda, representada por Evan Rachel Wood.
Mas o que mais atraiu Haynes para a história da mãe solteira determinada da Califórnia dos anos 1930, na Grande Depressão, foi sua ressonância com os tempos econômicos difíceis de hoje.
Haynes foi grande fã do filme, mas só leu o livro em 2008, quando os mercados financeiros estavam despencando e bancos veneráveis estavam falindo da noite para o dia.
Roteirista e diretor do drama de época dos anos 1950 "Longe do paraíso" e do filme "Não estou lá", de 2007, inspirado em Bob Dylan, Haynes identificou na história outro de seus temas favoritos: as restrições sociais impostas às mulheres e como estas as superam.
Kate Winslet, 35 anos, conhecida principalmente por "Titanic" e por sua performance premiada com o Oscar como ex-guarda nazista em "O leitor", foi a primeira e única atriz que Haynes quis para sua versão para a TV de "Almas em suplício".
A performance de Winslet vem sendo elogiada, e a expectativa é que receba uma indicação ao Emmy ainda este ano. Mas os críticos de TV reagiram com ambiguidade à minissérie da HBO.
O Hollywood Reporter achou que falta credibilidade ao relacionamento central entre mãe e filha. Outros críticos acharam que, com cinco horas e meia de duração, a minissérie se perde um pouco. Para o escritor de thrillers Stephen King, "é simplesmente longa demais".

quinta-feira, 24 de março de 2011

Quanto é "beber socialmente"?

Tecnicamente, é até o quanto você consegue beber sem a sociedade reparar

por Raquel Lima
Superinteressante

Definição clássica de quem não quer parecer nem irresponsável nem careta, "beber socialmente" equivale ao que os especialistas classificam como "risco moderado" de alcoolismo. Entra nessa categoria quem consome até 3 doses diárias de bebida alcoólica - na classificação-padrão, 1 dose equivale a 1 latinha de cerveja, uma 1 taça de vinho ou meros 25 mililitros de destilados, como uísque e vodca (ver quadro ao lado).

Acontece que há uma linha tênue entre bebedores sociais e antissociais. Nesse sistema, a categoria acima do "risco moderado" já é "risco em crescimento". Quem estiver nas 4 doses diárias deve ficar atento.

Mas calma: passar de 3 doses diárias não quer dizer que você esteja virando alcoólatra. "A dependência do álcool não é diagnosticada tendo como critério único, e nem principal, a quantidade de álcool que uma pessoa bebe, mas a relação com o álcool que a pessoa tem, ou seja, o quanto o consumo atrapalha sua vida", explica a pesquisadora Ilana Pinsky.

É dose
Risco de alcoolismo conforme consumo diário de álcool


1 dose* - risco baixo
2 doses* - risco leve

3 doses* - risco moderado - Limite de "beber socialmente"
4 doses* - risco em crescimento

5 ou + doses* - risco avançado
*1 dose = 350 ml (lata) de cerveja, 90 ml (taça) de vinho ou 25 ml de destilados


Fonte Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) e National Institute of Alcohol Abuse and Alcoholism.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Morre, aos 79 anos, Liz Taylor


Filha de pais estadunidenses, mudou-se para os Estados Unidos em 1939. Começou a carreira cinematográfica ainda criança, quando foi descoberta aos dez anos. Contratada pela Universal Pictures, filmou There's One Born Every Minute, mas não teve o contrato renovado. Assim como o amigo pessoal Mickey Rooney, revelou talento participando de filmes infanto-juvenis, como na estréia em 1943 num pequeno papel da série Lassie. A partir de então, apaixonou-se pela profissão e permanecer no estúdio tornou-se o maior sonho.
Evoluindo como atriz talentosa e respeitada pela crítica, nos anos 50 filmaria dramas, como Um lugar ao Sol, com o ator Montgomery Clift; Assim Caminha a Humanidade, com Rock Hudson, ambos atores homossexuais e dos quais se tornou grande amiga. Nessa década faria ainda A Última Vez Que Vi Paris, ao lado de Van Johnson e Donna Reed.




Liz, como é mais conhecida, é reverenciada como uma das mulheres mais bonitas de todos os tempos; a marca registrada são os traços delicados e olhos de cor azul-violeta, emoldurados por sobrancelhas espessas de cor negra. Celebridade cercada por intenso glamour e diva eterna dos anos de ouro do cinema norte-americano, é uma compulsiva colecionadora de jóias. Certa vez, o amigo, o mágico David Copperfield, convidou-a para uma das apresentações e fez sumir das mãos um dos anéis favoritos. Liz, simpaticamente, e ao gritos, divertiu a platéia manifestando um momento de desespero ao ver o anel sumir.
Ficou famosa também pelos inúmeros casamentos (oito ao todo), sendo o mais rumoroso o com o ator inglês Richard Burton, notório pelo alcoolismo, com quem se casou duas vezes e fez duplas em vários filmes nos anos 60, como o antológico Cleópatra, o dramático Quem tem medo de Virgínia Woolf?, em que ela ganhou o segundo Óscar, Os Farsantes e A Megera Domada. Vencedora duas vezes do Óscar da Academia para Melhor Atriz (principal), o primeiro em 1960 pelo papel da call-girl de Disque Butterfield 8 (pt: O Número do Amor); . Nessa década, com o reconhecimento do prêmio máximo do cinema mundial, consagrou-se como a mais bem paga atriz do mundo.
Foi amiga do Rei do Pop Michael Jackson, que dedicou-lhe vários de seus trabalhos, inclusive a canção "Liberian Girl";


Foi pioneira no desenvolvimento de ações filantrópicas, levantando fundos para as campanhas contra a AIDS a partir dos anos 80, logo após a morte de Hudson. A despeito de ter nascido fora dos EUA, em 2001 recebeu do presidente Bill Clinton, a segunda mais importante medalha de reconhecimento a um cidadão norte-americano: a Presidential Citizens Medal, oferecida pelos seus vários trabalhos filantrópicos. Nessa época se agravaram os problemas de saúde, ganhando peso e sendo levada a internações recorrentes em hospitais. E na da data de 23 de Março de 2011, faleceu aos seus 79 anos de idade.

Forçar sorriso piora o seu humor

Thiago Perin
Superinteressante


Sabe aquele sorriso forçado que você solta para esconder um pouco do mau humor ou para disfarçar o quanto detesta o chato que veio dar oi? Colando ou não (aí vai depender das suas habilidades cênicas), colocá-lo no rosto piora o seu estado de espírito. E, no trabalho, pode enxugar um bocado a sua produtividade. Quem diz são pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan, nos EUA. Eles acompanharam um grupo de motoristas de ônibus (ótimas cobaias, já que são forçados a lidar com pessoas o tempo todo, estando ou não a fim de socializar) por duas semanas e constataram que, conforme eles sorriam sinceramente, seus humores iam melhorando cada vez mais. Ok, isso é óbvio. Mas quando o sorriso vinha, por algum motivo, forçado, o humor dos motoristas tendia a se deteriorar rapidinho, e eles ainda perdiam a concentração no trabalho, conta o New York Times. É que, como todo mundo sabe, esconder as emoções não dá muito prazer. E o efeito, no caso, foi ainda mais significativo entre as mulheres. Tudo culpa das convenções sociais: elas crescem sendo encorajadas a demonstrar mais as emoções do que os homens. Disfarçá-las, então, tende a ser ainda mais sacrificante. Ou seja, a dica é: quer ficar de cara fechada, fique mesmo. Pense no seu bem-estar e deixe que os outros lidem com o seu mau humor ou com a sua antipatia. O problema é deles.

Pobres são mais gente boa

Thiago Perin
Superinteressante

A gente sempre ouve por aí que dinheiro não compra felicidade. Não vamos entrar nesse mérito (algum milionário aí para comentar?) – pelo menos, não hoje. Mas o que ele realmente não compra, e aí a ciência comprova, são habilidades sociais.
Em um estudo feito nas universidades da Califórnia (EUA) e de Toronto (Canadá), voluntários mais pobres demonstraram maior capacidade de “ler” as emoções alheias e de empatia, a habilidade de se colocar no lugar do outro, do que os ricos. Outras pesquisas feitas pela mesma equipe já tinham mostrado que quanto menos dinheiro no banco, educação formal e status profissional o indivíduo tem, mais simpático, prestativo e generoso ele tende a ser.
Esse “bom mocismo” todo, os pesquisadores explicam, parece ser uma resposta às ameaças sociais às quais as pessoas de classes econômicas mais baixas estão sujeitas no dia a dia – passar longos períodos sem emprego, por exemplo. Mais vulneráveis do que quem tem dinheiro no banco (esses podem usar seu poder, status e patrimônio para se manterem seguros), os pobres tendem a recorrer à força das relações interpessoais para sobreviver.

Mãe cria polêmica nos EUA ao dizer que ama mais o filho do que a filha

Mulher disse que a forma com eles nasceram influenciou.

Do G1 em São Paulo

Uma mãe provocou polêmica em Phoenix, no estado do Arizona (EUA), ao admitir em um blog que ama mais seu filho de 1 ano e oito meses do que sua filha de 3 anos de idade, segundo reportagem da emissora de TV "ABC 15".
A mulher justificou a preferência por um dos filhos em virtude da forma com eles nasceram. Quando deu à luz a menina, ela disse que ficou meses doente e não pôde ficar ao lado do bebê. Em relação ao segundo filho, ele foi colocado em seus braços logo após o nascimento.

terça-feira, 22 de março de 2011

A amizade é uma das coisas mais importantes de nossas vidas

Seus amigos podem lhe trazer saúde, riqueza e felicidade - ou tirar tudo isso de você. Veja por que eles são ainda mais importantes do que você imagina.

por Camilla Costa
Superinteressante

Tudo começou por puro interesse. Quando os primeiros macacos se tornaram amigos, fizeram isso por motivos bem objetivos - ajudar uns aos outros em lutas contra rivais, no caso dos machos, e cuidar melhor dos filhotes, no caso das fêmeas. A amizade não passava de uma troca de favores. Agora pense nos dias de hoje: com você e os seus amigos, não é assim. Você tem amigos simplesmente porque gosta de estar na companhia deles, certo? Errado. Você continua fazendo amizades por puro interesse - no caso, alimentar o seu cérebro com uma substância chamada ocitocina.

Talvez você já tenha ouvido falar dela. É um hormônio que está relacionado ao instinto mais primordial do ser humano: a reprodução. O orgasmo libera ocitocina - e estimula a fêmea a contrair seu útero, o que leva o esperma do macho mais rapidamente até o óvulo e aumenta as chances de ela engravidar. Mas seus efeitos mais profundos acontecem no cérebro. A ocitocina é responsável pelo afeto que a fêmea desenvolve pelo macho, e pelo amor incondicional que ela tem pelos filhos. Ou seja: é a ocitocina que fez, e faz, a espécie se reproduzir com sucesso. Outros animais também produzem esse hormônio. Mas, entre os humanos, ela é muito mais potente. Tanto que influi até nos machos - fazendo com que assumam um comportamento carinhoso, o que é muito raro no mundo animal. "Só em 3% das outras espécies de mamífero os machos cuidam dos filhotes", explica o neurologista Paul Zak, da Universidade da Califórnia.

Em algum momento da Pré-História, a relação com estranhos passou a ser necessária. Provavelmente, isso aconteceu no momento em que grupos de hominídeos começaram a se fixar em uma mesma região, e viver em grupos cada vez maiores. E foi aí que surgiu a forma mais primitiva de amizade. "Os amigos fornecem um suporte social para os primatas", diz o antropólogo Robin Dunbar, da Universidade de Oxford.

Há cerca de 10 mil anos, a ocitocina ganhou um papel maior. O homem fez sua primeira grande invenção - a agricultura, que viria a revolucionar a relação da espécie com o alimento (e abrir espaço para todas as revoluções seguintes). Mas ela só dava certo se tivesse a colaboração de vários indivíduos. Aí, a ocitocina deixou de ser apenas uma coisa "de família" para agir em prol da sociedade - e facilitar a formação das alianças de que a humanidade precisava. Ela nos condicionou a fazer amigos.

Experiências feitas na Universidade da Califórnia comprovaram que, quando você conhece uma pessoa que lhe pareça confiável, o nível de ocitocina no seu cérebro aumenta. Isso faz com que você se sinta mais propenso a criar uma relação com aquela pessoa. Ou seja: graças à ocitocina, o cérebro aprendeu a transformar algo que era necessário à sobrevivência - a cooperação - em prazer.

Com a evolução, a amizade deixou de ser imprescindível à sobrevivência do indivíduo. No mundo atual, para obter comida, basta ir a um restaurante. Dá para fazer isso sozinho. Mas é muito desagradável - porque o seu cérebro está condicionado a fazer alianças (e também porque, como você verá na próxima matéria, a amizade tem uma série de efeitos importantes no organismo). É por isso que procuramos amigos, mesmo que tecnicamente não precisemos deles. "A ocitocina faz com que tratemos estranhos como se fossem nossa própria família. E a amizade é exatamente isso", diz Zak.

Como tudo o que tem base biológica, a amizade afeta os sexos de maneiras diferentes. As mulheres produzem mais ocitocina do que os homens. E isso faz com que seu cérebro se organize para ter amizades profundas. Testes feitos no Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA apontaram que, nas mulheres, as áreas do cérebro ligadas a emoções e produção de hormônios se acendem quando existe a possibilidade de conhecer alguém novo. Nos meninos, isso não acontece. É por isso que as mulheres têm, sim, amizades mais intensas do que os homens. Mas, por isso mesmo, elas também são menos tolerantes - e suas amizades duram menos. Aliás, existe amizade (sem envolver sexo) entre homens e mulheres? Existe e não existe. Por um lado, a origem desse sentimento é inegavelmente sexual. A amizade entre homens e mulheres nasceu para facilitar a reprodução e a criação dos filhotes. E ela é alimentada pela ocitocina - que é liberada durante o sexo. Por outro lado, a evolução nos tornou capazes de separar as coisas. Isso porque, quando a ocitocina adquiriu sua função social (facilitar a criação de alianças entre as pessoas do mesmo sexo), o cérebro humano também mudou. Ele ganhou muito mais receptores de ocitocina, que foram se espalhando por várias regiões cerebrais - inclusive aquelas que nada têm a ver com o desejo sexual. Por isso, a ocitocina que é liberada quando você está com amigos (seja do mesmo sexo, seja do oposto) não produz o mesmo efeito do que a ocitocina que é liberada quando você está namorando ou fazendo sexo. É diferente.

Bem menos que 1 milhão
Ter amigos só traz benefícios. Quanto mais, melhor. Mas há um limite. Um estudo feito na Universidade de Oxford comparou o tamanho do cérebro humano, mais precisamente do neocórtex (área responsável pelo pensamento consciente), com o de outros primatas. Ele cruzou essas informações com dados sobre a organização social de cada uma das espécies ao longo do tempo. E chegou a uma conclusão reveladora: 150 é o máximo de amigos que uma pessoa consegue ter ao mesmo tempo.

Para que você mantenha uma amizade com alguém, precisa memorizar informações sobre aquela pessoa (desde o nome até detalhes da personalidade dela), que serão acionadas quando vocês interagirem. Por algum motivo, o cérebro não comporta dados sobre mais de 150 pessoas. Os relacionamentos que extrapolam esse número são inevitavelmente mais casuais. Não são amizade. Outros pesquisadores foram além e constataram que, dentro desse grupo de 150, há uma série de círculos concêntricos de amizade: 5, 15, 50 e 150 pessoas, cada um com características diferentes.

O curioso é que esses círculos já haviam sido mencionados por filósofos como Confúcio, Platão e Aristóteles - e também estão presentes em várias formas de organização humana. Na Antiguidade clássica, 5 já era considerado o número máximo de amigos íntimos que alguém poderia ter. Tirando o futebol, 12 a 15 pessoas é a quantidade de jogadores na maioria dos esportes coletivos. Cinquenta é o número médio de pessoas nos acampamentos de caça em comunidades primitivas (como os aborígenes da Austrália, por exemplo). Cento e cinquenta é o tamanho médio dos grupos do período neolítico, dos clãs da sociedade pré-industrial, das menores cidades inglesas no século 11 e, até hoje, de comunidades camponesas tradicionais como os amish (que dividem uma comunidade em duas quando ela ultrapassa as 150 pessoas).

Mas, mesmo com tantos exemplos práticos, ninguém sabe explicar por que nosso limite de amizades é de 150 pessoas. Para os cientistas, foi como o cérebro conseguiu construir e administrar o que viria a se tornar, ao longo do tempo, o bem mais importante da espécie humana: a rede social.

CÍRCULO FINITO
O cérebro comporta no máximo 150 amigos, divididos em grupos.

Do peito
5 amigos - São os íntimos, com quem você mais fala - e não hesitaria em ligar de madrugada ou pedir dinheiro emprestado. Para Aristóteles, 5 era o número máximo de amigos verdadeiros.

Grupo de empatia
15 amigos - São pessoas bastante importantes para você - se alguma delas morresse amanhã, você ficaria muito triste. Este grupo pode incluir gente do trabalho ou amigos de amigos.

Número típico
50 amigos - É o número de amizades mantidas pela maioria das pessoas, e também o tamanho médio dos agrupamentos humanos primitivos (como bandos de caça).

Limite
150 amigos - Máximo que o cérebro consegue administrar ao mesmo tempo. São as pessoas cujos nomes, rostos e características você consegue memorizar e acionar caso seja necessário.

Saúde: Correr de tênis faz bem?

"Quem corre de tênis tende a pisar primeiro com o calcanhar, um movimento que pode ocasionar lesões. Já quem corre descalço tende à pisada frontal, mais natural e suave, menos impactante."
Daniel Lieberman, professor do departamento de biologia evolutiva da Universidade Harvard, autor de um estudo sobre o tema

"Um em cada 3 corredores sofre lesões nos pés. É culpa do design dos tênis: eles têm a parte dianteira elevada para propiciar conforto, o que faz o corredor jogar mais peso sobre o calcanhar, o que enfraquece tendões e ligamentos."
Christopher McDougall, autor do best seller Born to Run

"É preciso levar em conta o peso do corredor. Muita gente começa a correr porque está com uns quilos a mais. Um tênis adequado é capaz de amortecer o seu peso, evitando qualquer prejuízo ao corredor."
Turíbio Leite, professor do Centro de Estudos em Medicina da Atividade Física e do Esporte