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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Manifesto Contra o Preconceito Institucionalizado do Governo Dilma aos Povos Indígenas


08/05/13

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB vem por meio da presente, manifestar em primeiro lugar a sua profunda preocupação pela nota divulgada no dia de ontem, 06 de maio, pela Secretaria Geral da Presidência da República, intitulada“ Esclarecimentos sobre a consulta aos Munduruku e a invasão de Belo Monte”, na qual o Estado Brasileiro, sob gerência do Governo da Presidente Dilma Rousseff, assume publicamente uma posição abertamente preconceituosa e discriminatória contra os povos indígenas do Brasil. Para o governo, os indígenas mobilizados contra a Usina Hidrelétrica de Belo Monte e contra o complexo hidrelétrico dos rios Tapajós e Teles Pires não são legítimos, daí que os chama de “autodenominadas” ou “pretensas” lideranças. Curioso, mas quando era do interesse do governo o mesmo os recebeu como legítimos para negociações no Palácio do Planalto.

Evidentemente que esse ataque não é só contra os Munduruku, pois o neodesenvolvimentismo em curso atinge a todos os povos, os quais desde o governo Lula são tachados de obstáculos à implementação desse modelo, por se insurgirem, contra a sua lógica economicista, neocolonial e mercantilista, de ocupação de territórios, inclusive com o uso da força, de medidas repressivas, acompanhadas de campanhas enganosas e de descaracterização, como nos tempos da ditadura, outrora combatidos pelos hoje autores da nota governamental.

A APIB lamenta que o governo, que por mandato constitucional deveria zelar pelos direitos dos povos indígenas, se assuma hoje como o porta-voz das forças inimigas que almejam a extinção dos nossos povos, para destruírem nossos territórios e se apropriarem dos bens neles existentes preservados milenarmente pelos nossos ancestrais.

A nossa organização alerta ainda para os riscos desse tipo de pronunciamento que só vem legitimar o ódio, as ameaças e práticas de violência que os setores antiindígenas promovem contra as nossas comunidades e lideranças, atos que nos últimos dois anos tem se agravado em razão do respaldo legal que esse governo tem dado aos invasores dos territórios indígenas por meio de portarias e decretos inconstitucionais, destinados a desconstruir os direitos originários e facilitar a abertura desses territórios à exploração brutal dos neocolonizadores.

Ao contrário dos índios, que supostamente tem “se conduzido sem honestidade necessária a qualquer negociação”, foi o Governo Dilma, que assim agiu, pois enquanto estava em andamento o processo de regulamentação da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, que dispõe sobre o direito de consulta livre, previa e informada, sob comando da própria Secretaria Geral da Presidência, este publicou, em 17 de julho de 2012, a Portaria 303, que atenta frontalmente contra esse direito. O governo, então, contraditório como ninguém, não pode falar de honestidade.

Em função disso, até não ser revogada a tal Portaria, o movimento indígena se negou a fazer parte desse processo de regulamentação, que não foi, como disse o governo, totalmente transparente. Até porque o procedimento desconsidera a participação dos nossos povos já na fase de planejamento dos “programas de desenvolvimento regional e nacional”, conforme estabelece a 169, e não depois que os projetos foram aprovados.

Se a normatização não aconteceu, por conta dessa vergonhosa contradição, como é que o governo pretende fazer consultas aos povos indígenas, mesmo em caráter de laboratório? Ora, com os últimos pronunciamentos, o governo confirma a sua única pretensão ao querer regulamentar a Convenção 169 que é obter o consentimento dos povos e comunidades indígenas à implementação dos grandes empreendimentos nos seus territórios, mesmo que isso signifique a programação de sua morte física e cultural, danos e crimes contra o meio ambiente e a biodiversidade.

A acusação de que os indígenas se opõem aos empreendimentos simplesmente “porque estão envolvidos com o garimpo ilegal de ouro” é insincera e inaceitável, uma vez que tenta desqualificar a luta que todos os povos, incluindo os Munduruku, desenvolvem há séculos na defesa de seus territórios, a partir de uma cosmovisão peculiar de relação com a Mãe natureza e que os atuais tanques pensantes do Planalto já defenderam rigorosamente em outros tempos, quando militantes da causa indígena. Por outro lado, o governo quer justificar a sua inoperância na proteção das terras indígenas e na falta de capacidade ou de vontade de oferecer aos nossos povos condições de sustentabilidade. No mesmo processo de relação com o povo Munduruku essa deficiência ficou provada, pois depois das reuniões com o Secretário Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e seus notáveis auxiliares, foi prometido aos índios que nos seguintes dias o governo iria compensar os danos da Operação Eldorado, e apoiaria o plano da FUNAI de enviar uma equipe técnica para área com objetivo de pensar junto com os índios um programa de etnodesenvolvimento. Até hoje nada disso aconteceu. Pateticamente só se fala de consulta e da necessidade de fazer crescer o país – a qualquer custo, é claro. Se a prática do garimpo é ilegal e há envolvimento de indígenas com essa atividade, a responsabilidade é do Estado, que erroneamente quer resolver os problemas recorrendo a ilegalidades, como a não observância dos tratados internacionais, da Constituição Federal e o uso de medidas repressivas.

A APIB rechaça a pretensão do governo ou de seus representantes de se atribuírem a prerrogativa de dizer quem é ou não liderança legitima, pois com isso atenta mais uma vez contra o direito dos nossos povos e comunidades a exercerem a sua autonomia. É tristemente lamentável que o Governo Dilma tenha se configurado nos últimos tempos como um governo autoritário claramente alinhado aos interesses das classes que sempre dominaram e exploraram as maiorias deste país.

Brasília-DF, 07 de maio de 2013.

ARTICULAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL – APIB

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Imprensa é impedida de registrar ocupação em Belo Monte


05/05/2013


Homens da Força Nacional de Segurança e Policiais Militares do Pará, acompanhados de um oficial de justiça, cumpriram esta tarde de sexta-feira (03 de maio) mandado de reintegração de posse para a retirada de "não índios" da área onde fica o escritório do CCBM - Consórcio Construtor de Belo Monte.

O local foi ocupado por um grupo de cerca de 120 índios de várias etnias, a maioria da tribo Munduruku, em protesto contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, e de dezenas de outras usinas nos rios Tapajós e Teles Pires. Os índios protestam também contra a decisão do governo de não dialogar com as comunidades locais e de não realizar a consulta prévia prevista por lei. Os militares retiraram três jornalistas que registravam a movimentação, entre eles um cinegrafista de uma TV francesa e um fotógrafo freelancer da Agência Reuters.

Os índios tentaram impedir que os jornalistas fossem expulsos, alegando que eles eram as únicas testemunhas no caso de uma ação violenta por parte dos militares, que usavam coletes à prova de balas, capacetes e escudos para situações de confronto e estavam armados com fuzis e escopetas. Mas os jornalistas decidiram cumprir a ordem judicial, mesmo não concordando com ela, para evitar confronto.

Não é a primeira vez que o Consórcio Construtor e a Norte Energia, empresa responsável por Belo Monte, recorrem a liminares judiciais para cercear o trabalho da imprensa. No ano passado, em situações semelhantes, as empresas obtiveram na justiça liminares de "interdito proibitório", para impedir que jornalistas e ambientalistas acompanhassem manifestações contrárias à construção da usina.

Os homens da Força Nacional e da PM esperaram a saída da equipe da TV Liberal, que também trabalhava no local do protesto, para cumprir a ordem de expulsar os outros jornalistas que permaneciam ali e evitar que a ação fosse gravada. Mas os jornalistas fizeram imagens e fotos da chegada dos militares e do momento em que foram expulsos.
Neste domingo (04 de maio), os indígenas divulgaram uma carta na qual pedem a permanência de jornalistas no local.

Confira a íntegra da carta abaixo:

Deixem os jornalistas aqui

Ontem o governo enviou um assessor para apresentar uma proposta a nós que estamos ocupando o canteiro de obras. Junto com eles vieram 100 policiais militares, civis, federais, Tropa de Choque, Rotam e Força Nacional.

Nós não queremos assessores. Queremos falar com a sua gente de governo que pode decidir. E sem seus exércitos.

O funcionário queria que saíssemos do canteiro e que só uma pequena comissão falasse com gente de ministério. Nós não aceitamos. Nós queremos que eles venham para o canteiro e falem com todos nós juntos.

Ontem a Justiça expediu liminar de reintegração de posse apenas para os brancos. Com essa decisão, a polícia e o oficial de justiça expulsaram dois jornalistas que estavam nos entrevistando e filmando, e multaram um jornalista em mil reais. E expulsaram um ativista.

A cobertura jornalística ajuda muito. Nós exigimos que a juíza retire o pedido de reintegração de posse, não aplique multas e permita que jornalistas, acadêmicos, voluntários e organizações possam continuar testemunhando o que nós passamos aqui, e ajudar a transmitir nossa voz para o mundo.

Ocupação do canteiro de obras Belo Monte, Vitória do Xingu, Sábado, 4 de maio de 2013

terça-feira, 17 de julho de 2012

Empresa “enrola” nas negociações enquanto pede ação policial para despejo de indígenas

Índios afetados por Belo Monte dizem que negociações não atenderam demandas. Empresa pediu policia em despejo, exigiu multa e punição, e, enquanto não cumpre condicionantes, alegou danos com eventuais atrasos nas obras.



Publicado em 10 de julho de 2012
Movimento Xingu Vivo


Nesta segunda, 9, a empresa Norte Energia realizou a primeira de duas reuniões agendadas para a semana com o grupo de indígenas que ocupa a ensecadeira do canteiro de obras de Pimental desde o dia 21 de junho. Os indígenas montaram um acampamento na barragem e têm impedido o trabalho dos operários no local para exigir o cumprimento de uma série de medidas de mitigação de impactos, previstas por lei, além de outras demandas de compensação pelos danos já sofridos e futuros.

De acordo com Mukuka Xikrin, uma das lideranças mais jovens do acampamento, a empresa não teria dado nenhuma resposta concreta às reivindicações nesta primeira conversa. “Não foi decidido nada, não apresentaram nada e não ficou acertado nada. Pode ser que amanhã seja diferente”, explica o xikrin, cujo grupo (as comunidades do rio Bacajá) foi o primeiro a se reunir com a Norte Energia, junto com os arara e juruna das aldeias da Volta Grande. Nesta terça, devem ser ouvidos os Xypaya, Arara, Kayapo e Curuaia das aldeias do rio Iriri, e Assurini, Arawetê e Parakanã da chamada Rota Xingu.

Outra fonte, que não quis ser identificada, afirmou que a empresa teria prometido que as obrigações pré-existentes no Plano Básico Ambiental Indígena (PBA) e nas ações emergenciais seriam eventualmente cumpridas, e que resolveriam as questões ligadas à saúde, educação e navegabilidade dos rios. As demais demandas compensatórias (carros, casas, motos, e indenizações, entre outros) teriam sido negadas. Uma resposta mais definitiva teria sido prometida para o início da semana que vem.

Enquanto negocia, consórcio solicita despejo com força policial

Apesar de ter se comprometido a negociar as reivindicações apresentadas pelos índios logo no início da ocupação, em 23 de junho o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) impetrou uma ação de reintegração de posse com pedido de liminar, que solicitou à justiça que “determine a utilização de força policial, dentre ela a Policia Militar, Polícia Federal e a Força de Segurança Nacional para garantir a segurança do Autor [CCBM], de seus funcionários, sua posse e o trabalho dos oficiais de justiça que cumprirão a medida liminar a ser deferida”. Também foi pedida a imposição de uma multa diária, pagamento das custas do processo e dos honorários dos advogados, e o pagamento de prejuízos causados pela impossibilidade de acesso de funcionários e fornecedores ao canteiro de obras.

Com o indeferimento da liminar pela juíza Priscila Pinto de Azevedo no dia 25, no dia 29 o CCBM reiterou o pedido, argumentando indignação diante dos métodos reivindicatórios: “a invasão de áreas do empreendimento com lesão ao patrimônio alheio não é o meio adequado e democrático para movimentos sociais obterem suas reivindicações. Destarte, a cidadania não pode ser vista apenas na perspectiva das reivindicações indígenas (…)”.

Segundo o CCBM, o despejo dos indígenas deveria configurar tanto um castigo quanto um exemplo aos que apresentam “desvio” da conduta considerada adequada pelo consórcio. “A concessão da medida liminar [de despejo] configurara o restabelecimento da ordem social, com caráter não apenas punitivo mas, sobretudo, exemplificativo das corretas condutas que devem nortear o país (…)”, afirma o documento.

A despeito de situação de completa ilegalidade no que tange o cumprimento das condicionantes indígenas e os prazos estabelecidos por lei, e das conseqüentes violações dos direitos, das doenças decorrentes da alteração da qualidade da água e dos impactos no cotidiano das aldeias, o CCBM também buscou inverter a lógica da vitimização no processo, alegando que “a situação de calamidade no caso objurgado poderá ser criada em razão dos prejuízos advindos da paralisação do empreendimento, eis que elevadíssimos e, quiçá, imensuráveis hodiernamente, impactando não apenas no atraso do cronograma da obra, mas nos encargos consectários, podendo ocasionar demissões em massa, rescisões de contratos de subcontratadas, devolução de imóveis e equipamentos, além de desmobilização instantânea dessas questões ponderadas”.

No momento, concomitante ao alegado processo de negociações, corre no Tribunal Regional Federal, em Brasília, um pedindo revisão do indeferimento da liminar, impetrado pelo CCBM no último dia 4 de julho.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

“Eles disseram que vão destruir minha casa e me multar em 10 mil reais”


Norte Energia ameaça liderança comunitária de demolir sua casa com força policial por participar de organização de encontro paralelo à Rio +20


Por Ruy Sposati

ALTAMIRA – O pescador e liderança da comunidade de Santo Antonio, Élio Alves da Silva, recebeu no início de junho um ultimato para abandonar a sua casa. Segundo ele, advogados da Norte Energia, que já desapropriou a maioria das habitações da vila, disseram que sua casa será demolida nesta quarta (6), e ele poderá ser multado em R$ 10 mil. Élio é presidente da Associação de Moradores de Santo Antonio, onde acontecerá um encontro dos atingidos por Belo Monte, o Xingu + 23.

Assim como a maior parte dos moradores da vila, o pescador já foi oficialmente despejado, mas fechou um acordo verbal com a Norte Energia para permanecer no local para acompanhar, como presidente da Associação, o processo de remoção das famílias. “Mas no dia 1º, um advogado e um outro cara [da Norte Energia] levaram uma papelada pra eu assinar. Disseram que iam derrubar a minha casa e que eu precisava assinar [para autorizar]. E que se eu não autorizasse, ele ia lá com a polícia, derrubava a casa e me dava uma multa de 10 mil reais. Eu não assinei e nem vou assinar, e pra derrubar meu barraco só se passar por cima de mim primeiro”.
Nesta terça, Élio procurou a empresa para negociar. “Me deram um prazo de 48 horas, que vencia ontem. Aí eu fui lá na Norte Energia, e eles disseram que vão derrubar amanhã”, relata o pescador. “Eles disseram que já passou tempo demais, que o meu tempo de desocupar já venceu e que, já que eles são os donos da área, eu teria que sair”.
Envolvido na realização do que pode vir a ser a última missa de Santo Antônio, atividade que abre o encontro, Élio acredita que esteja sendo perseguido politicamente. “Isso aí é pressão por causa do Xingu +23″, afirma. “Eles atrasaram dois meses a carta de crédito [indenização pela casa], e agora fazem isso?”


O caso


Élio teve a indenização de sua casa avaliada em cerca de 25 mil reais. Por considerar o valor baixo demais, optou por receber como mitigação a carta de crédito, que permitiu que ele comprasse uma pequena chácara onde agora planta cacau. “Queria mesmo era continuar cuidando de peixe, mas não achei terra perto do rio que eu pudesse pagar”, conta. Élio também tem sofrido de dores nas costas e no peito, graças à mudança nos hábitos de trabalho.
Mesmo tendo conseguido a nova terra, a mais de 30km do rio mais próximo e a 80km de onde atracava sua canoa, Élio, como liderança comunitária, exigiu que a empresa permitisse que ele permanecesse na vila, para que pudesse acompanhar as remoções.
Como a comunidade foi desapropriada às pressas e de maneira precarizada, muitas outras famílias continuam vivendo no local; ou porque usam a escola, ou porque ainda não receberam indenizações ou cartas de crédito, ou porque estão sendo processadas judicialmente pela empresa.
Élio na cozinha de sua casa, em janeiro (Foto: João Zinclar)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Justiça acata nova ação de criminalização da Norte Energia contra o Xingu Vivo




Na tarde desta quarta, 13, o juiz Horácio de Miranda Lobato Neto, da 2ª Vara Cível de Altamira, deferiu, em caráter liminar, novo interdito proibitório contra o Movimento Xingu Vivo, dois de seus membros e seu assessor de imprensa.
De acordo com o juiz, o interdito se justificaria em função dos materiais de divulgação do encontro Xingu +23 na internet e de supostos “registros fotográficos de atos de vandalismos e de ocupação de bens do CCBM [Consórcio Construtor Belo Monte]”.
A liminar especifica como área do interdito imóveis de moradores da Vila de Santo Antonio – que fica em frente ao canteiro de obras Belo Monte – despejados pela Norte Energia. Segundo o documento, teria ficado comprovada “ameaça iminente de invasão em sua [da Norte Energia] posse dos imóveis localizados na Agrovila Santo Antônio”. A empresa ja despejou 225 famílias da comunidade.
Hoje praticamente deserta, a vila recebe, pelos próximos dias, o encontro Xingu +23, que celebra nesta quarta a última missa de Santo Antonio, a mais tradicional da antiga comunidade. Mais de 300 ribeirinhos, agricultores, pescadores e indígenas atingidos e ameaçados por Belo Monte já estão acampados em um campo de futebol da vila para discutir, até o dia 17, os impactos e as formas de resistência contra a usina.


“Nós estamos ocupando nosso prório campo de futebol, lugar público e que ninguem comprou não. A única invasão que existe em Santo Antonio hoje é a do mato no cemitério embargado pela Norte Energia, onde os túmulos dos nossos mortos estão tomados por ervas daninhas”, protesta um dos pescadores que perdeu sua casa para a empresa. Muitos dos ex-moradores voltaram ao local nesta quarta para acompanhar a missa e os debates, e ainda viram as madeiras de suas antigas casas empilhadas e apodrecidas nos terrenos onde viveram por muitos anos. “Só sentimos dor quando vejo essa sujeirada. Nunca que ninguem tem vontade de causar mais estrago do que a Norte Energia ja causou nesses lugares que foram nossos e hoje eles dizem que é deles”, diz o pescador.
De acordo com a coordenação do Xingu Vivo, além de ser a terceira tentativa de criminalização do movimento via interdito proibitório, os argumentos apresentados no texto desta nova liminar são fantasiosos. “Enquanto a Norte Energia destruiu centenas de casas, despejou dezenas de famílias, barrou e sujou o Xingu, estragou a água potável dos indígenas, o movimento nunca depredou nenhum bem da Norte Energia. Desafiamos o juiz a nos mostrar qualquer foto que comprove tal afirmação!”