Mostrando postagens com marcador Pescadores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pescadores. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Articulação inédita de indígenas e pescadores promove nova ocupação de Belo Monte

Após o não cumprimento de acordos por parte da Norte Energia, ocupação permanecerá até que todas as reivindicações sejam atendidas, dizem indígenas.

09/10/2012
 
Por volta das 19h desta segunda-feira (8), cerca de 120 manifestantes  indígenas das etnias Xipaia, Kuruaia, Parakanã, Arara do rio Iriri, Juruna, e Assurini uniram-se aos pescadores, que estão há 24 dias protestando contra o barramento definitivo do rio Xingu (PA), e ocuparam novamente a ensecadeira do canteiro de obras de Pimental para paralisar a construção de Belo Monte. Os indígenas tomaram as chaves de caminhões e tratores na ensecadeira, e os trabalhadores tiveram que deixar o local a pé.
De acordo com os manifestantes, a ação, que é pacífica, ocorre em função do completo descumprimento dos acordos firmados pelo Consórcio Norte Energia com os indígenas depois da última ocupação da ensecadeira, entre junho e julho deste ano; o não cumprimento de grande parte das condicionantes; a total falta de diálogo da empresa com os pescadores; e a ameaça concreta de alagamento de parte de Altamira com o barramento definitivo do rio Xingu. Pequenos agricultores, moradores de Altamira e oleiros da região devem se juntar aos protestos ao longo da semana.

Os manifestantes acusam o empreendimento de fechar o rio sem que tenha sido solucionada a transposição de barcos de um lado a outro da ensecadeira, como exige a Licença de Instalação (LI) outorgada pelo Ibama.
De acordo com o órgão, o fechamento do rio não poderá ocorrer e a empresa não poderá interromper o fluxo de embarcações até que o sistema provisório de transposição de embarcações esteja em pleno funcionamento (item 2.6 da LI).
Segundo os pescadores, a ensecadeira, que tem mais de 5 km, deve ser concluída nos próximos dias. “O que temos aqui é uma cena de terra arrasada. A ilha de Pimental foi completamente destruida, só é árvore no chão, e a água está podre. É muito chocante”, afirma um dos manifestantes.
De acordo com os indígenas, desta vez a ocupação deve permanecer até que todos os acordos firmados em julho tenham sido cumpridos. Os pescadores também reafirmam a intenção de permanecer por tempo indeterminado.

 

ApoioTodo o apoio aos manifestantes neste momento é essencial. Nesse sentido, qualquer contribuição financeira para a luta é muito importante e benvinda. Aqueles que desejarem ajudar, podem depositar qualquer quantia nas conta:

Mutirão pela Cidadania, CNPJ 01993646/0001-80
Caixa Economica Federal -  Agencia- 0551   OP- 003  Conta/Corrente – 1532-7
Banco Bradesco – agencia -1011   C/C- 32955-0

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Governo pede um mês para responder demandas de pescadores. Acampamento no Xingu continua

03/10/2012
Fonte: Movimento Xingu Vivo para Sempre


Após reunião com membros do governo federal na última semana, os pescadores de Altamira que protestam contra o barramento do Xingu e a ausência de diálogo e indenização para a categoria, foram comunicados que o prazo para análise das demandas será de 30.

De acordo com Lucio Souza, representante da Colônia de Pescadores de Altamira, esta demora é uma afronta e pode colocar em risco a vida de ribeirinhos que moram em áreas de impacto das explosões das obras de Belo Monte. Há poucos dias, a Colônia recebeu a denúncia de uma senhora que pescava em frente a sua casa, quando a detonação num local lá perto soltou um pedregulho que quase a atingiu. “Isso é um perigo, a mulher podia ter morrido. Mas até agora a Norte Energia não apresentou nenhuma proposta para os ribeirinhos que moram nas ilhas próximas às explosões. É muito perigoso ficar, mas também não da pra sair, eles não tem pra onde ir. É um absurdo o governo pedir um mês pra responder questões que poderia resolver em uma semana. É um desrespeito!”, diz Lucio.

Nesta segunda, 01, o acampamento dos pescadores nas cercanias da ensecadeira do canteiro de obras Pimental completou 15 dias sem nenhum contato das autoridades federais, mas com recrudescimento de ações de pressão por parte do Consorcio Construtor Belo Monte (CCBM). Assediados constantemente pelos funcionários da empresa, os pescadores já mudaram cinco vezes o local do acampamento, que começou na ilha do Jatobá e se mudou para as ilhas do Cão, do João de Barro, do Veado e da Cutia, onde permanece desde o fim de semana.

“Hoje tivemos a informação de que os funcionários do CCBM foram lá novamente, o helicóptero da policia fez novo sobrevôo, mas os pescadores resolveram enfrentar o assédio e permanecer no local”, afirma Antonia Melo, coordenadora do Movimento Xingu Vivo para Sempre. Segundo ela, os pescadores não acreditam que o governo vá cumprir qualquer acordo que venha a ser feito, uma vez que quase nada do que foi combinado com os indígenas após a ocupação da ensecadeira, entre junho e julho, foi encaminhado.

De acordo com funcionários da Funai, realmente as atividades referentes às condicionantes indígenas, bem como os trabalhos do órgão, estão praticamente parados. Após uma paralisação de dois dias na última semana em função da completa falta de estrutura para o desempenho das funções, os funcionários voltaram ao trabalho sob ameaça de ter o ponto cortado, mas nada do que foi reivindicado, em termos de melhorias das condições e da estrutura de trabalho, foi atendido. De acordo com os indígenas, além da quebra dos acordos pós-ocupação e o fim do Plano Emergencial, que destinava recursos para as aldeias até setembro deste ano, o Plano Básico Ambiental (PBA) indígena não vem sendo cumprido.

Pescadores buscam diálogo com indígenas

Uma das lideranças do acampamento dos pescadores, Cecílio Kaiapó, cuja família vive exclusivamente da pesca, tem iniciado um intercâmbio entre as aldeias indígenas e os pescadores para troca de impressões sobre a ameaça do barramento definitivo do Xingu e os abusos da Norte Energia. Enquanto isso, os acampados seguem conclamando a categoria dos pescadores para fortalecer os protestos.

Abaixo, leia a carta circulada no fim da última semana:

Carta dos 13 pescadores
Nós, os 13 pescadores reunidos na Ilha da Cotia, falamos aqui de nossa resistência em defesa dos direitos de todos nós. Queremos pedir encarecidamente aos nossos amigos pescadores que se unam e compareçam para nos dar apoio na luta por seus direitos, assim como nós temos lutado.
Pelo amor a Deus, chamamos a todos para que venham nos encontrar e juntar-se a nós. Por amor aos seus filhos e netos, que reajam em defesa dos seus direitos de pesca, antes que seja tarde demais e que o Xingu não dê mais peixe.
Aguardamos ansiosos a chegada de vocês para que juntos, com a força, a coragem e a fé de todos, possamos finalmente agir para garantir que sejamos ouvidos pela Norte Energia, pelo Consórcio Construtor Belo Monte e pela Presidência do Brasil.
Chamamos também os indígenas de toda a região a se unirem a nós nessa importante luta. E a todos os atingidos que puderem se dirigir para a Ilha da Cotia, pedimos que venham o mais rápido possível. E que todos nós estejamos juntos nesse momento.
Agradecemos a todos aqueles que nos tem apoiado e àqueles que nos apoiarão nesta causa de todos nós.
Os 13 pescadores.

Altamira, 28 de setembro de 2012.