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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Qual ditadura tinha acabado?


Revista Fórum

Cada explosão que trepidava nosso chão obedecia ao chilique dos jornais graúdos. Nos tiros de cima pra baixo, nas bombas em quem tava ajoelhado ou sentado no chão, entre os fachos luminosos que jogaram na gente, pesava a ditadura militar cotidiana, escorrendo. Ditadura que só acabou em alguns bairros de bacanas. Circulou na net o vídeo de um PM quebrando o vidro da própria viatura, forjando a tal baderna. Já há suspeita forte de infiltrados, assumidos pela própria corporação, incitando a violência.
Muita gente aglomerada. E aqui só pode multidão pros palcos da Virada Cultural, espectadores autorizados consumindo a folia oficial. Ou dentro da condução. Ou em corredor de hospital.
Ah, a boniteza de ser 20 mil na rua cantando ‘o povo acordoooou’. Ali no centrão tomado encontrei meu povo pelejando. Nós, uma renca dos saraus, teatros e das ocupações das quebradas. Abracei professores do fundão da cidade. Malungagem da Brasilândia, Parque São Luís, Americanópolis, Mauá, Jardim João 23, Heliópolis, Cidade Tiradentes. Muitos cantos. Abraços com gana, os de sempre. Mas depois encurralados, nós na mira do gás, o desespero acuando e as debandadas, o fervo. Akins, meu aliado de fé, sumiu. Apenas no dia seguinte soubemos um do outro. O povo rechaçado seguia entre as explosões. Fizemos um circuito cascudo da República à República. Da Consolação à Marechal Deodoro, mas desguiados pela Augusta, pela Bela Cintra, pelas Clínicas e o Pacaembu. Nunca vou esquecer da solidariedade no miolo do pânico. Katiara, Choco e eu agarrados por toda a travessia em chamas, se amparando, se fortalecendo. O vinagre partilhado com quem chegava pra embeber a manga e o lenço. E a alegria dos reencontros depois das dispersões pelos rojões… Me vi nos outros olhos vermelhos, na agonia da nossa garganta ardida pela nuvem de guerra, na face úmida dos outros parceiros de levante. Quando tocarei de novo no desconhecido que ajudamos a levantar, capengando entre as labaredas? Dez da noite a paz sorriu no peito, meio amuada mas sorriu: encontrei o Paulo do Perifatividade quase inteiro, mancava pela bala de borracha na coxa, e o Leko junto, esse com saúde no fim do terror.

Um hospital privado, caríssimo, na Avenida Paulista foi impedido de medicar manifestantes feridos, arrastados pra fora pelos policiais. Igualzinho nos açougues das periferias de SP, tantas vezes proibidos de atender os baleados da madrugada. Uma viatura na Rua Maceió atropelou um rapaz, trincou seus pés e com cassetete em punga mandou o cara levantar e vazar. Jovens espancadas no Pacaembu por soldados machos, mesmo rendidas, com seus braços erguidos. Motos e viaturas caçaram pessoas por ruas dos Jardins, antes de autuá-las por formação de quadrilha.
A velha história. A polícia paulista, a truculência dos comandantes que empesteia o mais novo recruta, sua formação fascista que anistia a si mesma com os arranjos e alívios dos tribunais militares. Atiram crentes que no dia seguinte seus jornalistas conchavados vão passar um pano em sua sujeira. Mas algo deu errado no CEP. Os cabos esqueceram que estão no centro, com câmeras, socando gente influente e esmurrando seus escrivães. Os tenentes não lêem os editoriais? Ou então leram e seguiram na medula o tal rigor que a mídia graúda atiçou e exigiu pela honra bandeirante…
Há uma tonelada de jornais graúdos e de canais de tevê que não arreia pros seus anunciantes de automóveis, não pode contrariar os banqueiros que lhes sustentam, não pode deixar de dizer amém pros seus donos deputados, especialistas em lamber coturnos e  tesourar a real. Mídia que diz se chocar com o que foi (foi? não é mais?) ditadura militar, que exalta o espírito da luta na Tunísia, na Turquia, em Plutão… mas que aqui chama de vândalos quem grita.
Ironia amarga e dolorosa um bocado dos jornalistas dessas redações agora esfacelados nas manifestações. É tempo de demissões em massa nas redações graúdas, sim? Logo a polícia será contratada para escrever as pautas, otimizando o serviço. Os fardas atenderam perfeitinho aos clamores editoriais chamando a ordem pelos cascos e espadas da cavalaria. Não foi o braço escrito dos vampiros que se arretou com a tal ‘atitude moderada’ dos comandantes milicos? Foi a Folha de São Paulo que exigiu ação enérgica pela honra da sociedade? E teve seis jornalistas seus entre os gravemente avariados. É um tiquinho trágico do que toda noite arrasta meus irmãos pra vala e as famílias pro desespero. Uma lambida do vinagre de 513 anos nos bairros pretos. Penso nos meus parceiros que não tem advogado nem câmera a postos, nem moeda pra fiança… penso nos meus que enterramos e que no jornal entraram como marginais em troca de tiros. Diariamente.
Mas agora ali brota uma noticia indignada. E nada há pra comemorar ou sorrir por isso.
Já os diários europeus se dizem surpresos. Frisam que aqui nunca houve luta nas ruas, nas matas, nas praias. Que falácia. Noticiam com susto a rebeldia no meio do tal otimismo brasileiro, propalado em plena era da felicidade comprada a prazo. E os jovens, tão tirados de alienados, de sem compromisso, agora são alçados a inimigo ou exemplo nacional.
Não são só os 20 centavos de aumento. É mais do que exigir um busão que nos espreme ou um metrô que não chega nas beiradas da cidade e que manda se lascar quem não dorme à meia-noite. 3 reais ou 3 e 20 é o mesmo assalto. Nossa chama vai ainda além desse litro de leite, desse saco de feijão que deixamos a cada vez que rodamos a catraca do vagão de bodes em que nos entuchamos. A pauta é a cidade vendida, arrebentada, asfixiada. E uma copa do mundo tecida em fios de ouro no meio da gangrena.
Vamos respirando a morte cinza solta pelo escapamento. São Paulo, a civilização do pneu. Que asfaltou e emporcalhou seus tantos rios, que retificou o Tietê, o Pinheiros, expulsou nossas avós das várzeas e das margens serpenteadas… Hoje conte 50 carros na avenida: nenhum passa com 4 ou 5 pessoas. É um por vez dentro, na sua carapaça xingando o retrovisor.
Oficialmente é tempo de chacinar indígenas e comemorar o PIB, hora de vender o que resta dos hospitais públicos lixentos, privatizar de vez a secretaria da doença pro cartel dos planos de saúde. O preço da condução que agrade aos milionários que financiam eleições.
Muita prata pra copa do mundo. E comunidades expulsas a marretada, pessoas recebendo uma merreca que dura dois meses de aluguel. Quem não quer pagar a grana alta pra arquibancada do espetáculo, ocupa a geral, nóis, nas ruas, enquanto a cidade ainda não inaugura seus corredores de shopping adaptados aos automóveis. Mas a polícia desagrada também os que querem mais do que taponas nos enquadros, presídios lotados e um aço que não deita de vez as lepras de sempre. PM que desgosta os que querem é cemitério pra quem incomoda sua paz garantida em frente à TV e passos tranquilos em frente às vitrines.
Bem, daqui a pouquinho vem o veredito: terroristas. Decretado por lei já anunciada. Já já, que é tempo de copa capando e a propaganda não pode ser maculada, a festa dos zilhões não pode esgarçar. Que incendeiem ou derrubem moradias, levantem prédios de luxo e montem avenidas monitoradas, faróis a laser.  O governo comemora com os cartolas os 15 mil carros novos que por mês chegam quentinhos nas ruas. É a economia aquecida, o progresso beijando com graxa. Assim firmam obras gigantes e agora a licitação de 46 bilhões de reais pras gerenciadoras operadoras do transporte público de SP. É o maior contrato da história da cidade.
Os milionários gozam. Tem subsídios até pra mascar chiclete. A gente migalha o que é clausula pequena nos contratos dos castelos e gabinetes. E o partido do governo ainda se chama PT, dos ‘trabalhadores’… piada pronta. Partida.
Daqui da Palestina, notícias de Telaviv.

Allan da Rosa é escritor e poeta. Autor de ‘Da Cabula’, ‘Zagaia’ e ‘Morada’ entre outros.Apresenta o programa “À Beira da Palavra’, na Rádio Usp FM aos sábados, às 14h. É angoleiro, historiador e pedagogo. Integra o movimento de literatura periférica paulistana. É fundador da “Edições Toró”.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Yoani Sánchez: "Escutar o outro é básico para a democracia"

A dissidente cubana diz ter "pena" dos militantes que tentaram impedi-la de falar em sua visita ao Brasil e defende uma investigação sobre os protestos


A conversa com a blogueira cubana Yoani Sánchez, de 37 anos, começa com uma brincadeira: “Aqui posso falar tranquila, não?” Depois de cinco anos de frustrados pedidos ao governo comunista para viajar ao exterior, Yoani escolheu o Brasil para iniciar seu giro de cerca de 80 dias por mais de dez países da América Latina e Europa. Na estada de uma semana por aqui, foi hostilizada diversas vezes por manifestantes de grupos de esquerda, que tentaram impedi-la de falar ou responder as suas perguntas. A exibição de um documentário em que é o tópico central, em Feira de Santana, Bahia, e o relançamento de seu livro De Cuba, com carinho (Editora Contexto), em São Paulo, foram interrompidos por causa da balbúrdia. A ÉPOCA, Yoani cobrou uma investigação sobre esses episódios e disse suspeitar da influência direta do regime cubano na organização dos protestos. Ela falou também sobre seu futuro numa possível Cuba democrática e por que não sonha ser presidente de seu país. “Falta-me cinismo para a política.” Mas também falou de temas amenos, como seu longuíssimo cabelo, que definiu como "livre e selvagem como eu".

ÉPOCA – Que mensagem a senhora pensava em trazer ao Brasil? Conseguiu transmiti-la?
Yoani Sánchez –
 Uma mensagem de esperança. A sociedade civil em Cuba está alcançando uma maturidade que vale a pena mostrar ao mundo. É uma Cuba plural, porque às vezes os estereótipos nos fazem parecer uma ilha verde-oliva (referência à cor dos uniformes militares). Queria dizer ao Brasil: “Somos tão plurais e diversos como vocês, só precisamos de um marco legal para expressar essa pluralidade.” Acho que consegui colocar minha voz, apesar de ter sido interrompida muitas vezes.

ÉPOCA– E por que o Brasil como primeiro destino?
Yoani – 
Porque gosto de ser desafiada (risos). Durante os anos em que me foi negado sair de Cuba, vieram do Brasil as maiores manifestações de apoio, inclusive nos momentos em que já tinha perdido as esperanças. Tinha de vir ao Brasil primeiro para receber o abraço dessas pessoas.

ÉPOCA– Não é irônico o fato de que este mesmo Brasil que apoiou tanto sua vinda também a hostilizou?
Yoani –
 Nunca pensei em encontrar um país homogêneo racial, cultural ou religiosamente, muito menos ideologicamente. Não esperava um país em que todos pensassem igual.

ÉPOCA– Mas a senhora imaginava ser recebida como foi?
Yoani –
 Imaginava. Dias antes de viajar, vários blogs oficialistas de Cuba, quase sempre anônimos, já advertiam que me dariam uma resposta contundente no Brasil. Talvez para vocês seja algo pouco comum alguém ser impedido de falar num evento público, mas para mim não é. Desde pequena, testemunho manifestações de ódio em Cuba. Me dá um pouco de pena dessas pessoas (os manifestantes brasileiros). Elas têm muito poucos argumentos. Estava muito aberta ao debate, mas o que encontrei do outro lado foi o extremismo, com gritos e palavras de ordem. Foi um ódio excessivo. Muitos deles nem sequer me conheciam ou leram meus textos. Repetem clichês que não se ajustam à realidade.

ÉPOCA - E a sensação de ter sido escoltada pela Polícia Legislativa no caminho para a Câmara dos Deputados?
Yoani - 
Foi a primeira vez que passei por isso. E ocorreu com uma cidadã pequenininha, que não tem nenhuma importância, como o governo cubano diz. É paradoxal. Se não sou nada importante, por que me proteger tanto? Estamos falando de uma pessoa que nunca militou por nenhum grupo político, nunca agrediu ou matou ninguém, mas apenas põe suas ideias em um blog. É realmente sintomático, como prova da força que tem a palavra.

ÉPOCA – Alguns manifestantes eram ligados ao PT, o partido da presidente Dilma Rousseff. O governo brasileiro deveria emitir uma posição sobre esse episódio?
Yoani – 
Quero evitar me envolver em temas partidários ou sugerir aos brasileiros o que têm de fazer. Mas não há dúvida de que os fatos ocorridos deveriam ser investigados. Os militantes do PT precisam de uma explicação sobre por que alguns colegas impediram atos como a exibição de um filme ou o lançamento de um livro. Se eu militasse num partido e ocorresse algo assim, pediria explicações. Vale a pena investigar, porque não acho que as razões sejam apenas o rechaço a meus textos. Evidentemente, havia alguém atiçando os ódios. É preciso saber quem, o quê, a que distância e de onde é essa entidade que está fazendo isso.

ÉPOCA– Quem é essa entidade?
Yoani –
 Não tenho nenhuma prova. Mas tudo tem o signo muito marcante do tipo de ação que faz o governo do meu país contra os dissidentes.

ÉPOCA– Seria alguma iniciativa da embaixada de Cuba no Brasil?
Yoani – 
Como disse, não tenho provas, mas não acharia estranho. Em Feira de Santana, todos os manifestantes tinham o mesmo documento, impresso da mesma forma. É claramente um sinal de que alguém lhes entregou. E os pontos desse documento se parecem assombrosamente com aqueles com que o oficialismo me ataca.

ÉPOCA– Que pontos?
Yoani –
 Meu suposto vínculo com a CIA, que já é quase uma piada. Outro são os questionamentos sobre o sequestro que sofri em 2009 (ela afirma ter sido agredida e levada de carro por agentes do governo). É o mesmo roteiro de ataques que costumo receber em Cuba. Já estou acostumada a isso e não me traz danos emocionais, mas me incomoda não me darem o direito de me explicar. Sou uma pessoa da palavra. Essas perguntas são feitas para que eu não as responda. São para me difamar.

ÉPOCA– Um militante disse num debate na TV que não houve coerção em Feira de Santana porque não houve violência física. O que a senhora acha desse raciocínio?
Yoani –
 Em minha chegada ao Brasil, no aeroporto do Recife, uma pessoa chegou a puxar meu cabelo. Em Feira de Santana não houve violência física contra mim, graças à intervenção dos organizadores, que me cercaram e me colocaram numa sala até que os ânimos serenassem. Mas o clima ali era de linchamento. A questão não é se houve agressão ou não. Impediram uma pessoa de se expressar. Isso, sim, é coerção, algo muito autoritário. Escutar o outro é um princípio básico da democracia e da convivência pacífica. A lógica foi: “Não estou de acordo com você. Cale-se”.

ÉPOCA – Tanto ativistas da esquerda como parlamentares de partidos da oposição se aproveitaram sua figura para defender seus interesses. Isso a incomoda?
Yoani – 
Não. A vida é aproveitar-se do outro. O governo de Cuba se aproveita de mim para dizer ao mundo que há uma democracia, porque Yoani Sánchez pode escrever em seu blog. Prefiro a manipulação por dizer algo do que por não dizer nada. Se minha opinião serve a alguém, podem tomar minhas palavras sem problema. Sou open source, dou licença gratuita para todos. O que não faço é me alinhar ao pensamento de um partido. Na saída da Câmara, um jornalista me perguntou se eu sabia que alguns deputados que me receberam eram muito conservadoras em temas como o casamento gay. Fui madrinha do primeiro casal gay de Cuba, mas uma das minhas filosofias de vida é a transversalidade. Quero ter contato com todas as forças políticas. Sou uma pessoa de conciliação. Não houve mais gente do PT na Câmara porque não quiseram ir. O embaixador cubano (Carlos Zamora) também foi convidado, mas não foi.

ÉPOCA - Sua visita mudará o “silêncio cúmplice” do Brasil ante a ditadura cubana, usando um termo que a senhora escreveu em seu blog?
Yoani - 
Não quero ter a pretensão de pensar que a simples vinda de uma cidadã a um país enorme como o Brasil mudará a política externa. Mas todas as pessoas que me encontraram nas ruas por aqui me trataram com muito carinho e palavras de estímulo: “Siga”, “resista”, “leio seu blog”, “abaixo a ditadura”. Fora os extremistas que desejam sustentar um cenário utópico de Cuba, tenho a sensação de que o povo brasileiro sabe que Cuba é um Estado sem direitos para os cidadãos. Se um povo começa a mudar sua opinião sobre um assunto de fora, a política exterior terá que mudar um dia.

ÉPOCA– A senhora ficou conhecida por lutar pelo seu direito de viajar ao exterior. Isso conseguido, seu discurso será mais concentrado agora na queda do regime? Quais são seus próximos passos?
Yoani –
 Creio na evolução. Não posso ser a mesma Yoani de 2007 (ano em que lançou o blog Generación Y). Pretendo abrir um jornal em Cuba com os recursos que conseguirei levantar nas viagens por vários países. Ainda não é possível de maneira legal, mas tratarei de achar brechas para conseguir. Não abandonarei o blog, que é minha terapia particular. Mas claro que preciso mudar o discurso, não ficar somente na denúncia, mas sim propor soluções. Minha proposta principal se resume a despenalizar a dissidência. Cobrar que o governo tenha o compromisso de que nenhum cidadão será punido por expressar qualquer ideia. Conheço muitos economistas, sociólogos, gente que quer ajudar a melhorar o país, mas tem medo de passar pela mesma situação de Yoani Sánchez ou dos prisioneiros da Primavera Negra (como ficou conhecido o movimento de repressão do regime em 2003, que resultou na prisão de 75 pessoas). Se houver isso, as propostas aflorarão.

ÉPOCA– A ditadura não durará para sempre, e um dia haverá eleições livres em Cuba. A senhora pensa em se candidatar à Presidência quando isso ocorrer?
Yoani – 
Não tenho a menor vontade. Quando uma figura se destaca em Cuba, nos acostumamos a depositar nela todos os desejos de mudança, quase como uma entidade messiânica. Isso nos fez entregar nosso destino nas mãos de Fidel Castro. Não gostaria que isso se repetisse na Cuba do futuro. Prefiro que o governante do país com que sonho seja um administrador sem nenhum carisma, que não tenha a auréola do salvador da pátria. Não tenho intenção de me candidatar porque tenho uma responsabilidade maior como jornalista. Quero ser incômoda para este governo e para o próximo. Tenho tanto a fazer que não dá para embarcar em uma carreira política.

ÉPOCA – Mas seus admiradores no exterior esperam por isso...
Yoani - 
Muita gente já me abordou sobre isso, sim, mas nunca estive interessada. Não é que digo “não” agora e “sim” depois. Falta-me cinismo para a política. Eu seria um desastre. Nas primeiras duas semanas, diria tudo tão honestamente que isso me causaria todos os problemas do mundo. Que outros se ocupem da política com minúscula. Vou me preocupar com a política com maiúscula.

ÉPOCA - A senhora se incomoda de não ser muito conhecida em Cuba?
Yoani -
 Não sou a pessoa indicada para falar disso, pois pareceria um ato de imodéstia. Mas cada vez que saio às ruas do meu país, seja em Havana ou em um pequeno povoado, muita gente me reconhece. Como? Pela forma como a informação se difunde em Cuba. Há o fenômeno das antenas parabólicas ilegais, que transmitem emissoras da Flórida, do México, onde veiculam reportagens sobre mim. Mas minha intenção não é ser conhecida. Não sou política, não busco apoio popular. A fama é efeito colateral, não resultado do meu trabalho. Não sou uma pop star nem quero competir em popularidade com as novelas brasileiras, transmitidas três vezes por noite na televisão cubana. Sobre eu não ser conhecida, é preciso ir a Cuba e perguntar.

ÉPOCA - Sobre as novelas brasileiras, a senhora já escreveu que elas têm uma influência grande na população ao mostrar situações em que um personagem sai da miséria e realiza seus sonhos. As novelas daqui já fizeram mais que nosso governo para despertar a consciência do povo cubano?
Yoani - 
Acho que são melhores embaixadoras da liberdade. Mas as novelas têm um duplo papel contraditório. Se por um lado trazem informação e oxigênio para mostrar aos cubanos que há outras realidades e não somos o paraíso, por outro funciona como um sonífero. Muita gente compra caixas com novelas inteiras no mercado informal e fica o dia inteiro na frente da TV.

ÉPOCA - A senhora disse que “falta dureza” do Brasil quanto aos direitos humanos em Cuba. Essa é questão mais delicada envolvendo a relação dos dois países?
Yoani -
 O governo brasileiro encampou a luta contra o embargo americano a Cuba, mas nosso maior problema não é o conflito entre Cuba e Estados Unidos, mas o conflito Cuba e seus cidadãos. Recomendaria, muito humildemente, complementar a política externa para Cuba com a questão da ausência de liberdade de expressão, de associação. Senão, parece apenas um assunto de xadrez político. Se estão pressionando pelo fim do embargo, muito bem, mas por que não pressionar pelo fim do bloqueio que o governo impõe a nós mesmos?

ÉPOCA - Que impressão a senhora levará do Brasil?
Yoani - 
Fabuloso. Encontrei muita pluralidade. Confirmei a frase que um amigo me disse: “Os brasileiros são como os cubanos, mas livres. Todos os rostos que vi me lembram os de Cuba, e também a gestualidade. Mas, ao falar com os brasileiros, me espantei com a naturalidade com que falavam de temas políticos. No aeroporto do Recife, fiquei em um escritório à espera do carro para me levar dali porque os manifestantes poderiam bloquear minha passagem. Ali, uma controladora de voo falou de corrupção e falta de transparência no Brasil de uma forma que seria impensável em Cuba. Lá, nós murmuramos. Se vamos falar de Fidel Castro em local público, fazemos um gesto de alguém barbudo. Se o assunto é Raúl Castro, puxamos os olhos, por causa de seus traços achinesados. Ninguém fala em voz alta de política.

ÉPOCA - As pessoas no Brasil estão falando sobre seu cabelo. Li um post antigo no seu blog sobre o fato de que sua irmã ria da senhora por causa do seu “cabelo de brasileira”, pois parecia com a da cantora Maria Bethânia.
Yoani - 
Sim. Quando era menina, minha mãe dizia meio de brincadeira, meio sério. Era a época em Cuba, no início dos anos 80, que se ouvia muito a música brasileira, como Maria Bethânia, Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento. Me parecia muito bonito os cabelos que eles tinham, um cabelo livre. Deixo crescer meu cabelo, que é bastante selvagem. Mas não há uma razão especial. Já tive todos os tipos possíveis de cabelo. Uma vez tive o cabelo raspado, durante dois anos da minha vida.

ÉPOCA - Quando?
Yoani -
 De 1992 a 1994.

ÉPOCA - Mas por quê?
Yoani -
 Bom, primeiro porque era a época de Sinéad O’Connor (cantora irlandesa que tinha o cabelo raspado) e estava na moda. Mas também naqueles anos em Cuba havia uma crise material, econômica e financeira tão forte que comprar xampu ou conseguir xampu para o cabelo era quase impossível. Sob essa condição de colapso material, surgiram por todos os lados muitas epidemias de piolho. Bom, então decidi raspar o cabelo para evitar todos esses problemas, a compra de xampu e a aplicação (de remédios) para os piolhos. Foi muito difícil, porque na rua as pessoas gritavam muitas coisas para mim.

ÉPOCA - O quê, por exemplo?
Yoani -
 Me chamavam de lésbica. Porque era uma época que em Cuba não estavam acostumados com o cabelo raspado. Me agrediam muito verbalmente. E um belo dia deixei o cabelo crescer e...

ÉPOCA - Aqui perguntam “por que ela não corta o cabelo”?
Yoani - 
Já me perguntaram se eu tinha uma promessa... Não, não é isso. Ele é livre e selvagem como eu. Não há cuidados especiais. Não me penteio muito. Não me maquio. Não tenho tempo para isso. Não pinto as unhas. Ele (o cabelo) está aí e tem seu espaço. Eu tenho o meu. Nós nos respeitamos (risos).

ÉPOCA - A senhora não é uma pessoa muito vaidosa, neste sentido?
Yoani - 
A minha vaidade se reflete em outra coisa. Mais que a vaidade física, não passo minha vida vendo as coisas que não escolhi, compreende? São coisas que não selecionei para a minha vida. Uma é o meu corpo. Veio assim.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Manifestações pelo país em solidariedade ao povo Guarani-Kaiowá ocorrem nesta sexta (9)




Atos em solidariedade à luta do povo Guarani-Kaiowá estão sendo organizados em pelo menos 19 capitais do Brasil nesta sexta-feira (9). Os protestos, que tem o caráter nacional, exigem medidas imediatas contra a violência desfechada sobre os indígenas em decorrência da ganância dos fazendeiros do agronegócio. Tudo com a conivência do governo federal e governos estaduais.
Em São Paulo, a concentração do ato será às 13h no vão do Masp, na Avenida Paulista. Os manifestantes irão marchar até o TRF 3ª Região e o destino final será na sede da UNICA, na Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.179.
A CSP-Conlutas aprovou uma resolução de apoio à luta dos Guarani-Kaiowá em sua Coordenação Nacional, realizada no final de outubro. A reunião contou com uma representação desta comunidade, o índio Ladio Veron, que veio buscar a solidariedade dos trabalhadores organizados na Central e denunciou a situação desumana que seu povo está vivendo.
Outra iniciativa promovida pela Central foi o encaminhamento de uma carta ao governo exigindo a demarcação imediata das terras indígenas reivindicadas pelos Guaranis-Kaiowás.
O caso ganhou visibilidade, principalmente nas redes sociais, após a divulgação de uma carta na qual os indígenas denunciam o que estava acontecendo com seu povo, e relatam que resistirão até a morte para defender suas terras.
A pressão popular em todo país fez com que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS), cassasse a liminar (decisão provisória) de um juiz federal de Naviraí (MS) que determinava a desocupação pelos índios de área na Fazenda Cambará, em Iguatemi, a 466 km de Campo Grande.
As manifestações de apoio devem continuar até que sejam definitivamente demarcadas as terras indígenas e garantida a segurança desses índios que vivem sob ameaça de pistoleiros contratados por fazendeiros.
Os atos estão sendo convocados pelo Comitê Internacional de Solidariedade ao Povo Guarani-Kaiowá.
No facebook oficial do evento constam as regiões onde ocorrerão os atos. Veja a relação completa aqui.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Funai vai a acampamento após ordem da Justiça e recebe demandas dos manifestantes

 Publicado em 10 de outubro de 2012


Nesta quarta, 10, a coordenadora regional da Funai em Altamira, Estella Libardi de Souza, foi à ensecadeira de Pimental, acompanhada por um representante da Norte Energia e dois membros da Policia Federal, para uma primeira conversa com os manifestantes que, desde segunda, paralisaram as obras de Belo Monte neste trecho. A ocupação é um protesto contra o barramento do Xingu e o não cumprimento de acordos e condicionantes.
A ida da coordenadora ao acampamento seguiu a recomendação do Juiz Federal Marcelo Honorato, que, no início do dia, negou o pedido de despejo da Norte Energia e do Consórcio Construtor Belo Monte e notificou a Funai “para realizar o trabalho de intervenção pacífica no conflito possessório, durante as próximas 48 horas, com a presença de um procurador federal  e especialistas indígenas, devendo apresentar Relatório Circunstanciado a cada 24 horas de trabalho, descrevendo, compulsoriamente, as soluções tentadas, os insucessos e seus motivos, bem como se obteve êxito na retirada pacífica dos indígenas”.
De acordo com os manifestantes – que já chegam a 200 pessoas – o sucesso das negociações dependerá inteiramente do atendimento das reivindicações apresentadas durante a reunião, que foram lidas e entregues por indígenas e pescadores, e assinadas pela representante da Funai.
Segundo participantes, houve tensão no inicio da reunião quando os manifestantes acusaram a Norte Energia de coerção por ter cortado a água potável e a energia da ensecadeira, deixando-os em situação de extrema vulnerabilidade. Também a fala de um dos representantes da Policia federal, de que não haveria negociação em área ocupada mas apenas em Altamira, gerou protestos entre os indígenas, que reafirmaram que quaisquer conversas deverão ocorrer no acampamento.

ReivindicaçãoTanto indígenas quanto ribeirinhos, pescadores e agricultores haviam preparado  suas respectivas pautas de reivindicação, apresentadas à coordenadora da Funai esta tarde. Entre as demandas dos indígenas, destacam-se: demarcação das terras indígenas de acordo com o previsto nas condicionantes do licenciamento de Belo Monte; desintrusão da TI Cachoeira Seca; Monitoramento territorial; Infraestrutura e saneamento básico para as comunidades indígenas; construção de escolas com ensino diferenciado nas comunidades indígenas; postos de vigilância para as comunidades; pistas de pouso nas comunidades; farmácias nas comunidades; estruturação das associações das comunidades indígenas conforme requerido no oficio 7 de 10 de 2012; julgamento de todas as Ações Civis Públicas do MPF; julgamento da ação sobre oitiva indígena pelo STF; regulamentação da questão das consulta indígena e realização da mesma em todas as comunidades indígenas afetadas direta e indiretamente por Belo Monte; cumprimento de todos os acordos já firmados com todas as aldeias; e cumprimento das demais condicionantes indígenas não presentes na carta.
Já pescadores, ribeirinhos e agricultores apresentaram demandas em conjunto, entre as quais: o  direito de pescar e andar livremente no rio; inclusão das ilhas e da margem do rio Xingu como área de subsistência e territórios dos povos tradicionais; um fundo emergencial para as famílias que dependem do rio Xingu no valor de 3 mil reais/mês, com reajuste, do início das obras até seu termino; remanejamento das famílias que moram nos bairros atingidos na cidade, respeitando a  lei habitacional; trocar as embarcações de ribeirinhos e pescadores por outras mais potentes, que resistam a transposição; participação em 10% do lucro da energia produzida no rio Xingu; e presença do presidente do Ibama para negociação com o setor.
Segundo representantes dos manifestantes, a coordenadora da Funai teria afirmado que entende que a situação é delicada e as demandas legitimas, mas que a ocupação do canteiro seria uma “medida de força, drástica”. No entanto, não houve nenhuma intimação formal para que os acampados deixassem a ensecadeira, nem encaminhamentos concretos sobre a continuidade das negociações.

Presença policial e discriminação
Apesar de não ter deferido o pedido de despejo da Norte Energia contra os manifestantes, o juiz Marcelo Honorato, que considerou a ocupação um esbulho possessório,  determinou que a Polícia Federal  “coordene o trabalho de segurança das instalações adjacentes (…) de forma a estabelecer uma contenção do esbulho, com devido apoio do Comando da Policia Militar (…)”, além de ordenar que “as forças policiais procurem identificar eventuais não-índios participantes do esbulho” (clique aqui para ver o documento na íntegra).
Para prevenir ataques e tentativas de criminalização, os manifestantes também produziram uma declaração conjunta, lida durante a reunião desta tarde:

Declaração dos povos acampados na ensecadeira Pimental
Nós, das comunidades tradicionais atingidas pela UHE de Belo Monte, entre eles: indígenas da rota Iriri/Xingu, indígenas citadinos, indígenas ribeirinhos não aldeados, pescadores, agricultores, ribeirinhos, garimpeiros, pilotos de voadeira, e extrativistas declaramos que:
1. Por conta das violações repetidas de direitos dos povos supracitados, no dia 8 .10.2012 a ensecadeira de pimental foi ocupada e as obras paralisadas.tal ação foi seguida de 24 dias de um acampamento de resistência próximo à obra
2. A manifestação é pacifica e tem por objetivo a busca pelo respeito aos direitos dos povos impactados direta e indiretamente pela hidrelétrica de Belo Monte, e o cumprimento das condicionantes, ações emergenciais e acordos já firmados
3. Em nenhum momento houve de nossa parte nenhum ato de agressão e/ou depredação do patrimônio da empresa, como declarou a Norte Energia. Ao contrário, a empresa é quem está violentando o rio Xingu e os nossos direitos através da construção desta usina já declarada ilegal pelos desembargadores da 5a turma do TRF1, além de estar fazendo ameaças via telefone e coação através do corte de água potável e eletricidade
4. Nenhum manifestante irá se retirar da ensecadeira de Pimental até que todas as demandas dos diferentes segmentos seja de fato cumpridas e/ou iniciadas
5. Qualquer situação e/ou conseqüência violenta que possa vir a ocorrer será de responsabilidade inteira do governo federal e da Justiça brasileira, que têm continuamente violado e ignorado as violações sofridas pelas populações tradicionais do Xingu, atingidas direta e indiretamente pela hidrelétrica de Belo Monte.

Por ser verdade, assinam:
Indígenas da rota Iriri/Xingu
Indígenas citadinos
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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Manifestantes protestam contra decisão pró-Belo Monte durante sessão do Mensalão

Publicado em 29 de agosto de 2012

Por volta das 17 h desta quarta-feira (29), quatro integrantes do grupo #OcupaSampa realizaram uma manifestação na plenária do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, para protestar contra a derrubada da decisão judicial que paralisou a hidrelétrica de Belo Monte.

Durante a sessão de julgamento do Mensalão, os ministros do STF foram surpreendidos pelos manifestantes, que levantaram cartazes com mensagem de repúdio ao deferimento do recurso da AGU, favorável a Belo Monte.

Na segunda-feira (27), o presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto, deferiu uma liminar em favor da Advocacia Geral da União, derrubando a decisão unânime do Tribunal Regional Federal da 1a Região pela paralisação das obras da usina. De acordo com o TRF1, houve descumprimento da obrigação de consulta prévia das comunidades indígenas ameaçadas por Belo Monte.

No final da semana passada, depois de uma intensa campanha de internautas, intelectuais, jornalistas e juristas, o presidente do STF abriu prazo para que o Procurador Geral da República encaminhasse uma réplica ao recurso da AGU. O documento, no entanto, não foi considerado na decisão de Britto, que não avaliou a legalidade da obra, apenas aceitou o argumento da AGU de que houve atropelos no processo jurídico de contestação.

Para os ativistas, o procedimento no STF permitiu que a ilegalidade que marcou o processo de licenciamento (violando a Constituição e a Convenção 169 da OIT – Organização Internacional do Trabalho, que garantem as consultas aos indígenas), persistisse. Agora, eles exigem que a Casa vote o mérito o mais rápido possível, para que as violações dos direitos humanos das populações do Xingu não sejam perpetuadas.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Cúpula dos Povos promete grande manifestação na Zona Oeste

Encontro acontece na Vila do Autódromo, nesta quarta (20), a partir das 8h. Grupo protesta a favor da comunidade ameaçada por obras na região.


Do G1 RJ


Os movimentos populares participantes da Cúpula dos Povos, maior evento paralelo à Rio+20, prometem realizar nesta quarta-feira (20) uma grande manifestação na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da Cúpula estar localizada no Aterro do Flamengo, Zona Sul da cidade, o encontro será na Vila do Autódromo, às 8h. Vários ônibus sairão dos alojamentos a partir das 6h20.
A manifestação do Dia das Grandes Marchas dos Povos e dos Movimentos Sociais irá até o Riocentro. Os participantes irão protestar a favor da comunidade ameaçada pelas obras dos Jogos Olímpicos.
Ainda pela manhã, às 11h, acontece mais um evento da Cúpula dos Povos. O Complexo do Alemão recebe o Projeto Verdejar, que é a qualificação de jovens para a construção de cisternas de 16 mil litros de água.
No período da tarde, às 15h, o Centro do Teatro Oprimido vai fazer uma passeata mostrando o momento político e estético através da teatralização. A manifestação, que reunirá vários movimentos sociais, começa na Candelária e vai até a Cinelândia, no Centro do Rio.
Entre as atividades da Cúpula que acontecem no Aterro do Flamengo, estão previstas: Gaia Education – Ecovillages and Transition Towns, um laboratório sobre Práticas Sustentáveis, que acontece na Tenda Maria Bonita (G), das 18h às 20h30 e ainda o workshop “Right to Water”, Territórios do Futuro / Direito à Água, organizado pelo Institute for Agriculture and Trade Policy, que será na Tenda Olga Benário, das 11h30 às 13h30.


Cúpula dos Povos
A Cúpula dos Povos é um evento paralelo à Rio+20, onde organizações da sociedade civil discutem temas relacionados à Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável. A organização espera reunir 18 mil pessoas.




Programação
O público esperado para essa edição do evento é quase o dobro do que compareceu à Cúpula dos Povos em 1992, durante a Rio-92. O encontro quer que os temas discutidos na Rio+20 não fiquem só no papel, mas se transformem em práticas sociais. Para saber toda a programação do evento, com os horários das atividades, acesse o link aqui.
A ideia dos organizadores é ir além dos temas que serão debatidos no Riocentro, onde acontece a conferência oficial com representantes de 193 países, e realizar debates de forma independente, e com a possibilidade de assumir tons mais críticos ao que está sendo decidido pelos governos.
Um mês antes do início da conferência, representantes da Cúpula dos Povos apresentaram um documento mostrando que o debate principal do grupo vai girar em torno da rejeição à mercantilização da natureza e ao que chamam de "economia verde".
Entre os temas a serem debatidos estão não apenas o próprio desenvolvimento sustentável, mas também o conceito de economia verde, assuntos relativos a florestas, oceanos, a crise econômica global e seus reflexos sobre o G-20, e os conflitos socioambientais nos Estados Unidos e na Europa.
A Cúpula dos Povos vai ter debates até o sábado (23), depois do encerramento da conferência oficial.

Protestos fecham Parque dos Atletas nesta quarta-feira


Somente expositores credenciados terão acesso exclusivo ao local. Manifestações vão ocorrer na região da Barra da Tijuca e Centro.


Do G1 RJ


O Parque dos Atletas, ao lado Riocentro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, será fechado durante a parte da manhã nesta quarta-feira (20), devido a três manifestações que estão previstas para ocorrer perto do local. O parque é onde os chefes de Estado vão se reunir para a Cúpula da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - Rio+20. As informações foram divulgadas pelo Centro de Operações da prefeitura da cidade, na noite desta terça-feira (19).
De acordo com o Centro de Operações, somente expositores credenciados terão acesso exclusivo ao local. Os protestos serão da Cúpula dos Povos e vão ocorrer na região da Barra da Tijuca e do Centro da cidade.
A primeira manifestação está prevista para ocorrer às 9h na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, e as outras duas têm previsão para a parte da tarde, na Avenida Presidente Vargas, na altura da Avenida Rio Branco, no Centro.
Ainda de acordo com o Centro de Operações, caso os protestos ocorram, operadores da Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro (CET-Rio) ficarão posicionados nos principais cruzamentos das vias e também utilizarão painéis de mensagens variáveis por meio de 35 câmeras posicionadas ao longo do percurso.
 Avenidas Salvador Allende e Embaixador Abelardo Bueno
Uma manifestação da Cúpula dos Povos também programada para acontecer na manhã desta quarta-feira (20), antecipou para as 7h o fechamento das avenidas Salvador Allende e Embaixador Abelardo Bueno, ambas na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade.
As vias, que seriam interditadas às 17h, tiveram o horário antecipado devido a um pedido do Comando Militar do Leste (CML) que visa garantir a segurança dos chefes de Estado que vão chegar à cidade no dia do protesto.
A Avenida Salvador Allende será interditada em ambos os sentidos, no trecho entre o primeiro retorno após a Avenida das Américas até a Estrada dos Bandeirantes. Já na Embaixador Abelardo Bueno, a interdição também ocorre nos dois sentidos, entre a Salvador Allende e a Estrada Coronel Pedro Correa. O acesso será exclusivo somente para carros credenciados e moradores da região.
O horário de reabertura de ambas as avenidas está previsto para as 22h.