sábado, 17 de outubro de 2009

O ANO DELE: @realwbonner

Matheus Lara

Em 2009, a Rede Globo comemora os 40 anos do maior e mais influente telejornal do Brasil, o Jornal Nacional. Quem comemora junto, não sem motivos, é o atual editor-chefe do noticiário: William Bonemer Júnior, ou simplesmente William Bonner. Formado em Comunicação Social pela Escola de Comunicação e Artes da USP, Bonner tornou-se um ícone do jornalismo brasileiro. Fato tal pode ser comprovado nas ruas, onde seu nome sempre é citado em se tratando de jornalismo.

Não (só) pela característica mancha branca no topete (que foi, segundo o próprio jornalista, crescendo em mesma proporção em que crescia sua admiração à Rede Globo em seus dez anos como editor-chefe do JN), mas também, é claro, pela sua enorme competência e seriedade ao assumir o compromisso de mostrar à população o que de mais importante e relevante aconteceu naquele dia no Brasil e no mundo, William Bonner tornou-se uma referência entre aqueles que discutem jornalismo. Seu carisma, aliado a um senso de humor único, fizeram dele uma figura de caráter fraternal para a população brasileira. Essa influência é ainda maior na “web população”.

Tal aproximação com o público pode ser comprovada no twitter do apresentador. O serviço de microblogging criado para troca de mensagens curtas em tempo real vem aproximando cada vez mais os fãs de seus ídolos. Com Bonner não foi diferente. O twitter do jornalista já passa dos 120.000 seguidores e a tendência é que cresça ainda mais. A maneira engraçada, coloquial e convidativa como se expressa no site parece ter conquistado o público. Por mensagens em tempo real, via Echofon, o apresentador relata fatos corriqueiros, comenta notícias, faz piadas e responde dúvidas aos seus seguidores, donde quer que eles venham, onde quer que ele esteja. Isso tudo além de, acredite, pedir dicas de moda ao seu público!

O “bum” de seguidores e visitas ao twitter do jornalista começou quando Antonio Tabet publicou em seu blog humorístico “Kibe Loco” (o mais visitado no país) uma situação que serviu de empurrão para a explosão de seguidores do ex-radialista. Em determinado tweet, Bonner havia escrito o verbo conjugado “ia” com acento agudo no i. Nessa ocasião, a ex-BBB Milena Fagundes rapidamente corrigiu o apresentador. Não o erro em si, mas sim, a forma como reagiu William Bonner, fez com que o fato tivesse repercussão nacional. Em resposta à Milena, Bonner brincou com as palavras e num estilo “Seu Creysson”, personagem de Hubert no Casseta & Planeta Urgente, o apresentador brincou: “Seu dotô, num cei ukideu nimim. Iscrivinhei ia com assentchu. É gráviu?”, arrancando risos de boa parte dos internautas de plantão.

Outro fato curioso aconteceu na quinta feira (15), Bonner postou “Estou aqui matutando sobre vocês. E me ocorreu um jeito rápido e prático de saber de onde são as pessoas que me seguem e que [estão] online agora.” E logo em seguida: “Interativa geográfica: Diga, por favor, somente o nome da cidade e do estado, se estiver no Brasil, e cidade e País, se estiver fora. Agora!” Choveram respostas. Internautas da Colômbia, do Canadá, do Paraguai, do México e claro, brasileiros em geral, mandavam mensagens ao jornalista.

Preocupado ou não com sua intimidade, fato é que William Bonner quebra, em grande estilo, um tabu criado aos membros da mídia. O distanciamento sempre causou certo receio entre os anônimos. Não se era possível saber como agiam os artistas e jornalistas fora do ambiente de trabalho. Com o twitter, a interação “público-mídia” ficou maior e mais consistente. Tweets como “Rápido. Camisa rosa. Paletó marinho. Sugestão de gravata”, “Aí! Na boa: (...) Eu trabalho cedo, tem criança querendo dormir, valeu? (...) Fui.” e “Vocês são show.” transparecem a intimidade e a confiança que um dos maiores jornalistas do Brasil deposita em seus inúmeros fãs. E, em 2009 em especial, essa integração é ainda maior.

Em comemoração aos 40 anos do Jornal Nacional, William Bonner lançou o livro “Jornal Nacional: Modo de Fazer” onde conta com detalhes o processo de bastidores do maior telejornal do país. Faz isso com uma linguagem clara e objetiva, fazendo com que o leitor sinta-se de fato dentro de cada setor de produção. Como se não bastasse, o autor ainda promove palestras e debates sobre o livro, comentando-o e tirando dúvidas, o que mostra que o compromisso social assinado em 1984, pelo então radialista William Bonner, continua valendo e crescendo. Assim como sua competência e sua mecha branca.


Curitiba, 16 de outubro de 2009
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