quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Como iniciativas de engajamento cívico melhoram a relação dos curitibanos com sua cidade
Esse é o Goura Nataraj com sua filha Sofia em uma bicicletada de Curitiba. Quando não está no colo do pai, a pequena é presa por esse mesmo lenço nas costas da mãe, para que eles tenham as mãos livres ao pedalar. Goura sempre usou a bicicleta como meio de transporte. Na adolescência, foi guitarrista de uma banda de punk rock, o que o levou a estudar o movimento dos Provos – uma turma de ativistas anarquistas da Holanda dos anos 60. A palavra Provos vem de provokatie, que, em holandês, significa provocar. E era esse o objetivo desses garotos entediados com a sociedade monarquista em que viviam. A identificação de Goura com os Provos foi imediata. Ele também sentia que precisava provocar a sociedade curitibana. “Todo mundo era muito conformado com as políticas públicas da cidade que sempre priorizavam os carros e só faziam o trânsito aumentar”.
Goura cresceu, largou a banda de punk e se tornou professor de ioga. Mas a vontade de provocar continuou e ele colocou em prática, em Curitba, duas ações inspiradas pelo grupo anarquista holandês: o plano das bicicletas brancas e os happenings. Bikes livres O plano das bicicletas brancas foi propostos pelos Provos à prefeitura de Amsterdam na década de 60. A ideia era que o poder público comprasse bicicletas, as pintasse de branco e as espalhasse por pontos estratégicos da cidade, para que elas fossem livremente utilizadas por aqui precisasse. A prefeitura não topou e eles compraram, por conta própria, 50 bicicletas. Mas as magrelas acabaram sendo depredadas ou roubadas e o movimento minguou.
Por esse motivo, a versão curitibana funciona de forma um pouco diferente – menos livre, mas mais segura. As 9 bicicletas brancas – que foram doadas – estão espalhadas em 5 pontos que tenham algum tipo de controle, como lojas de bicicletas e galerias de arte. Para usar uma delas, é preciso mandar um e-mail para oplanodasbicicletasbrancas@gmail.com solicitando. Na sequência um e-mail de resposta indica onde retirá-la e o dono do estabelecimento fica avisado. A bicicleta pode ser usada por até sete dias, depois deve ser devolvida em algum dos pontos de apoio da cidade. Por enquanto o sistema vem funcionando bem e estão todas inteiras. Melhor: três das pessoas que experimentaram compraram sua própria bicicleta para começar a utilizá-la como meio de transporte na cidade.

Conheça a sua cidade pedalando com segurança!

Marina Franco
Superinteresante

Andar de bicicleta é fácil. E há várias vantagens de usá-la como principal meio para se locomover na cidade: não ficar parado no trânsito, economizar dinheiro, não emitir gases do efeito estufa, praticar exercício físico, conhecer melhor a cidade… Mas saber pedalar, apenas, não significa saber pedalar na cidade. É preciso uma dose extra de segurança, porque – infelizmente – os centros urbanos brasileiros não valorizam pedestres e ciclistas.


Com o objetivo de inspirar cidades brasileiras a reverter essa situação, a jornalista Natália Garcia – que tem a bicicleta como seu meio de transporte – criou o projeto Cidades para Pessoas*. Ela percorre o mundo reportando boas ideias de planejamento urbano que valorizam a convivência entre pessoas.


Natália já passou por Copenhague, Amsterdam, Londres e Paris, de onde publica em seu blog no Planeta Sustentável iniciativas bacanas que tornam a cidade mais receptiva para as pessoas, como sistemas de aluguel e compartilhamento de bikes; treinamento com motoristas de ônibus – para que respeitem os ciclistas -; piscinas e churrasqueiras públicas, sem falar em mapas instalados nas ruas – uma ajuda básica, não?


Para os ciclistas de primeira viagem é importante que aprendam a ser ágeis e a pedalar sem medo no trânsito. Em várias cidades do Brasil, ocorre que ciclistas experientes estão ajudando os sem experiência a se virar no meio urbano. Trata-se do projeto Bike Anjo*. São cerca de 250 voluntários que dão assistência sobre o básico da pedalada e os melhores trajetos. Foi por causa da ajuda de uma amiga Bike Anjo que a própria Natália, do Cidades para Pessoas, começou a pedalar e descobrir detalhes do bairro em que morava.


Agora a prática deve ser formalizada e expandida num site que facilitará a comunicação entre os Bike Anjos e os ciclistas iniciantes. A nova plataforma também permitirá crescimento para outras áreas como cursos, oficinas e campanhas de educação. Os Bike Anjos esperam conseguir isso através do financiamento coletivo. Faltam quatro dias para atingir a meta publicada no Catarse. Ajuda lá!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

'Deram um reset na série', diz Anna Torv sobre a 4ª temporada de 'Fringe'

Warner Channel exibe o retorno do seriado nesta terça-feira (25).


G1


Desde o fim de “Lost”, críticos de TV dos EUA elegem de seis em seis meses uma nova série com potencial para substituir o programa, que misturava dramas pessoais com ficção científica como poucos. As apostas desde então deram errados e quem acabou levando o título de “show nerd da vez”, com todos os méritos foi “Fringe”, que era conhecida por muitos até o primeiro semestre do ano passado apenas como “a outra série de J.J. Abrams”.
Coincidência ou não, 2010 foi o melhor ano do seriado. Sua audiência e prestígio cresceram ao longo da 3ª temporada, sci-fi até dizer chega. Para explorar ainda mais a existência de um universo paralelo, o principal mote do programa, os roteiristas criaram episódios que eram alternados nos dois mundos: se o dessa semana acontecia no “real”, o da próxima era no “paralelo”, por exemplo.
Já o capítulo final integrou os dois mundos em um só e a necessidade deles coexistirem juntos é o maior apelo da 4ª temporada. Ela estreou nos EUA em setembro e chega nesta terça-feira (25) ao Brasil – às 22h, no canal pago Warner Channel. Para falar sobre o novo ano, o G1 conversou em Londres com a protagonista Anna Torv, a agente Olivia.
Mas não espere por grandes revelações, pois entender a série quando se trabalha nela parece ser tão complicado como para quem só a observa do lado de fora.

G1 - A 2ª temporada de “Fringe” foi complicada e, para não ser cancelado, o show mudou para a noite das sextas-feiras, horário ingrato da TV americana. Mas a mudança deu certo, por quê?
Anna Torv - Mudar para sexta foi ótimo e parte de mim diz que isso tirou um pouco a pressão que sentíamos. Foi bom porque mantivemos apenas quem eram fã fiel mesmo. Na segunda temporada soubemos de última hora que teríamos de novo um novo ano pela frente e essa dúvida fez a gente trabalhar bem nervoso. Dessa vez a renovação veio com certa antecedência e foi muito melhor para todos.
Temos uma audiência leal e ativa. É o meu primeiro show nos EUA e ele veio numa época em que tudo é multimídia, a resposta do público é imediata. Tive um encontro com os criadores na semana passada e eles são muito conectados com o que os fãs falam. Eles pegam idéias e opiniões, é como se fosse uma produção coletiva. Isso não é possível em “Mad men”, por exemplo.

G1 - J.J. Abrams sempre imagina que suas séries durem entre cinco e seis anos. “Fringe” chega até lá?
A.T. - Chegarmos até a 5ª temporada renderia um grande final. Cinco temporadas são suficientes. Quando pula para sete ou oito, a história dilui um bocado. Você sempre quer terminar no ápice.

G1 - Você chega a assistir ao seriado na TV?
A.T. - Eu costumo ver, mas sinto que preciso de um intervalo entre gravar e assistir, senão fico confusa (risos). Às vezes me pego quietinha lendo o roteiro para tentar sacar mesmo o que é tudo. As coisas mudam muito na TV, às vezes a gente filma em três partes um episódio e a vibração é totalmente diferente no set. E quando tudo é editado e vai ao ar... Sempre me choca um pouco.

G1 - O final da 3ª temporada sugere que o universo paralelo e o real irão interagir. Como isso vai acontecer?
A.T. - Não sei como será a interação, nem o que [os roteiristas] planejaram. O que imagino é que a sala do laboratório será como um espaço de ligação e vai haver muito mais interação.

G1 - O final também sugere que o personagem Peter (Joshua Jackson) nunca existiu. Pode adiantar algo?
A.T. - Não sei, juro! (risos) Nunca imaginei que o personagem de Peter não fosse existir de fato. Eu tinha uma teoria sobre a série e resolvi abandoná-la após o fim da 3ª temporada. O que eu espero é que Os Observadores brinquem mais com a gente, pois os personagens são muito interessantes e não faço ideia do que eles sejam. Mas não sei o que virá, as coisas são jogadas no ar. Recebemos o roteiro do episódio apenas dois dias antes de gravarmos.

G1 - Se o Peter nunca existiu, isso muda a maneira como você criou a Olvia, tanto a do universo real quanto a do paralelo, não?
A.T. - Deram um reset na série. Tipo, quem é a Olivia agora, para onde ela vai? Gostaria de lhe dar dicas, mas adianto que essa será a obsessão dela.

G1 - Para um ator deve ser divertido poder interpretar duas pessoas ao mesmo tempo, não?
A.T. - A Olivia do mundo real quer ser a melhor em tudo, enquanto a Olivia do mundo paralelo quer apenas vencer. É tão empolgante fazer duas personagens, eu praticamente implorei por um doppelgänger nas primeiras duas temporadas, de tão cansada que estava de ficar vestindo aquele terninho. (risos)

G1 - “Fringe” é o seu primeiro trabalho na TV americana. O que mudou em sua vida nos últimos quatro anos?
A.T. - Conheci meu marido [o ator Mark Valley] e agora nos divorciamos (risos). Mudou muito, nem sei por onde começar... Estamos indo para o 4º ano e nunca fiquei tanto tempo em um trabalho. O que mais mudou é que gosto de me aprofundar mais no trabalho. Antes eu não gostava de me adaptar a algo que não me agradava e “Fringe” exige um trabalho tão pesado que ser uma pessoa e uma profissional desse jeito me orgulham muito. E ser assim é um prazer.

G1 - As pessoas devem lhe perguntar muito isso, mas você crê em universo paralelo? Como ele seria, caso existisse?
A.T. - Nunca tenho uma resposta para essa pergunta... Não faço ideia! Não penso muito sobre isso, essa é uma ótima dica para quem quiser trabalhar nesse show.

Excesso de otimismo pode ser resultado de falha na atividade cerebral

Ana Carolina Prado
Superinteressante


Ser otimista é bom: reduz o estresse e a ansiedade, é bom para a saúde e, é claro, torna a vida mais feliz e os problemas, mais suportáveis. Nem sempre é fácil. Mesmo assim, muitos fazem a Pollyanna e continuam vendo o copo meio cheio, não importa quantas evidências existam de que a coisa não está tão boa. Isso deixa os cientistas intrigados há muito tempo. Por que o otimismo é algo tão difundido, se somos o tempo todo confrontados com fatos e informações que desafiam a crença de que tudo vai dar certo no final?
Um novo estudo da University College London (UCL) e da Berlin School of Mind and Brain descobriu que a incapacidade de alterar previsões otimistas mesmo quando recebemos informações conflitantes se deve a erros na forma como processamos as informações em nosso cérebro – mais precisamente, uma falha na atividade dos lobos frontais.
Para o estudo, os pesquisadores pediram a 19 voluntários que dissessem qual a probabilidade de alguns eventos negativos ocorrerem com eles no futuro, como doenças ou o roubo de um carro. Enquanto isso, tiveram sua atividade cerebral monitorada por meio de um scanner de ressonância magnética funcional (fMRI). Depois de uma pausa, eles foram informados da probabilidade média de esses eventos ocorrerem – e tiveram que fazer suas estimativas novamente, bem como preencher um questionário que media o seu nível de otimismo.
As pessoas, de fato, mudaram as suas estimativas com base nas informações dadas, mas somente nos casos em que os dados foram mais positivos do que elas esperavam. Por exemplo, se haviam previsto que a sua probabilidade de ter câncer era de 40%, mas a probabilidade média foi de 30%, eles ajustaram a sua estimativa para 32%. Quando a informação era pior que o esperado, eles a ignoravam.
Os resultados das tomografias do cérebro sugerem o porquê disso: todos os participantes mostraram um aumento da atividade nos lobos frontais do cérebro quando a informação dada era melhor do que o esperado. Nesse caso, a região se ativou para processar as informações e recalcular uma estimativa. No entanto, quando a informação era pior do que eles haviam estimado, os mais otimistas mostraram uma atividade menor, sugerindo que estavam ignorando as evidências apresentadas.

Os problemas do otimismo
Para Tali Sharot, um dos principais autores do estudo, os resultados sugerem que nós escolhemos as informações que iremos ouvir. E, quanto mais otimista formos, menor nossa propensão de sermos influenciados por informações negativas sobre o futuro. “Isso pode ter benefícios para a nossa saúde mental, mas existem desvantagens bem óbvias. Muitos especialistas acreditam que a crise financeira em 2008 foi provocada por analistas que superestimaram o desempenho de seus ativos, mesmo em face de evidências claras do contrário”, disse ao MedicalXpress. Segundo ele, a crença cega de que tudo vai terminar bem faz com que as pessoas acabem não tomando medidas de precaução, como praticar sexo seguro ou fazer uma poupança para a aposentadoria. Mesmo no otimismo, é preciso ter equilíbrio.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

6ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

Lydia Cintra
Superinteressante

A Mostra é a maior do gênero no mundo e pela primeira vez estará em todas as capitais brasileiras em períodos variados até 1 de dezembro. O lançamento aconteceu nesta segunda, no CineSESC, em São Paulo, com apresentação do curta-metragem Dama do Peixoto e do documentário brasileiro Quem se Importa, sobre o trabalho de empreendedores sociais ao redor do mundo.


Por meio do cinema, a Mostra possibilita momentos de reflexão e discussão para um tema abrangente, que se divide em abordagens como o Direito de Criação e Adolescentes, Direito à Terra, Cidadania LGBT , Saúde Mental e Combate à Tortura, Pessoas com Deficiência e Direito à Memória e à Verdade. “É um trabalho de formação de público muito importante. É um cardápio expressivo do ponto de vista cinematográfico e importantíssimo do ponto de vista dos Direitos Humanos”, comentou Francisco César Filho, curador da Mostra.
Há filmes da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. A programação tem filmes legendados para deficientes auditivos e com autodescrição para deficientes visuais e as salas onde são realizadas as sessões têm acessibilidade garantida.
Agende-se!
Quem está em São Paulo tem programação disponível no CineSESC e Cinemateca Brasileira até o próximo domingo. As datas e horários das outras capitais podem ser acessadas pelo site da Mostra. Todas as sessões são gratuitas.


TAGS: mostra cinema e direitos humanos na américa do sul

Último filme de River Phoenix, morto há 18 anos, será lançado em 2012

Ator americano morreu de overdose em 1993, aos 23 anos.
Diretor deve usar gravações da voz do irmão de River para terminar obra.

G1




O último filme de River Phoenix finalmente chegará aos cinemas em 2012, quase duas décadas após sua morte. É o que diz o diretor holandês George Sluizer, que decidiu desenterrar seu velho projeto inacabado.
Phoenix tinha 23 anos quando morreu, em 1993, vítima de uma overdose de heroína e cocaína. A repentina morte da promissora estrela de Hollywood representou a ruína de "Dark Blood", que estava sendo rodado por Sluizer e acabou sendo encostado.
Sluizer, que hoje tem 79 anos e já dirigiu filmes como "O Silêncio do Lago" (1993), assegurou que reeditou a gravação e considera que pode terminar satisfatoriamente o filme com a ajuda de a voz em 'off' do também ator e irmão do finado protagonista, Joaquin Phoenix.
"As vozes dos dois irmãos se parecem muito", disse Sluizer, que manteve contato com a família Phoenix durante estes anos.
"Dark Blood" é um drama sobre um homem que passa a viver como um ermitão no deserto, em uma área de testes nucleares, à espera do apocalipse. Sua tranquilidade é alterada quando inicia uma relação com uma mulher que chega a sua casa junto a seu companheiro, procurando um refúgio.
Antes de sua morte, River Phoenix participou de filmes como "Conta Comigo", "A Costa do Mosquito" e "Quebra de Sigilo".

UFOPA debate perspectivas de emancipação do estado do Tapajós

A Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) realiza nos dias 26 e 27 de outubro de 2011, em Santarém (PA), o Seminário “Perspectivas de Emancipação do Estado do Tapajós”. Aberto ao público e à comunidade acadêmica, o evento acontecerá no Auditório do Centro de Formação Interdisciplinar, situado na entrada do Campus Tapajós, no bairro do Salé.
Organizado pelo GT-Tapajós, formado por professores da UFOPA, o evento visa a promover um amplo debate com a população da região sobre a divisão do território do Pará para a criação de novas unidades federativas, como o estado do Tapajós, na região Oeste do Pará, área de atuação da UFOPA.
Durante o evento serão discutidos temas relacionados à geopolítica e desenvolvimento regional do Oeste do Pará; economia regional e os cenários de desenvolvimento para um novo estado; gestão de recursos e ordenamento territorial; a divisão do Pará como estratégia para o desenvolvimento da Amazônia; entre outros.
O evento contará com a participação de pesquisadores de diversas áreas, como a geógrafa Bertha Becker, professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Laboratório de Gestão do Território (LAGET/UFRJ). Membro da Academia Brasileira de Ciências e Doutora Honoris Causa pela Universidade de Lyon III, Bertha Becker é referência em estudos sobre a geografia política da Amazônia e do Brasil.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

11 pessoas célebres e suas famosas últimas palavras

Livia Aguiar
Superinteressante



O leito de morte é a última chance de alguém dizer alguma coisa importante na vida. E quanto mais famoso é o morimbundo, mais altas são as chances de alguém estar lá para documentar as suas últimas palavras. Em alguns casos, o último respiro verbal até parece ter sido ensaiado. Em outros, as palavras deixam transparecer traços da personalidade de quem as disse: brava, romântica, sofredora, irônica, artística. Confira algumas frases célebres pronunciadas momentos antes da morte de personagens famosos da história.

“Você também, meu filho?”
Quem disse? Julio César, imperador romano, 44 a.C., para um de seus assassinos
Como morreu? Júlio César foi esfaqueado pelos colegas políticos, inclusive por Brutus, seu antigo protegido. A história do imperador é tão rodeada por mitos que fica difícil separar a realidade da ficção. Pode ser que ele não tenha dito nada além de um gemido de dor, mas a frase é poética e ficou famosa. A expressão imortalizada: “Até tu, Brutus” é na verdade de uma citação da peça Julius Caesar, escrita por Shakespeare por volta de 1599.
“Ainda estou vivo!”
Quem disse? Calígula, imperador romano, 41 a.C., para si mesmo
Como morreu? Foi esfaqueado por seus próprios guardas por razões políticas – dizem que a excentricidade de Calígula influenciava seus métodos de governo. Ele era um líder cruel e extravagante e seu jeito começou a incomodar quem vivia à sua volta. Gritou “TÔ VIVAUM” logo antes de, bem, não estar mais.

“Ok, ok, estou indo. Espere só um minuto.”
Quem disse? Papa Alexandre VI, 18 de agosto de 1503, para si mesmo (ou para Deus, ou para o diabo…)
Como morreu? Alexandre VI foi um dos papas mais controversos da Renascença. Há suspeitas de que ele envenenava os inimigos com arsênico. Aos 72 anos, teve uma intoxicação que resultou numa hemorragia interna fatal.


“Nada além da morte.”
Quem disse? Jane Austen, escritora britânica, 18 de julho de 1817, em resposta a sua irmã Cassandra, que lhe perguntou se ela queria alguma coisa.
Como morreu? Morreu aos 41 anos, possivelmente de uma insuficiência renal crônica.









“Aplaudam, amigos, a comédia terminou.”
Quem disse? Ludwig van Beethoven, compositor alemão clássico, 26 de março de 1827. A frase é tradicionalmente dita ao final de uma performance da commedia dell’arte (forma de teatro popular improvisado, típico da época).
Como morreu? A morte de Beethoven é cercada de hipóteses e não se sabe ao certo o que o matou, quando tinha 57 anos. Outras palavras podem ter sido as últimas do compositor: “Eu ainda ouço no Céu” (Beethoven morreu surdo) e “Eu sinto como sei não tivesse escrito mais que algumas notas musicais” (Beethoven deixou um legado de mais de 170 peças musicais). Outro biógrafo afirma que ele não disse nada, só gemeu em sua cama.

“Vá embora, últimas palavras são para bobos que nunca disseram o suficiente.”
Quem disse? Karl Marx, filósofo, economista, teórico político, 14 de março, 1883, para uma criada.
Como morreu? Marx disse a frase acima para sua empregada doméstica, que lhe pediu que dissesse suas palavras finais, para que ela as anotasse para a posterioridade. Marx morreu aos 65 anos, de bronquite e pleurisia.




“Tudo é uma ilusão.”
Quem disse? Mata Hari, dançarina exótica holandesa, agente dupla (ou não) durante a Primeira Guerra Mundial, 15 de outubro de 1917, para seus executores.
Como morreu? Foi executada na França acusada de espionagem para a Alemanha. Muitos dizem que ela também era espiã francesa. Mas ela negou tudo. Tudo é uma ilusão, enfim.





“Deem-me café, eu quero escrever!”
Quem disse? Olavo Bilac, poeta brasileiro, 20 de dezembro de 1918, para si mesmo.
Como morreu? O poeta morreu de infecção no pulmão aos 53 anos. Conta-se que acordou da febre de madrugada e disse a frase antes de falecer. Isso é que é vocação!



“Apronte minha fantasia de cisne.”
Quem disse? Anna Pavlova, bailarina russa, 23 de janeiro, 1931.
Como morreu? Morreu de pneumonia, no auge de sua carreira, aos 49 anos.







“Será que ninguém entende?”
Quem disse? James Joyce, escritor irlandês, 13 de janeiro de 1941.
Como morreu? Joyce morreu de uma cirurgia mal sucedida para curar uma úlcera perfurada. Ironicamente, Joyce é um escritor tido como difícil de entender, ainda que tenha sido um marco da literatura moderna.

“… e saio da vida, para entrar na história.”
Quem disse? Getúlio Vargas, presidente brasileiro, 24 de agosto, 1954, em sua carta de suicídio.
Como morreu? Getúlio se matou com um tiro no peito no Palácio do Catete, que na época era sede da república, no Rio de Janeiro. O motivo do suicídio teria sido a pressão dos militares e da imprensa para que ele renunciasse, por suposto envolvimento no atentado contra Carlos Lacerda, jornalista e político que fazia oposição a Vargas.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Pretendo Assinar a Petição INICIATIVA POPULAR SOBRE CRIMES DE TRÂNSITO QUE ENVOLVA A EMBRIAGUEZ AO VOLANTE

Pretendo Assinar a Petição INICIATIVA POPULAR SOBRE CRIMES DE TRÂNSITO QUE ENVOLVA A EMBRIAGUEZ AO VOLANTE

Personalidades do país gravam vídeo contra projeto do Código Florestal

Foco é ganhar a atenção do Senado e barrar pontos polêmicos na nova lei.

G1

Com o objetivo de reforçar o pedido aos senadores para que tenham cuidado ao analisar o projeto do Código Florestal, a campanha “Floresta faz a diferença”, idealizada por 152 organizações ambientais do país e entidades da sociedade civil, lançou uma série de vídeo-depoimentos com atores, jornalistas e especialistas em meio ambiente.
O vídeo foi idealizado pelo cineasta Fernando Meirelles, que pediu a pessoas como Gisele Bündchen, Wagner Moura, Rodrigo Santoro e Fernanda Torres para gravarem de forma voluntária depoimentos com declarações contra as mudanças na legislação ambiental do Brasil.
Ao todo são 25 depoimentos, cada um com aproximadamente um minuto, que vai reforçar a campanha do “Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável”, coalizão de entidades contrárias às mudanças na legislação ambiental do país.



Um abaixo-assinado virtual contra a mudança do Código Florestal pode ser preenchido no site www.florestafazadiferenca.com.br. Além do site, o movimento pede a inclusão da hashtag #florestafazadiferenca no Twitter.
De autoria do senador Luiz Henrique (PMDB-SC), o projeto de lei foi aprovado no último dia 21 de setembro na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, mas o texto ainda passar por outras 3 comissões, antes de ser levado à votação em plenário. A previsão é que isto ocorra na primeira quinzena de novembro.

Cientistas também fazem apelo
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Associação Brasileira de Ciências apresentaram na última semana sugestões concretas para os senadores que analisam a proposta de alteração do Código Florestal, já aprovada pela Câmara.
As duas entidades elencaram dez pontos que preocupam ou precisam ser levados em conta pelos senadores ao votar a questão. É a segunda contribuição das instituições, que lançaram, em abril, um livro para ajudar na modernização do Código Florestal.
Pela lei atual, não se pode plantar ou ocupar áreas de várzea, encostas inclinadas e topos de morro, consideradas Áreas de Preservação Permanente (APPs). Os cientistas discordam da possibilidade, no texto do novo Código, de regularizar áreas desmatadas até 22 de julho de 2008 - que não precisariam voltar a ter cobertura vegetal.
Além disso, na proposta em análise pelos senadores, os mangues, por exemplo, perdem a proteção. Mas os cientistas defendem que essas áreas - berçários de inúmeras espécies - sejam mantidas como APP.

Alguns pontos a favor do Estado do Tapajós

Caros amigos,

Sei que muitos acham que a criação de novos estados é oportunismo político e que o bairrismo do paraense é tão forte que ninguém quer abrir mão de nada. É difícil para as pessoas que não moram na região Oeste do Pará entender a legitimidade e a necessidade da criação do Estado do Tapajós. E o pior é que existem pessoas que são contra simplesmente por serem contra, sem sequer conhecer os argumentos e a nossa realidade. Talvez se parassem um pouco pra pensar e nos dessem oportunidade para argumentar, mudassem de opinião e nos ajudassem a realizar este sonho. A cada dia novos esclarecimentos surgem para fortalecer a proposta de criação do Estado do Tapajós. Não temos dúvida que com a criação do Estado do Tapajós, o Pará só tem a ganhar e tanto o novo estado como o Pará vão experimentar um desenvolvimento jamais visto por estas bandas.

Vejamos porque votar SIM (77) para a criação do Estado do Tapajós:

1. Nossa luta é legítima – Há mais de um século foi proposta a criação de um novo Estado, que englobasse a região do Baixo Amazonas, portanto nossa luta é legítima! Diga SIM ao Estado do Tapajós! A população que reside na região do Baixo Amazonas é na sua grande maioria formada por cidadãos que nasceram aqui ou que adotaram este rincão há mais de meio século, sendo, portanto, formada por gente daqui ou que chegou aqui há muito tempo. Diga SIM ao Estado do Tapajós! Vote 77.

2. O Pará é geograficamente gigante – A falta de presença do poder público em áreas isoladas como o Oeste do Pará, trava o desenvolvimento econômico regional. Estados gigantescos como o Pará e o Amazonas são impossíveis de serem bem administrados. O EUA, sem o Alasca, tem área menor do que o Brasil e possui o dobro de números de estados. O Pará é quase do tamanho da região Nordeste é lá eles tem nove governadores para administrar nove estados. Não é a toa que o Nordeste é bem desenvolvido. A área geográfica é bem mais dividida, e isso facilita a gestão administrativa e todos os estados crescem, fortalecendo a região como um todo. Diga SIM ao Estado do Tapajós! Vote 77.

3. Projeto Estratégico importante - A criação do Novo Estado do Tapajós, na região Oeste do Pará, mais do que um projeto político, é um projeto de desenvolvimento estratégico de segurança nacional, econômico e social no Norte do Brasil. A Criação do Novo Estado do Tapajós servirá para solidificar a vigilância e a soberania sobre as nossas fronteiras, proporcionando desenvolvimento justo e mais rápido para o Norte do Brasil, gerando mais de 200 mil empregos. Diga SIM ao Estado do Tapajós! Vote 77.

4. Distância da capital - Devido à distância que separa a Região do Baixo Amazonas da capital do Pará, o futuro Novo Estado do Tapajós, na prática, já se constitui uma unidade com vida própria. A distância da capital é mais de 800 km em linha reta, bem maior do que o território de vários países da Europa ou de vários estados do Nordeste. Essa distância inviabiliza a gestão administrativa. Diga SIM ao Estado do Tapajós! Vote 77. 5. O Novo Pará ficará com a maior parte da nossa riqueza – O Produto Interno Bruto (PIB) do Pará, que é a soma total das riquezas produzidas pelo Estado, é de R$ 58,5 bilhões (Idesp/PIB 2008), e esse valor aumenta a cada ano. Com a criação dos dois novos Estados, o Novo Pará ficará com 56% dessa riqueza (R$ 32,7 bilhões). Só de recursos do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o principal imposto arrecadado pelo Estado, o Novo Pará ficará com 66% do valor atual – hoje, fica com 50%, pois os outros 16% são distribuídos entre os municípios do Tapajós e do Carajás. Diga SIM ao Estado do Tapajós! Vote 77.
6. O Novo Pará terá mais dinheiro para investimentos – Com a divisão, o Novo Pará receberá R$ 300 milhões a mais de recursos do ICMS, e esse valor será maior ano após ano. Belém ficará com a metade desse valor, cerca de R$ 150 milhões. Com esse dinheiro a mais, o Estado poderá, por exemplo, construir 12 mil casas populares do programa "Minha Casa, Minha Vida", ou asfaltar 1.150 quilômetros de rodovias estaduais, ou 600 centros de saúde em Belém e cidades do interior. Sem a região do Tapajós, que é muito grande geograficamente, sobrará dinheiro para concentração de investimentos em Belém e demais municípios do Pará. Diga SIM ao Estado do Tapajós! Vote 77.

7. A governança do Pará será mais fácil – O território do Novo Pará será menor: apenas 218,7 mil/km² (hoje é de 1,2 milhão de km²), distribuídos em apenas 78 municípios (hoje são 144). Também a população será menor: apenas 4,8 milhões de pessoas (hoje são 7,6 milhões). Isso facilitará muito o trabalho de gestão do Novo Pará pelos governantes, pois as demandas serão menores e de regiões mais próximas da Capital. Diga SIM ao Estado do Tapajós! Vote 77.
8. Mais dinheiro para melhorar a vida dos paraenses – Com território reduzido, com população menor e mais dinheiro em caixa, o governo do Novo Pará poderá investir em obras de drenagem e pavimentação de vias urbanas e rodovias, de saúde e educação, de segurança e transporte público nos bairros da Capital e demais municípios. O povo sofrido das baixadas da região metropolitana de Belém, das regiões do Marajó, do Tocantins e do Salgado poderão ser mais bem atendidos pelo governo do Estado e pelas prefeituras. Diga SIM ao Estado do Tapajós! Vote 77.

9. O serviço público de saúde de Belém vai atender melhor - Com a criação do Tapajós, novos hospitais e outras unidades de saúde lá serão construídos, novos e melhores serviços serão implantados. Hoje, milhares de pacientes do Tapajós vêm a Belém em busca de atendimento e ajudam a superlotar os PSM's da 14 e do Guamá, o Hospital de Clínicas, o Ofir Loyola e centros de saúde dos bairros da Capital. Com o Estado do Tapajós, isso deixará de existir ou será minimizado, deixando as unidades de saúde locais para os moradores de Belém e Metropolitana, das regiões do Tocantins e do Marajó, de Castanhal e de Bragança e demais municípios do Pará. O atendimento poderá ser muito melhor. Diga SIM ao Estado do Tapajós! Vote 77.

10. O plebiscito é um processo democrático Esta é a primeira vez que o povo do Pará é chamado para tomar uma decisão importante, decisão que pode mudar sua vida para melhor. Mas as elites políticas e empresariais de Belém não gostam disso. Tudo que pode ser melhor para o povo contraria a vontade dessas elites, acostumadas a mandar e decidir pelo povo, e a se dar bem com o dinheiro público. Esta é uma rara oportunidade que têm os paraenses para mudar o rumo da sua própria história e construir um futuro melhor para esta e futuras gerações. Não temos dúvida que a criação do Estado do Tapajós é bom para Belém e bom para o Novo Pará. Pena que os políticos de Belém só se interessam pelo plebiscito, como oportunidade para antecipar a visibilidade individual, visando às eleições do ano que vem, para as prefeituras e câmaras de Belém, Ananindeua, Castanhal e outros municípios. Acostumados à só pensarem em seus próprios interesses, pouco importa se vai ser bom para o povo do Novo Pará e do Estado do Tapajós. Só pensam em seus objetivos políticos e no que podem levar de vantagem pessoal na visibilidade em defesa do Não. Os políticos passam e a história fica. Pense nisto! Diga SIM ao Estado do Tapajós! Vote 77.

Mais dados:

Qual será o PIB do Novo Estado?
O PIB do futuro Estado do Tapajós é quase igual ao do Tocantins e maior do que o do Amapá, Acre e Roraima.
Como ficará a distribuição de recursos na região?
Em termo de Fundo de Participação do Estado (FPE), dos 123,25 milhões mensais (Receita Federal - 2005), o Estado do Pará ficará com R$ 107,3 milhões. O Estado do Tapajós passará a ter R$ 69,6 milhões em seus cofres públicos. A diferença virá da distribuição do orçamento da União. O Pará deixará de investir em 25 Municípios para trabalhar com mais recursos em 118. Proporcionalmente será muito melhor para o Novo Pará.

Qual o investimento para a instalação do Estado do Tapajós? De onde vêm os recursos?
Na construção das instalações para o funcionamento do Estado do Tapajós, tais como: Sede do Governo, Assembléia Legislativa, Tribunal de Justiça, Secretaria e outros prédios, devidamente aparelhado com equipamentos básicos e necessários serão investidos R$ 904,8 milhões de reais. Os recursos, a princípio, devem sair naturalmente dos cofres da União, complementados com a receita própria do Estado do Tapajós. O que é um bilhão perto da receita da união (mais de três trilhões)? Só para fazer você pensar: a reforma do estádio do Maracanã no Rio de Janeiro, para atender as exigências da FIFA para a Copa do mundo de 2014, vai custar aos cofres públicos mais de 1 bilhão de reais. O que representa este valor para a união? (R$ 904, 8 milhões – necessários para a instalação do Estado do Tapajós). Representa a oportunidade de crescimento para uma região inteira e para o Norte do país.

Como será composta a nova força política do Estado do Tapajós?
Um governador; três senadores da república; oito deputados federais; uma bancada estadual de 28 representantes dos diversos municípios. A grande diferença é que o centro de decisão estará mais próximo do povo, com grande possibilidade da maioria dos municípios terem o seu representante na Assembléia Legislativa do Estado. E quem argumenta que esse projeto é oportunismo político, esquece que os políticos passam e as instituições e a população ficam.

Que fontes de receitas serão destinadas ao suprimento dos investimentos do Estado do Tapajós?
Pelas potencialidades regionais a arrecadação estadual de ICMS, IPVA, IPVNF passariam dos atuais R$ 6,6 milhões para R$ 52,8 milhões mensais; contará com 69,6 milhões como transferências constitucionais provenientes do FPE; O Estado do Tapajós terá força política para a aprovação de grandes projetos e emendas constitucionais que virão por conta desses dispositivos legais, atraindo com isso, novas verbas ao Novo Estado.
Para a construção de infra-estrutura portuária, estradas outros investimentos, o Estado do Tapajós ainda terá como alternativa o financiamento de grandes projetos com recursos do Banco Mundial, BIRD, BNDS e outras agências financeiras. Além disso, terá autonomia para firmar acordos de cooperação internacional com diversos organismos nas áreas de meio ambiente, educação, saneamento básico, saúde e outros projetos que serão convertidos ao bem-estar da sociedade. Sem esquecer que com uma representatividade política maior, a região Norte terá mais poder de barganha, a exemplo do Nordeste, para conseguir grandes projetos para os estados Nortistas.

Sendo bom para o povo do Pará, por que não se criar o Estado do Tapajós?
No dia 11 de dezembro, diga SIM ao Estado do Tapajós, vote 77. Ficaremos gratos pela grande oportunidade que você, com seu voto consciente, vai dar ao Estados do Tapajós e ao Novo Pará experimentarem o crescimento nunca antes visto pelos estados da região e assim, consolidarem a importante posição como Estados promissores, aumentando o poder de barganha político do Norte do País. Ajude a somar esforços! Diga SIM ao Estado do Tapajós! Vote 77.
E se está convencido que nossa luta é legítima e boa para todos, ajude-nos a convencer mais e mais cidadãos a votar no SIM TAPAJÓS (VOTE - 77). Repasse este e-mail para todos os seus amigos que moram na região do Novo Pará, para que se convençam e ajudem a realizar este sonho! Não quebre esta corrente, se tem amigos que moram na região metropolitana de Belém e outros municípios do Novo Pará, envie este e-mail com a sua assinatura e determinação de ajudar a criar o ESTADO DO TAPAJÓS.

Estado do Tapajós – junte-se a nós! Vote 77.
Depois venha brindar conosco em Alter do Chão!
Forte abraço.

Vânia Pereira Maia

Preview - Game of Thrones

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Minha mais nova mania!! muito boa essa série!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

'Meus cílios sempre estarão comigo', diz ator de 'Lost' após retorno à TV
Ao G1, Nestor Carbonell brinca que piadas com seus olhos nunca acabarã. 'Ringer' também traz volta de Sarah Michelle Gellar a televisão após 8 anos.

Gustavo Miller
Do G1, em São Paulo

Os cílios continuam os mesmos, mas só os cílios. Após fazer sucesso no papel de Richard Alpert, o misterioso habitante da ilha de “Lost” que nunca envelhecia, Nestor Carbonell está de volta à TV como um agente do FBI em “Ringer”, thriller psicológico que também marca o retorno de Sarah Michelle Gellar aos seriados oito anos depois do fim de “Buffy, a caça-vampiro”.
O programa, que estreou no Brasil nesta segunda-feira (17), no canal fechado Studio Universal, é situado em Nova York e traz a atriz no papel de Bridget e Siobhan, duas irmãs gêmeas que não se veem há seis anos. A primeira é uma ex-stripper e alcoólatra, que ao presenciar um assassinato foge da máfia. Já Carbonell tem o papel de Victor Machado, o policial responsável por mantê-la segura até o julgamento.

O plano muda quando Bridget decide rever a irmã, hoje uma milionária de Manhattan e que some misteriosamente durante um passeio de barco. Após o acidente, ela decide assumir a identidade de Siobhan, que no fundo tem um passado tão misterioso quanto o dela.
“A série tem um tom de mistério com noir que me atraiu muito. ‘Ringer’ tem ótimos ganchos no final de cada episódio, os roteiristas são ótimos em manter a história interessante ao final de cada um deles”, adianta o ator em entrevista por vídeo-conferência ao G1. “Gosto da combinação híbrida de mistério com alguma coisa. ‘Lost’ era meio ficção científica, meio drama, meio crime..”, enumera.

Bem-humorado, Carbonell revela que o primeiro episódio da série foi filmado de fato em Nova York, mas o resto da temporada está sendo gravado em Los Angeles. “Temos a mesma pessoa que trabalha em ‘CSI: NY'. Ela é especialista em fazer de L.A. uma New York, ela sabe transformar cada canto de lá em cenário”, "deda" o ator, enquanto lamenta o fato de não poder rodar o programa em sua cidade natal.

“Minha família é toda de Nova York, mas a minha vida é em Los Angeles, meus filhos estudam aqui, minha esposa tem vários amigos também... Mas quando morei no Havaí foi ‘ uau’! Ali eu tive dificuldade de ir embora”, brinca, citando a localidade em que “Lost” era gravado.

O seriado que acabou no ano passado surge naturalmente na conversa e Carbonell não mostra desconforto em falar sobre ele. Richard, apesar de ter ficado no ar durante a metade do programa, foi um dos personagens mais marcantes da atração de J.J. Abrams. E também o ajudou a ser visto como um ator dramático – antes, ele era conhecido somente pelas sitcoms “Suddenly Susan” e “The tick”, programa de super-heróis de curta duração em que fazia o divertido personagem Batmanuel.
“Sinto falta de fazer comédia, mas essa é a coisa maluca desse negócio [atuação]: a maldição ou a benção de não saber o que lhe espera em cada esquina. A mudança é boa criativamente, pois nunca me sinto entediado, mas pelo lado familiar é uma pressão, pois nunca sei o que virá pela frente e tenho de pagar a escola das crianças, saber onde vou viver...”, afirma. “Mas, qual é? É uma vida boa ser ator e fazer o que se ama. Cada trabalho que eu tenho é aceito como uma benção”, completa, antes de falar sobre o seriado que o tornou popular no mundo inteiro.

“Do meu ponto de vista pessoal, ‘Lost’ foi um show que elevou o nível da TV americana e sei que mundialmente isso foi sentido também. Ele não falava apenas com o telespectador, ele o desafiava. Tinha mistério combinado com mitologia, religião, ética, redenção, perguntas filosóficas... Ninguém fez isso. O legado que ele deixou foi criar barreiras na forma como vemos TV, na maneira como as histórias eram contadas”, continua.

O ator diz ter se tornado amigo de vários atores de “Lost” e, inclusive, ter acompanhado a gravação das novas séries estreladas por alguns deles – caso de “Scandal”, com Henry Ian Cusick (o Desmond). “Troco mensagens de texto com Michael Emerson [Ben] e Jorge Garcia [Hurley] o tempo todo. Todos nós ficamos muito próximos, aquele set tinham seres-humanos incríveis de diferentes nacionalidades e histórias de vida”, revela.

Algo de Richard que Carbonnel nunca irá perder, e admite, são as brincadeiras em relação aos seus cílios marcantes. Os fãs sempre brincaram que o personagem usava delineador na série e o próprio ator fez piada de si mesmo ao aparecer passando lápis nos olhos durante um painel de "Lost" na Comic-Con.

“Meus cílios sempre estarão e estiveram comigo a vida inteira, antes mesmo do Richard. Ele só ajudou a deixá-los mais populares”, ri.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Romeu e Julieta

*Trecho da maior Tragédia de amor dos últimos séculos. Uma das minhas preferidas!

(William Shakespeare)

(…)
ROMEU (a Julieta) — Se minha mão profana o relicário em remissão aceito a penitência: meu lábio, peregrino solitário, demonstrará, com sobra, reverência.
JULIETA — Ofendeis vossa mão, bom peregrino, que se mostrou devota e reverente. Nas mãos dos santos pega o paladino. Esse é o beijo mais santo e conveniente.
ROMEU — Os santos e os devotos não têm boca?
JULIETA — Sim, peregrino, só para orações.
ROMEU — Deixai, então, ó santa! que esta boca mostre o caminho certo aos corações.
JULIETA — Sem se mexer, o santo exalça o voto.
ROMEU — Então fica quietinha: eis o devoto. Em tua boca me limpo dos pecados. (Beija-a.)
JULIETA — Que passaram, assim, para meus lábios.
ROMEU — Pecados meus? Oh! Quero-os retornados. Devolve-mos.
JULIETA — Beijais tal qual os sábios.
AMA — Vossa mãe quer falar-vos, senhorita.
ROMEU — Quem é a mãe dela?
AMA — Ora essa, cavalheiro! A dona desta casa, certamente, uma digna senhora, honesta e sábia. Amamentei-lhe a filha, a senhorita com que falastes. E uma coisa eu digo, com certeza: quem vier a desposá-la, ficará cheio de ouro.
ROMEU — É Capuleto? Oh conta cara! Minha vida é dívida de hoje em diante no livro do inimigo.
(...)
JULIETA — Ama, quem é aquele gentil-homem?
AMA — Herdeiro e filho de Tibério, o velho.
JULIETA — E aquele que ora passa pela porta?
AMA — Se não me engano, é o filho de Petrucchio.
JULIETA — E aquele que ali vai, que não dançou?
AMA — Não sei quem seja.
JULIETA — Então vai perguntar-lhe como se chama. Vai! Se for casado, um túmulo será todo o meu fado.
AMA — Romeu é o nome dele; é um dos Montecchios, filho único do vosso grande inimigo.
JULIETA — Como do amor a inimizade me arde! Desconhecido e asnado muito tarde. Como esse monstro, o amor, brinca comigo: apaixonada ver-me do inimigo!
AMA — Como assim? Como assim?
JULIETA — Isso é uma rima que aprender fui com quem dancei há pouco.

O NAVIO NEGREIRO

* Adoro o Castro Alves e esse poema em especial!!

(Castro Alves)

I
'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!
Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.

II
Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.
Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!
O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!
Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...

III
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...

V
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .
São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.
Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...
Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...

VI
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

Jaqueline



Muita força na recuperação!
Quero te ver brilhar na Copa do Mundo de Volei!

Torre do Big Ben está inclinando

Ana Carolina Prado
Superinteressante
O Big Ben está inclinando. Um dos lados da torre de 96 metros de altura que faz parte do conjunto do Parlamento Britânico em Londres está afundando e já entortou 0.26 graus para o noroeste. A inclinação é 16 vezes menor que a da Torre de Pisa, mas grande o bastante para ser percebida a olho nu. Em seu ponto mais crítico, a torre construída no século 19 está com uma inclinação de 50 centímetros.
Mike McCann, o guardião do relógio, disse à BBC de Londres que a situação tem sido acompanhada desde 1999, mas que o nível de inclinação tem acelerado desde 2003, passando a ser de 0,9 milímetros por ano – até então, a taxa era de 0,65 mm anuais. Esses níveis não são considerados perigosos. “O nosso perito acredita que vai demorar entre 4.000 e 10.000 anos para que isso se torne um problema, mas é preciso acompanhar a evolução do movimento”, disse McCann.
Ainda não se sabe ao certo o que está provocando a inclinação. Um relatório relacionou isso à construção de um estacionamento subterrâneo no início dos anos 70 e a uma extensão da linha de metrô de Londres. Mudanças nas condições do terreno também seriam responsáveis: a argila do solo estaria secando e provocando o movimento. A inclinação resultou na formação de rachaduras nas paredes e tetos de partes da construção.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Uma grande Dama da Literatura Brasileira

Lygia Fagundes Telles


*Entrevista Publicada originalmente por Ana Lúcia Vasconcelos* no Cronópios em março de 1986, quando o livro ainda misterioso (As Horas Nuas) estava em fase de finalização.


Sei que você está preparando um novo livro. Será que poderia adiantar alguma coisa em primeiríssima mão?
Lygia Fagundes Telles - Olha Ana, quando eu escrevo, quando estou apaixonada por um livro, prefiro não falar nada. É quando você está apaixonada por um homem, eu fico emocionada com o meu amor. Eu falo neste amor, seja um homem, seja um livro depois que passa. (Risadas) Quando eu estava apaixonada, eu me apaixonei tão poucas vezes, mas enfim, as vezes que eu me apaixonei, paixão humana - eu não conseguia falar, nem sequer com o objeto amado. (Mais risadas).

Mas ele sabia pelo menos?
Lygia - Sabia só que era uma coisa mais de silêncio... A linguagem do silêncio é mais expressiva, mais profunda. Então Ana Lúcia assim se passa com a criação literária. Eu não consigo falar sobre este romance que estou terminando.

Mas você diria que este romance tem alguma novidade em relação aos seus livros anteriores?
Lygia - Ah sim, exatamente. Meus romances anteriores: Ciranda de Pedra, Verão no Aquário e As Meninas são romances que tratam de personagens jovens. E este que estou escrevendo agora trata de uma mulher em plena maturidade, alta maturidade como ela diz. Têm jovens também, mas a personagem principal é uma mulher madura - ela está se aproximando dos setenta. Ela chama de maturidade, mas a amiga diz: não, é velhice. Mas ela mesma não diz, ela escamoteia.

E no mais...
Lygia - No mais tem também a linguagem. Neste romance eu crio uma forma diferente. Eu adaptei uma linguagem de acordo com a trama e as personagens.

Daí então o segredo que você quer guardar?
Lygia - Sim e também porque estou enredada com as personagens, com a trama, enfim estou muito enrolada em mim mesma.

Lygia, gostaria que você falasse do seu processo criativo. Como é que surge a idéia do livro, do conto, do romance para você, desde o embrião até a coisa acabada?
Lygia - É muito complicado, eu não estou fazendo mistério excessivo não, mas é muito misterioso. Comigo, não sei se com outros escritores...

Parece que a Clarice Lispector escrevia em papéis pequenos e depois montava o quebra-cabeça. Você como faz?
Lygia - É eu também tenho muito este processo. Escrevo em páginas, tomo notas. Às vezes estou num taxi e minha personagem diz uma coisa que eu acho que deve ser gravada e eu tiro o caderninho e tomo nota. É uma espécie de colcha de retalhos, onde vou juntando mas por um mistério que eu não explico. As partes vão se buscando, estas personagens, essas frases, essas idéias vêm como que buscando e se montam, olha é tão estranho. São as coincidências na criação literária. Eu dou muito valor ao grão de acaso, ao grão da loucura e ao grão da coincidência. As peças coincidentes se buscam como na nossa própria vida, umas buscam os outros. Eu sou amiga de pessoas que eu amo e que vou amar até a morte porque eu busquei essas pessoas e elas me buscaram.

São as afinidades...
Lygia - São as afinidades, são as coincidências. São pessoas que gostam de mim, como eu gosto delas. Eu as descobri e elas me descobriram. Assim também na trama de um livro, de um texto literário.

Voce diria que vem primeiro: a idéia ou a personagem?
Lygia- Em geral as personagens vêm em primeiro lugar. Elas não têm vida própria ainda, não tem caráter, fisionomia própria, mas ela já vem se introduzindo, se instalando e umas puxam as outras. Aí vêm as coincidências, com o grão de acaso de loucura. Fernando Pessoa tem um verso que eu gosto muito: “Não procures nada que tudo é oculto.” Tudo é oculto.

Você escreve direto à máquina? (naquele tempo não havia computadores)
Lygia - Não eu escrevo muitas vezes em blocos, em folhas avulsas, à caneta, uso canetas de várias cores. Às vezes eu ponho uma tinta vermelha para uma personagem. É uma forma de eu visualizar a papelada dentro das pastas. (Risadas)

Quer dizer, é uma medida prática. E você corrige muito?
Lygia - Demais, demais. Eu gostaria de me corrigir como eu corrijo meus textos. Não consigo me corrigir, já estou montada, armada. Eu gostaria de ser muito melhor, muito mais caridosa mais generosa. Gostaria de ser muitas coisas mais. Mas já estou estruturada, inacessível.

Será?
Lygia - Gostei deste será, isso é muito bonito. Este será me deu esperança de repente. Eu sei que posso mudar. É isso mesmo. Só os idiotas não mudam. Somos mutantes, para o bem ou para o mal.

Sei que você gosta de andar muito, inclusive a Hilda (Hilst) já falou disso. Ela te acha elétrica, super dinâmica e a admiração é maior porque ela se julga exatamente o oposto disso.
Lygia - Olha, eu até tenho uma preocupação com relação a isso. Eu estive lendo que várias pessoas que enlouqueceram (risadas) incluindo a mulher do Scott Fitzgerald...

A Zelda...
Lygia - A Zelda Fitzgerald andava, fazia um bem enorme para ela, até que ela começou a andar dia e noite. (Risadas)

Aí começou a ficar grave.
Lygia - Mas eu ando muito...

E por onde você gosta de andar em São Paulo?
Lygia - Eu ando por aí pelo Jardim América onde tem poucas pessoas na rua, as casas é como se não tivessem janelas, você não vê ninguém, jardins fechados, você só vê cachorro, gente você não vê. E como eu gosto de bicho eu vejo cachorro a beça, ando a beça, e volto para minha casa renovada como a Bíblia manda. Estou nascendo outra vez. Porque eu moro ali perto, eu moro no ultimo quarteirão da Consolação entre a Oscar Freire e a Estados Unidos. Então eu vou por ali tem um clube que eu freqüento que é o Harmonia ali na Rua Canadá.

E por falar em São Paulo você gosta da cidade? Imaginaria viver em outro lugar?
Lygia - Agora é tarde. Moro aqui desde que nasci. Nasci e passei minha infância em pequenas cidades do interior de São Paulo: Sertãozinho, Itatinga, Assis, Descalvado. Minha infância, meus anos verdes passei nessas cidades e desde a infância eu guardo lembranças tão importantes. Olha eu tenho viajado tanto, fui parar na China, na Pérsia, eu digo Pérsia na maneira antiga, não Irã, a Pérsia, Sherazade...

Que maravilha...
Lygia - Viajei demais, fui para todos os lugares possíveis, mas devo dizer o seguinte: talvez nos momentos meus de insegurança e eu tenho muitos momentos de insegurança, de angústia, nesta hora não me lembro da Pérsia, do caviar persa, da China, dos templos lindos de ouro e jade, não me lembro dessas viagens, eu me lembro do quintal da minha infância. Eu menina, os cachorros as mangueiras, minha força - eu digo minhas reservas florestais. E a estas reservas eu recorro muitas vezes.

Mas você gosta de São Paulo?
Lygia - Estou gostando porque está ficando uma cidade que estou quase não reconhecendo. A cidade mudou tanto. Adolescente eu ia ao bairro da Liberdade onde meu avô morava na Rua Fagundes. Então é assim as coisas mudam, as coisas estavam arrumadas, estruturadas. Eu confesso que tenho certa nostalgia daquele tempo, da casa do meu avô Benevenuto de Azevedo Fagundes, coronel da Guarda Nacional do Imperador e justamente o nome da rua em sua homenagem.

De onde vem Fagundes? Portugal?
Lygia - O meu antepassado Fagundes era um grande descobridor, fidalgo português de Viana do Castelo - Portugal sim, o João Álvares Fagundes descobridor e navegador do século XVI. Aliás, estou contanto isso a você porque estou tentando explicar uma coisa que tento explicar para mim mesma que é esta minha vontade de estrada, do mar, do horizonte que talvez venha deste meu antepassado. Ele não sossegava, só sossegou para morrer. Então talvez toda esta minha vontade de viagem, de ir além do que estou vendo, tudo isso talvez esteja ligado a este meu antepassado que descobriu tanta coisa, mas morreu pobre e doente e muito triste, muito desiludido com os homens, mas reconciliado com Deus.

Sei que você viaja muito também para fora do Brasil para participar de palestras, seminários de escritores. Onde esteve nos últimos anos?
Lygia - Ano passado estive na Alemanha num seminário em companhia do Ignácio de Loyola Brandão, Márcio de Souza, João Ubaldo Ribeiro, estivemos em sete cidades falando da literatura brasileira. Todos nós temos livros publicados na Alemanha. Em 1984 estive com o Ivan Ângelo, Haroldo de Campos, Loyola nos Estados Unidos-Nova York, Washington. Estivemos também na Universidade de Georgetown.

O que foi isso? Um Congresso de escritores latino-americanos?
Lygia - Não, havia lá também portugueses. Era um Congresso de Escritores de Expressão Portuguesa. E agora em setembro vou para a Alemanha para a Universidade de Hamburgo para um Seminário com a participação de cinqüenta escritores de todo o mundo. Vão ainda o João Ubaldo Ribeiro, João Cabral de Mello Neto, Ivan Ângelo e Ariano Suassuna. E recentemente também estive em Portugal quando a Cremilda Medina foi lançar o livro A Posse da Terra que é da maior importância porque são perfis de mais de cinqüenta escritores brasileiros. E ela fez o mesmo com escritores portugueses. E agora este ano vai haver outro Congresso de Escritores de Expressão Portuguesa em Portugal que quero muito que a Hilda vá.

E se você tivesse que escolher uma cidade no exterior para morar, qual delas escolheria? Que cidades te encantaram particularmente lá fora?
Lygia - Eu tenho paixão por Barcelona, Lisboa - ah eu amo Lisboa, pois pois. E fiquei apaixonado na Alemanha por uma cidade chamada Heidelberg... e depois tem Paris.

E quem não fica apaixonado por Paris?
Lygia - Ah agora me lembro, veja como citar é perigoso. Eu ia me esquecendo de uma cidade pela qual fiquei apaixonada ardentemente e onde fui correspondida, porque meu livro saiu lá e a edição esgotou: Praga. E quando saiu meu livro eu disse: agora Kafka vai poder me ler...

Onde ele estiver...
Lygia - Onde ele estiver. Eu gostei muito também de Xangai, ambiciosa, a corrompida Xangai. Quando fui para a China logo depois da Revolução de Mao Tse Tung e então Pequim era um quartel mas Xangai com seu charme eu adorei. E gostei muito de uma cidade da Pérsia onde estive com Paulo Emilio (Salles Gomes com quem foi casada como todos sabem), aliás, eu estive com ele em quase todos esses lugares, uma pequena cidade pela qual me apaixonei muito e onde está a tumba de Ciro e que se chama Pazárgada.

Quer dizer que Pasárgada existe?
Lygia - Existe e eu descobri viajando porque é só pisando o chão que você descobre as cidades. Mapa não adianta nada. Então eu estive em Pasárgada que se diz pesado, arrastando o erre. E comecei a chorar porque eu disse: a Pasárgada do Bandeira existe.

Você chegou a conviver com o Manuel Bandeira?
Lygia - Sim foi um grande e querido amigo e veja só: nós nascemos no mesmo dia 19 de abril. Agora (em relação àquela data, 1986) em 19 de abril é o centenário de Bandeira.

Você o conheceu quando?
Lygia - Ah em plena juventude desvairada, eu estava na Faculdade de Direito...

Lindíssima...
Lygia - Eu era bonitinha com aquela boina. Meu primeiro chá com Bandeira foi naquela confeitaria Colombo e outro naquela outra que fica na Cinelândia muito elegante. E tomamos chá com waffles e geléia de abricot e ele muito galante me fez uns versinhos: “Salve o dia 19/em que nascemos os dois? Eu no século passado/Lygia um século depois.”

Agora mudando completamente de assunto: o que você achou do pacote econômico do governo? Do tal choque heterodoxo?
Lygia - Eu estou ainda em estado de profunda perplexidade, estou obnubilada (risos). Estou deixando assentar a poeira fora e dentro de mim mesma. Agora que estou com muita esperança, porque sou visceralmente otimista. Às vezes eu caio em profunda depressão, mas depois levanto e ressurjo das cinzas. Eu quero acreditar. Eu sou uma jogadora, eu jogo com as palavras, eu arrisco. E agora estou arriscando minha esperança nesta revolução.

Você acredita que seremos mais felizes com o Cruzado e companhia?
Lygia - Podemos ser mais felizes. Eu vi uma coisa extraordinária. Eu vi o meu povo que eu amo e que todos dizem que era apático que era morno, eu vi meu povo vibrando. Só vi este povo vibrar assim na dor, quando morreu o Tancredo Neves e nas Diretas Já.

Há uma coisa sobre a qual todos que gostam de ler têm curiosidade incrível. É o dia a dia do escritor. Como é o teu? Você se levanta a que horas. Escreve pela manhã, à tarde?Conte com detalhes.
Lygia - Eu há pouco tempo resolvi fazer o que o Rubem Braga faz: ele se levanta de madrugada para escrever. Eu comecei a levantar de madrugada e estou deslumbrada. Isso porque o cotidiano é uma coisa medonha: o imposto de renda, a empregada que fica doente, o gato, eu amo dois gatos que estão comigo há trezentos anos. Então é o gato que fica doente, a torneira, a pia, aquelas coisas que te consomem. O cotidiano te arranca completamente daquele estado contemplativo. Eu sou uma contemplativa, eu queria ir pro convento. Aliás, hoje os conventos estão muito agitados (risos) já não dá mais. Mas nos tempos dos conventos da Idade Média quando eles eram tranqüilos. Mas sou obrigada a sair da minha contemplação para poder dar conta deste cotidiano. Então agora descobri na madrugada eu produzo muito mais. Baixinho eu ponho meu toca discos, meu Bach, meu Beethoven, Mozart, eu tenho paixão por Mozart, os noturnos de Chopin, então baixinho eu fico ouvindo aquela música, só eu acordada, só eu no mundo, eu tenho vontade de chorar. Mas também tem que deitar cedo. Não me façam propostas desonestas para horas tardias, acabou a boemia. Nove horas estou indo para a cama.

E você acorda que horas?
Lygia - Cinco e meia. Escrevo até as oito que é quando a empregada levanta e faz o café. Acendo meu cigarro e tal e não mexo mais em nada. As oito tomo meu café, vou andar, fazer minha ginástica que faço todos os dias. E aí começa tudo de novo. Estou pensando em montar um estúdio, sem telefone, sem ninguém para poder trabalhar mais tranqüila, para escrever que é a coisa que eu sei fazer.

Lygia o que você está lendo atualmente? Aliás, que tipo de literatura você prefere? Ficção, ensaios?
Lygia - Eu quando escrevo ficção não gosto de ler ficção. Gosto de ler ensaios. Estou lendo um ensaio de Koestler e estou relendo o Becker - A Negação da Morte. Gosto muito de biografias, de história. Há um livro da minha juventude - La Cité Antique do Fustel de Coulanges, que gosto muito e sempre releio para ver os costumes da antiguidade, o sentimento do tempo transcorrido, o sentimento das gerações que passaram e que virão. De repente eu me sinto como um grão de areia, sem a mínima importância e isso é lindo. O que é importante o que pode ser importante é a minha palavra. Então este sentimento da transitoriedade, de quanto somos provisórios, este sentimento do tempo vem muito agudo quando eu leio história: os crimes, os amores, as políticas, as corrupções, enfim a condição humana. Ao mesmo tempo eu tenho o sentimento de que o homem é igual sempre e que ele é diferente sempre e que ele vai passar. E que outros virão. Este oito infinito é a expressão da nossa finitude e da nossa eternidade. Até que venha alguém e aperte o botão. Mas eu creio, eu também leio a Bíblia, eu sou uma espiritualista, eu creio que o homem vai pairar sobre todas as coisas, ele vai sobreviver.

MUDANÇA

Texto de Clarice Lispector

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!

POESIA

Reinvenção
(Cecília Meireles)

A vida só é possível
reinventada.
Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Qual o jeito mais ecológico de morrer?

por Gabriela Portilho
Mundo Estranto



Dentre os rituais pós-morte, a cremação é o modo mais ecológico de retornar ao pó. Feita de maneira correta, a queima dos corpos libera apenas água e gás carbônico em pequenas quantidades, já que os resíduos tóxicos ficam retidos em filtros de ar. Além disso, a cremação dispensa armazenamento de resíduos e não ocupa terrenos. "Uma pessoa com 70 quilos de massa se transforma em 1 ou 2 quilos de cinzas, enquanto sob a terra a decomposição pode durar até dois anos e deixar cerca de 13 quilos de ossos para a posteridade", afirma o geólogo Leziro Marques.

VERDE ATÉ A MORTE
Como bater as botas de modo ecologicamente correto

ENTRADA TRIUNFAL
A chegada do corpo ao cemitério é pomposa: os corpos vêm em charretes puxadas por cavalos, evitando a poluição que carros poderiam causar. Para homenagear o ente querido, familiares não trazem coroas - no máximo, uma flor, para não desperdiçar
AS ÁRVORES SOMOS NOZES
Esqueça os mausoléus de concreto - para identificar o corpo, há apenas pequenas placas de couro ou madeira sustentável, que se decompõem com o tempo. O que vai sinalizar que debaixo daquele pedaço de chão há alguém descansando em paz são sementes, que, no futuro, se transformarão em uma árvore
LUGAR AO SOLO
Prefira solos menos argilosos - nesses, o corpo pode demorar a se desfazer e vira uma espécie de sabão. Além disso, a distância entre o corpo e o lençol freático deve ser de pelo menos 2 metros, segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente. Isso evita que os líquidos da decomposição contaminem as águas
NU DE CORPO E ALMA
Vá para o lado de lá pelado, sem silicone e sem ser embalsamado com compostos tóxicos! Se você não abre mão da roupa, use tecidos naturais, como algodão ou linho - os outros demoram ainda mais para se decompor. Já o silicone não é biodegradável, por isso as próteses devem ser retiradas antes do enterro
EMBRULHO PARA PRESENTE
A versão ecológica do paletó de madeira não é de madeira! Ele pode ser feito de materiais biodegradáveis como bambu ou papel machê (massa feita com papel amassado, cola e gesso). E nada de alças ou crucifixos de metal - eles levam até cem anos para se decompor, enquanto o papel leva meses

SÓ FALTA VIRAR PURPURINA
Veja as maneiras mais bizarras de marcar sua passagem para o além

A SERVIÇO DA CIÊNCIA
Que tal deixar o corpo para estudos em faculdades de medicina? No Brasil, o cadáver serve cinco anos à ciência e depois é cremado.
MORTE EM ALTO NÍVEL
Uma prática comum em rituais no Tibete é colocar os corpos mortos no alto de montanhas. Os cadáveres são esquartejados e viram comida para os abutres.
DORMINDO COM OS PEIXES
A empresa Eternal Reefs transforma as cinzas da cremação em uma placa que é colocada no fundo do mar e serve de base para corais.
BRILHO ETERNO
Na Suíça, uma empresa transforma o produto da cremação em diamante. Para fazer a peça, são usados 500 gramas de cinzas e o preço varia de 2 800 a 10 600 euros.

Dá para transformar lixo em energia?

por Rodrigo Ratier
Mundo Estranho


Dá, sim. Se separarmos direitinho o lixo que tem bom potencial energético, os dejetos de uma cidade como São Paulo seriam suficientes para gerar energia para 400 mil casas! O principal segredo é tascar fogo no lixo - afinal, o calor das chamas também é uma forma de energia. Se o fogaréu for bem aproveitado em um processo controlado, a energia calorífica pode ser usada para produzir eletricidade, por exemplo. Tudo isso acontece em incineradores que utilizam o mesmo princípio de funcionamento de uma usina termelétrica, queimando um combustível fóssil para gerar energia. No nosso exemplo, a diferença é que o combustível queimado não é carvão, nem óleo, nem gás. É lixo. Até agora, essa tecnologia não aportou no Brasil. O país até tem incineradores, mas eles servem apenas para se livrar da sujeira - nenhum deles é adaptado para produzir energia. Por aqui, falta dinheiro para bancar o alto custo de uma instalação desse porte e vontade política para enfrentar as pressões dos grandes grupos de limpeza urbana, que muitas vezes gerenciam o lixo desde a varrição até o depósito final. "No Brasil, 99% dos dejetos seguem para aterros sanitários, sem gerar energia ou passar por qualquer reciclagem. Nas grandes cidades, a escassez de áreas para novos aterros se tornou um problema administrativo para as prefeituras", afirma o biólogo Hamilton João Targa, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) de São Paulo. Mas, mesmo nos aterros, daria para aproveitar pelo menos uma parcela do potencial energético do lixo. Bastaria pegar o metano gerado pelo processo de decomposição do lixo orgânico, encanar o gás e abastecer casas e indústrias, por exemplo. Há mais de 50 anos, os chineses empregam esse método utilizando biodigestores, equipamentos que fermentam controladamente o lixo orgânico. No Brasil, até esse tipo de iniciativa é raridade.

No japão, 62% do lixo vira energia.
Na suiça, 59%, na frança, 37%
No brasil? zero.

Quem é o pai dos sobrinhos do Pato Donald?

Mundo Estranho


Só há pistas sobre a mãe deles. A identidade do pai continua sendo um dos maiores mistérios da história de Patópolis, a cidade fictícia habitada por Donald, Tio Patinhas e companhia nas histórias em quadrinhos Disney. Os trigêmeos Huguinho, Zezinho e Luizinho (como são conhecidos no Brasil) estão entre os personagens mais antigos dessa família: sua aparição data de outubro de 1937, apenas três anos depois do surgimento do próprio Donald. Apesar de tanto tempo de estrada, pouco se sabe sobre seus pais. No início da década de 50, Carl Barks - um dos principais desenhistas, roteiristas e animadores da Disney - criou uma árvore genealógica na qual a mãe do trio era identificada como Thelma, irmã gêmea de Donald. No lugar do pai, aparecia apenas um sinal de interrogação. Outra árvore genealógica mais completa, criada em 1993 pelo ilustrador e roteirista Don Rosa, também deixou esse espaço em branco.
A verdadeira explicação está no conceito de entretenimento familiar dos Estúdios Disney, que busca ser o mais assexuado possível. "Por isso, os laços familiares nessas histórias sempre se distanciaram da realidade. Quase não há contato entre pais e filhos - as relações se dão entre sobrinhos e tios, ou netos e avós - e os personagens nunca se casam", diz o especialista em quadrinhos Álvaro de Moya, autor do livro O Mundo de Disney.

Como viviam os hippies?

por Roberto Navarro
Mundo Estranho

O lance dessa galera era ser contra o "sistema" - a sociedade branca de classe média que pregava o apego aos bens materiais. Baseados nos princípios da não-violência e da cooperação, os hippies mais tradicionais costumavam viver em grupos. O centro do movimento foi a cidade americana de São Francisco, na Califórnia. Por lá, os hippies alugavam casarões antigos, onde moravam até 30 pessoas. Eles faziam jus ao lema "sexo, drogas e rock’n roll", mas, ao contrário do que se pensa, também trabalhavam e tinham hábitos de higiene normais. A expressão "hippie" deriva da gíria americana "hip", que significa "bacana, antenado" e era usada pelos antecessores dos hippies, os beats ( intelectuais rebeldes dos anos 1950), para indicar coisas legais. Bebendo dessa influência, professores e alunos de universidades da Califórnia fundaram o movimento hippie no começo dos anos 1960. Lutando contra a Guerra do Vietnã (1954-1975) e a convocação obrigatória, seus ideais pacifistas se espalharam pelo mundo ocidental e foram fundamentais no desenvolvimento da chamada contracultura - forma de expressão que combatia os valores do capitalismo. O maior canal do movimento foi a música. Roqueiros como Jimi Hendrix, Janis Joplin e os Beatles aderiram ao "paz e amor" e ao experimentalismo psicodélico nas letras e sons. Com o fim da Guerra do Vietnã, em 1975, o movimento passou por uma desmobilização - afinal, o grande motor da união pacifista acabara. Se as "sociedades alternativas" de São Francisco foram desmontadas, os ideais hippies influenciaram outros grupos que surgiram nos anos 1980 e 1990, como os movimentos ecológicos, de defesa dos direitos indígenas e femininos.



Viva a sociedade alternativa
Além de sexo, drogas e rock'n roll, uma casa hippie tinha trabalho e era bem limpinha


ARTESÃO MODERNO
Os hippies preferiam fazer trocas entre si a usar grana. Eles evitavam empregos "normais" e se sustentavam fazendo artesanato. Alguns criaram fabriquetas de instrumentos musicais e produtos alimentícios que depois viraram grandes indústrias

ROCK NA VEIA
Muitas comunidades tinham suas próprias bandas, que tocavam de graça nas ruas. Os hippies são associados aos grupos de rock psicodélico, mas também havia os conjuntos de música folk, um gênero mais acústico, com letras de protesto

SAUDOSA MALOCA
Por ter pouca grana, eles viviam em casas de aluguel barato ou abandonadas, que redecoravam com murais psicodélicos. Em cidades como Nova York e São Francisco surgiram "guetos hippies", com vizinhanças formadas por casarões habitados por muita gente

MISTICISMO NO AR
Drogas sintéticas, como LSD e mescalina, eram usadas em experiências místico-religiosas, as chamadas "viagens coletivas". Esses rituais eram conduzidos por um guru (líder espiritual) e incluíam meditação oriental para atingir a "expansão da consciência"

VALE TUDO
Os hippies pregavam a liberdade sexual: topavam "festinhas" com mais de dois parceiros e aceitavam o homossexualismo numa boa. Nas comunidades, crianças eram incentivadas a descobrir o mundo por si próprias e raramente eram matriculadas em escolas

BANHO DE ESPUMA
Apesar dos cabelos compridos e desgrenhados, os hippies não eram "porcos". Tomar banho uma vez por dia era o mais comum. Eles só não eram chegados a desodorantes ou perfumes, considerados produtos supérfluos da sociedade de consumo

RANGO NATUREBA
Eles rejeitavam comidas industrializadas, preferindo frutas, verduras, legumes e sucos naturais. As comunidades rurais plantavam o que consumiam. O que sobrava era vendido a preço de custo para outros hippies

NUVEM DE FUMAÇA
Os hippies usavam dois tipos de drogas. As consideradas "leves", como maconha e haxixe, eram consumidas em festinhas ou reuniões. Algumas comunidades improvisavam pequenas plantações em armários para garantir seu "estoque".

Florestas rendem bilhões para a economia

Florestas de pé não são boas só para a biodiversidade. Elas geram bilhões para a economia. Quando as tratarmos como empresas, aí, sim, o desmatamento pode cair a zero. Ou abaixo de zero.


por Rodrigo Rezende
Superinteressante

Um Maracanã de floresta acaba de desaparecer. Isso desde que você começou a ler este texto, há 1 segundo. Amanhã, neste mesmo horário, você levará a vida como sempre - esperamos. Mas os integrantes de 137 espécies de plantas, animais e insetos, não. Eles terão o destino que 50 mil espécies por ano têm: a extinção. Argumentos como os 15 Maracanãs de mata tropical devastados desde o início deste parágrafo - agora, 17 -, são fortes, mas nem sempre suficientes para que algo seja feito. Só que existe outro, talvez ainda mais persuasivo: dinheiro não dá em árvore, mas árvore dá dinheiro.

Hoje, manter uma floresta em pé é negócio da China. Em uma área estratégica perto do rio Yang Tsé, o governo chinês paga US$ 450 aos fazendeiros por hectare reflorestado. O objetivo é conter as enchentes que alteram o fluxo de água do rio. Equilíbrio ecológico, manutenção do ecossistema, mais espécies preservadas, esses são os objetivos do Partido Comunista Chinês? Não.

Trata-se de um investimento. O reflorestamento mantém o curso do rio estável e as árvores, sozinhas, aumentam a quantidade de chuva - as plantas liberam vapor d’água durante a fotossíntese. Resultado: mais água no Yang Tsé. O que isso tem a ver com dinheiro? A água alimenta turbinas das hidrelétricas distribuídas pelo rio - inclusive a megausina de Três Gargantas, 50% maior que Itaipu, que abriu as comportas em 2008.

Investindo em reflorestamento, os chineses agem de forma pragmática. Pagar fazendeiros = mais árvores. Mais árvores = mais água no rio. Mais água = mais energia elétrica barata (ainda mais no país que inaugura duas usinas a carvão por semana para dar conta de crescer como cresce). Mais energia barata, mais produção para a economia - e dinheiro para pagar os reflorestadores. O final dessa equação é surreal para os padrões brasileiros. A China, nação que mais polui e que mais consome matéria-prima, tem índice de desmatamento zero. Abaixo de zero, até: eles plantam mais árvores do que derrubam.

Não é só lá que as árvores valem dinheiro. No país que melhor preserva sua floresta tropical acontece a mesma coisa. É a Costa Rica. Os donos de terras de lá são pagos para manter áreas de floresta intactas. Parte do dinheiro vem de uma companhia hidrelétrica interessada em manter os rios que usa fluindo.

Florestas, hidrelétricas... Só esses dois pontos já deixam claro que o Brasil tem algo a aprender. O berço da maior usina hidrelétrica inteiramente brasileira (e 3ª do mundo) fica em plena Floresta Amazônica. É Belo Monte, no rio Xingu, a 40 quilômetros da cidade de Altamira, no Pará.

A partir de 2015, ela vai servir 26 milhões de habitantes. O dado mais célebre dela é outro: os 512 km2 de floresta inundada por suas barragens. É a área de uma cidade média, toda debaixo d’água.

Mesmo assim, a usina pode fazer mais bem do que mal para a mata. Pelo menos nas próximas décadas. Se seguirmos a lógica da China e da Costa Rica, faz sentido que Belo Monte pague algo pela manutenção da floresta, já que sem ela não tem chuva o bastante, e sem chuva o bastante não tem energia.

E não são só hidrelétricas que lucram com as árvores de pé, e que podem pagar para mantê-las assim. O ciclo de chuvas da Floresta Amazônica é o que garante nossas safras agrícolas - sem ele, boa parte do país seria um deserto. A ONU calcula que mesmo uma queda mínima na quantidade de chuvas que a floresta produz pode trazer prejuízos entre US$ 1 bilhão a US$ 30 bilhões para a agricultura nos arredores da Amazônia.

As estimativas são imprecisas por uma limitação da ciência: não há como saber se um tanto de desmatamento vai provocar outro tanto de bagunça no ritmo das chuvas. Mas todo mundo sabe que a relação existe. O problema é quantificá-la. Mesmo assim, faz sentido imaginar um futuro em que os produtores agrícolas paguem pela preservação de florestas como uma espécie de seguro contra a falta de chuvas.

Claro que, se ficar só na conversa, nunca vai acontecer nada. Mas um grupo de cientistas americanos deu um passo importante. Criaram um software que busca calcular com alguma precisão quanto uma área desmatada ou reflorestada pode gerar em lucros (ou prejuízos) para a economia de uma região. O nome do programa é engenhoso: InVEST (Valoração Integrada de Serviços e Compensações do Ecossistema, em inglês - haja paciência para inventar uma sigla dessas). E ele já saiu do mundo das ideias: é o software que a China usa para gerenciar o retorno de seu reflorestamento. Enquanto isso, devastamos mais 200 Maracanãs no tempo que você levou para ler este texto.