terça-feira, 25 de outubro de 2011

'Deram um reset na série', diz Anna Torv sobre a 4ª temporada de 'Fringe'

Warner Channel exibe o retorno do seriado nesta terça-feira (25).


G1


Desde o fim de “Lost”, críticos de TV dos EUA elegem de seis em seis meses uma nova série com potencial para substituir o programa, que misturava dramas pessoais com ficção científica como poucos. As apostas desde então deram errados e quem acabou levando o título de “show nerd da vez”, com todos os méritos foi “Fringe”, que era conhecida por muitos até o primeiro semestre do ano passado apenas como “a outra série de J.J. Abrams”.
Coincidência ou não, 2010 foi o melhor ano do seriado. Sua audiência e prestígio cresceram ao longo da 3ª temporada, sci-fi até dizer chega. Para explorar ainda mais a existência de um universo paralelo, o principal mote do programa, os roteiristas criaram episódios que eram alternados nos dois mundos: se o dessa semana acontecia no “real”, o da próxima era no “paralelo”, por exemplo.
Já o capítulo final integrou os dois mundos em um só e a necessidade deles coexistirem juntos é o maior apelo da 4ª temporada. Ela estreou nos EUA em setembro e chega nesta terça-feira (25) ao Brasil – às 22h, no canal pago Warner Channel. Para falar sobre o novo ano, o G1 conversou em Londres com a protagonista Anna Torv, a agente Olivia.
Mas não espere por grandes revelações, pois entender a série quando se trabalha nela parece ser tão complicado como para quem só a observa do lado de fora.

G1 - A 2ª temporada de “Fringe” foi complicada e, para não ser cancelado, o show mudou para a noite das sextas-feiras, horário ingrato da TV americana. Mas a mudança deu certo, por quê?
Anna Torv - Mudar para sexta foi ótimo e parte de mim diz que isso tirou um pouco a pressão que sentíamos. Foi bom porque mantivemos apenas quem eram fã fiel mesmo. Na segunda temporada soubemos de última hora que teríamos de novo um novo ano pela frente e essa dúvida fez a gente trabalhar bem nervoso. Dessa vez a renovação veio com certa antecedência e foi muito melhor para todos.
Temos uma audiência leal e ativa. É o meu primeiro show nos EUA e ele veio numa época em que tudo é multimídia, a resposta do público é imediata. Tive um encontro com os criadores na semana passada e eles são muito conectados com o que os fãs falam. Eles pegam idéias e opiniões, é como se fosse uma produção coletiva. Isso não é possível em “Mad men”, por exemplo.

G1 - J.J. Abrams sempre imagina que suas séries durem entre cinco e seis anos. “Fringe” chega até lá?
A.T. - Chegarmos até a 5ª temporada renderia um grande final. Cinco temporadas são suficientes. Quando pula para sete ou oito, a história dilui um bocado. Você sempre quer terminar no ápice.

G1 - Você chega a assistir ao seriado na TV?
A.T. - Eu costumo ver, mas sinto que preciso de um intervalo entre gravar e assistir, senão fico confusa (risos). Às vezes me pego quietinha lendo o roteiro para tentar sacar mesmo o que é tudo. As coisas mudam muito na TV, às vezes a gente filma em três partes um episódio e a vibração é totalmente diferente no set. E quando tudo é editado e vai ao ar... Sempre me choca um pouco.

G1 - O final da 3ª temporada sugere que o universo paralelo e o real irão interagir. Como isso vai acontecer?
A.T. - Não sei como será a interação, nem o que [os roteiristas] planejaram. O que imagino é que a sala do laboratório será como um espaço de ligação e vai haver muito mais interação.

G1 - O final também sugere que o personagem Peter (Joshua Jackson) nunca existiu. Pode adiantar algo?
A.T. - Não sei, juro! (risos) Nunca imaginei que o personagem de Peter não fosse existir de fato. Eu tinha uma teoria sobre a série e resolvi abandoná-la após o fim da 3ª temporada. O que eu espero é que Os Observadores brinquem mais com a gente, pois os personagens são muito interessantes e não faço ideia do que eles sejam. Mas não sei o que virá, as coisas são jogadas no ar. Recebemos o roteiro do episódio apenas dois dias antes de gravarmos.

G1 - Se o Peter nunca existiu, isso muda a maneira como você criou a Olvia, tanto a do universo real quanto a do paralelo, não?
A.T. - Deram um reset na série. Tipo, quem é a Olivia agora, para onde ela vai? Gostaria de lhe dar dicas, mas adianto que essa será a obsessão dela.

G1 - Para um ator deve ser divertido poder interpretar duas pessoas ao mesmo tempo, não?
A.T. - A Olivia do mundo real quer ser a melhor em tudo, enquanto a Olivia do mundo paralelo quer apenas vencer. É tão empolgante fazer duas personagens, eu praticamente implorei por um doppelgänger nas primeiras duas temporadas, de tão cansada que estava de ficar vestindo aquele terninho. (risos)

G1 - “Fringe” é o seu primeiro trabalho na TV americana. O que mudou em sua vida nos últimos quatro anos?
A.T. - Conheci meu marido [o ator Mark Valley] e agora nos divorciamos (risos). Mudou muito, nem sei por onde começar... Estamos indo para o 4º ano e nunca fiquei tanto tempo em um trabalho. O que mais mudou é que gosto de me aprofundar mais no trabalho. Antes eu não gostava de me adaptar a algo que não me agradava e “Fringe” exige um trabalho tão pesado que ser uma pessoa e uma profissional desse jeito me orgulham muito. E ser assim é um prazer.

G1 - As pessoas devem lhe perguntar muito isso, mas você crê em universo paralelo? Como ele seria, caso existisse?
A.T. - Nunca tenho uma resposta para essa pergunta... Não faço ideia! Não penso muito sobre isso, essa é uma ótima dica para quem quiser trabalhar nesse show.
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