segunda-feira, 29 de abril de 2013

Carta do Povo Munduruku

Aldeia Sai-Cinza, 25 de Abril de 2013

A reunião aconteceu na aldeia Sai – Cinza nos dias 23, 24 e 25 de abril do corrente ano, nós o Povo Munduruku reunimos nesta referida aldeia para dialogar juntamente com o governo e o Ministério Público Federal para discutir a questão sobre a consulta prévia, mas, entendemos que nesses dias reunidos não é a realização da consulta prévia. Onde o Povo Munduruku ainda não se encontra preparado para responder à altura a intenção do
governo federal e também para discutir o nosso futuro em relação aos empreendimentos previstos para Região como um todo, entender mais sobre o que é a consulta prévia e dialogar com os nossos advogados que no caso é MPF onde queremos a participação efetiva do Ministério Público em todas as reuniões de esclarecimentos que futuramente irão acontecer em relação às comunidades indígenas Munduruku.
A programação foi construída para a seguinte finalidade: Dia 22 – reunião com todos os Caciques e Representantes do Povo Munduruku. Dia 23 – não conseguimos trazer a maioria dos caciques e representantes para essa discussão. Dia 24 – reunião com os advogados do Povo Munduruku MPF, onde acabou não acontecendo à reunião de esclarecimento sobre a consulta prévia que seria construir juntamente com os caciques e Representantes presentes nesta reunião. Onde infelizmente o MPF e outros advogados não compareceram a esta reunião. Dia 25 - reunir com os representantes do governo para dizer a eles de como nós Povo Munduruku gostaríamos de ser ouvidos e ouvi-los o que o governo tem a nos propor. Mas, infelizmente os representantes do governo não compareceram ao local da reunião por motivo da própria recusa não justificada deles, onde os vereadores indígenas se colocaram a disposição para trazê-los até a aldeia e também oferecendo a própria segurança deles até o local da reunião, mesmo assim eles recusaram a proposta e acabaram não vindo, nós ainda insistimos para eles virem até a aldeia, mas, o governo se recusou a dialogar com nós o povo Munduruku.
Mesmo assim que a partir de agora nós Povo Munduruku seguimos reunindo com os caciques e também com os nossos advogados que MPF e outros parceiros para que possamos entender melhor sobre a consulta prévia e também dialogar os parentes Munduruku para que eles entendam melhor o que é a consulta prévia, informá-los em tudo o que está se passando na proposta do governo, que nós os Munduruku, colocamos a disposição ao diálogo com o governo sem ter a pressão dos órgãos de segurança nacional: (Exército, Polícia Federal, Rodoviária e as força Nacional), onde é impossível dialogar com a presença destes órgãos, onde causam à intimidação e humilhação. Não seria necessária a presença das operações na região para realização dos diálogos entre o governo e o Povo Munduruku.
Onde soubermos que a cidade de Jacareacanga está sitiada por Policiais que davam segurança aos representantes do governo, onde é impossível dialogar com eles. Assim sendo, queremos tempo, acesso e participação dos parceiros como o MPF e outros, e também a participação das lideranças para os esclarecimentos sobre a consulta prévia.
Por fim, exigimos que este documento faça parte do Processo Judicial e possivelmente estaremos dialogando com o MPF.

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Carta ao governo brasileiro e à sociedade
Carta ao Iphan e MPF
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