quinta-feira, 30 de maio de 2013

Atestado de óbito confirma que índio foi morto com tiro de arma de fogo



Caixão chega a hospital em Sidrolândia. (Foto: Simão Nogueira)

O atestado de óbito do índio Oziel Gabriel, 35 anos, morto na manhã de hoje, no confronto entre policiais e indígenas, mostra que um tiro atingiu a parte interior do abdômen, transpassou o fígado e saiu pelas costas de Oziel.
Ainda segundo o laudo, não foi possível identificar o calibre da arma porque a bala não ficou alojada no corpo, o que deve dificultar a investigação sobre de qual arma partiu o tiro. Oziel morreu durante a reintegração de posse na fazenda Buriti, em Sidrolândia. Policiais federais e militares participaram da ação.
Conforme o atestado, assinado pelo médico legista Walnei W. Pereira, o terena morreu de “choque hipovolêmico interno agudo, causado por ferimento por arma de fogo”, caracterizado por grande perda de sangue.
O corpo de Oziel foi levado do hospital para a funerária, onde foi feita a declaração de óbito. A vítima deveria ter sido encaminhada, ao IML (Instituto Médico Legal), onde o médico legista faria o atestado.
Porém, conforme informações apuradas pelo Campo Grande News, a plantonista do IML de Sidrolândia está fora da cidade. A funerária garante que possui os aparelhos necessários para realizar o atestado de óbito e que o laudo não foi prejudicado
Integrante do CDDH (Centro de Defesa da Cidadania e dos Direito Humanos), Paulo Ângelo de Souza, que acompanha o confronto na região, fez questão de frisar o erro. “O corpo deveria ser levado para o IML e não para a funerária”.
Oziel era estudante do Ensino Médio e pai de dois filhos, de 15 e 18 anos. Estava na fazenda Buriti para reforçar o movimento pela ampliação da aldeia Lagoinha. Desde a década de 90 os índios de 12 comunidades da região de Sidrolândia e Dois Irmãos tentam recuperar as terras.
O processo de demarcação avançou, antropólogos emitiram laudos que consideram a região território indígena, mas o proprietário da fazenda, o ex-deputado Ricardo Bacha acionou a Justiça e conseguiu paralisar o processo graças a decisão do TRF (Tribunal Regional Federal). Funai e Ministério Público Federal recorreram, mas o mérito ainda não foi julgado.
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