sexta-feira, 25 de maio de 2012

Em carta à Dilma, Brigitte Bardot sai em defesa dos jegues brasileiros



Atriz francesa pediu à presidente a interrupção das vendas para a China, onde os animais são abatidos e utilizados na indústria cosmética

 
por Luciana Franco

A atriz francesa Brigitte Bardot – reconhecida defensora dos animais – enviou nesta semana uma carta à presidente do Brasil, Dilma Rousseff, pedindo o fim do que considera um "genocídio de jegues" que são criados no Nordeste do Brasil e exportados à China para serem abatidos e utilizados na indústria cosmética. "Eu, que tanto amei o Brasil na minha passagem por Búzios, fico triste em ver que esse país colabora com a China para matar, a cada ano, 300 mil jegues", escreveu Bardot, que criou uma associação protetora de animais com seu nome.
Bardot diz ainda que esse cenário não pode persistir. "Como presidente, mulher e ser humano, a senhora não pode aceitar esta mancha na imagem do Brasil", diz a carta dirigida à Dilma Roussef. A associação francesa One Voice, que também pede às autoridades brasileiras que acabem com o comércio de jegues, confirmou essa semana à Agência Efe que o Brasil e a China assinaram em fevereiro um contrato para a exportação desses animais. A China abate atualmente 1,5 milhão de jegues.
Em junho de 2011, um grupo de empresários chineses percorreu o Nordeste, da Bahia até o Rio Grande do Norte, conversando com fazendeiros e políticos. Aos políticos locais, o grupo propôs um programa de garantia de compra dos burros a preços de mercado, envolvendo até linhas de crédito, por meio de um sistema batizado de Projegue

No Nordeste, o animal – também conhecido por burro ou asno -- é encontrado em abundância. Para produtores, além de movimentar a economia local, as vendas para a China prometem resolver o problema de excesso de oferta de jegues na região. Com as facilidades de financiamento, houve um crescimento muito grande do uso de motos para o transporte local e os jegues, antes usados nesta função, estão perdendo espaço para a concorrência e sendo abandonados às margens das rodovias.
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