terça-feira, 8 de maio de 2012

Discurso Laisa Santos Sampaio
ONU 9 de fevereiro de 2012
(Irmã de Maria do Espirito Santo, assasinada ao lado do marido José Claudio em 2011. Nova Ipixuna - Pará)

Eu estou aqui porque assassinaram minha irmã Maria e meu cunhado José Cláudio. Isso porque eles defendiam a floresta e a vida na floresta. Na Amazônia têm se intensificado casos de assassinatos de pessoas que como eles defendem a vida na floresta. A Amazônia é manchada de sangue. E essa mancha continua se espalhando.
Mas, nossa situação torna-se cada vez mais grave porque o Novo Código Florestal Brasileiro, votado pela Câmara dos Deputados, não favorece o povo que vive e defende a floresta. Essa mesma Câmara que vaiou no momento em que foi anunciado o assassinato de Maria e José Cláudio. A presidenta Dilma não deve aprovar essa lei. Por baixo do desmatamento há muita gente sendo morta.
Maria e José Cláudio não só defendiam a floresta, mas mostraram, na prática como viver dignamente da floresta, respeitando a dinâmica e todas as espécies existentes. E sobre essa vida na floresta eles deram exemplos na educação, ensinando as crianças de que se pode ganhar mais com a floresta do que vendendo ou queimando ela. Deram exemplo prático em suas vidas. Não é utopia. Faltam políticas públicas de apoio para pessoas como nós, que vivem e sabem produzir respeitando a natureza. Isso é rentável. Mas falta incentivo para esse povo. Incentivo só há para a criação do gado e para a retirada da floresta. E esses grandes projetos para a Amazônia como as usinas hidrelétricas que lá só deixam o estrago. E o dinheiro vai para a mão dos poderosos. Gera tantos impactos ambientais, quanto impactos sociais, quantas populações tradicionais deixaram de existir, e vão viver a vida na cidade, onde sua vida é destruída. O protetor da natureza é quem vive no meio dela. A vida das pessoas que vivem na Amazônia precisa ser salva. E a situação é urgente. A vida do castanheiro é a vida da castanheira. A floresta Amazônica é viva, é viva de gente.
A Floresta e o povo da Floresta estão sendo mortos.

Editado por Daniela Kussama
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