quinta-feira, 23 de abril de 2009

Memórias!!

Acho que pela primeira vez vou dividir com os leitores deste blog umas linhas que retratem meus pensamentos e, principalmente, meus sentimentos. Sou uma pessoa muito reservada quando o assunto é sentimento, mas, ultimamente, tenho tanta coisa que sinto a necessidade de dividir com alguém. E me vejo só, sem saber com quem, afinal quem quer ouvir as lamúrias do outro, “a vida já é dura pra que se importar!!!”.
Então, resolvi escrever neste espaço que é meu, e, claro, público e livre, portanto, quem não estiver afim poderá ignorar este post e ler os demais. Aos que resolverem passar a vista terão minha gratidão. Então vamos ao “facto”.

Nos últimos dias tenho andado meio distraída, impaciente e indecisa. Com um aperto no peito e uma dor que vem não sei de onde.

E ontem, entre uma pauta e outra, a palavra “desprezo” me veio à mente como que uma revelação: “e se o que está me afligindo nada mais é do que a dor do desprezo!!”. Durante todo o dia de ontem me mantive ocupada para não pensar no assunto. Mas à noite, no silêncio do quarto e com a cabeça em cima do nosso mais fiel companheiro: o travesseiro!! não tive mais como fugir e a realidade me atingiu como uma formiga: silenciosa e imperceptível ela sobe pelos nossos pés e ao menor movimento... já era, você só senti a dor incômoda da picada!!

Mas, afinal, qual o significado da palavra “desprezo” e de que forma ela pode ser sentida por nós. De uma coisa eu sei: tudo depende de quem é o agente da oração. Afinal, não permitimos que qualquer um tenha esse poder de nos abater.

Então, a dor será profunda se o agente que nos despreza for alguém que se ama e que se quer bem. Esses sim são todos os sujeitos da oração, não importa se é simples, composto, indeterminado ou, muitas vezes, inexistentes, e mesmo quando a oração é sem sujeito, há um agente que apenas não quis se declarar. E dói, dói tanto sentir que você não faz mais parte da vida do outro. Dói ver que sua falta não é sentida e que você não era realmente importante.

Não me refiro somente ao orgulho, é claro que o ego também sofre um baque, mas é difícil ver que tudo o que se construiu com alguém não faz mais sentido nenhum e que de uma hora pra outra foi esquecido.

Então a dor do “desprezo” deve ser uma reunião de várias dores; e a dor da perda vem encabeçando todas elas. Mas, confesso que ainda não sei expressar o que seria essa dor, por isso, coloquei abaixo as palavras do Reginaldo Cordoa, que tenta descrever esse sentimento tão injusto.

Abraços!


Carla Ninos



A dor do desprezo.

“Alguma vez, você já ficou sem o chão?
Sim, exatamente isso, sem o chão? Você não leu errado.
Alguma vez, você ficou assim, meio que parecendo um bobo, perdido como uma barata tonta?
Tenho certeza que sim.
Às vezes acontecem algumas coisas ruins em nossas vidas, que literalmente nos tiram o chão. O anuncio da demissão, a morte prematura de alguém muito querido, o desencontro, o diz que me disse envolvendo o nosso nome, uma acusação leviana entre muitas outras situações tão corriqueiras nos nossos dias. Nestes momentos, a decepção com os fatos, sempre nos faz morrer um pouco. Esse “de repente”, esse chega pra lá que levamos, que nos pega de calças curtas, é extremamente nocivo a nossa saúde, são momentos que podem nos lançar a instantes depressivos ou ainda a uma depressão profunda.
Entre muitas situações ruins, encontramos algo simplesmente devastador.
O desprezo.
Ai! Como dói o desprezo.
Ser desprezado é uma das mais terríveis formas de sofrimento. Em qualquer situação vivemos a expectativa de bons resultados e o desprezo frustra esta expectativa. E quando o desprezo parte de alguém que queremos bem, de alguém que amamos é muito pior. Neste caso realmente perdemos o chão. Sentimos apenas o desamor da pessoa amada...”


Reginaldo Cordoa
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