segunda-feira, 21 de junho de 2010

100 anos de Pagu tem calendário cultural

Ela demoliu convenções e marcou-se na política e na cultura. Uma mulher inquieta que chega às celebrações de seu centenário mais atual do que nunca

Vinícius Cardoso

Patrícia Rehder Galvão. É assim, sob a rubrica do nome completo, que nasce a personagem que completou um menu de conquistas modernas, inaugurado com o título de musa antropofágica. Nas celebrações de seu centenário – comemorado no dia 9 de junho – a figura múltipla foge do mito e completa uma longa programação da Casa das Rosas, em São Paulo, e da Unisanta, em Santos. Ela foi jornalista, escritora, poetisa, desenhista, militante política, agitadora cultural e desmistificadora de assuntos intocáveis. Nunca se poupou, converteu a hipocrisia social em matéria cênica, escreveu sua história cheia de nomes famosos - como Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade - e conheceu o fundo de seu abismo emocional. Uma trajetória rica colocada em cartaz para as comemorações dos cem anos de seu nascimento.

Patrícia Galvão é exposta à luz, mostrando que há algo de inspirador no roteiro da mulher irreverente e contestadora. É a mulher descrita por Oswald como o "mais autêntico símbolo feminino da ousadia e inconformismo artístico e cultural de seu tempo" inspirando agora a fotobiografia e a exposição "Viva Pagu!". “Quando fala-se de Pagu, fala-se do poder de resistência. Do poder transformador da arte. Através da arte há este grito. Grito de alerta e de construção”, diz Lúcia Maria Teixeira Furlani, reitora da Unisanta, responsável pelo Centro de Estudos Pagu - criado em 1998 para abrir a pesquisa sobre a personagem, entre mais de 3 mil documentos.

Na série da Casa das Rosas, a festa será aberta no dia 9 de junho, com a professora Lúcia e a atriz Miriam Freeland fazendo a leitura de cartas trocadas entre Pagu e personagens que revolucionaram o mundo das artes e da cultura no Brasil. Já a fotobiografia "Viva Pagu!", assinada por Lúcia e Geraldo Galvão Ferraz - filho da homenageada - chega no dia 1o de julho, junto com a exposição que traça em imagens a trajetória dessa personalidade rara.

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