quarta-feira, 23 de junho de 2010

Maitê Proença: “Sexo não é fundamental”

Por Marina Caruso

Em entrevista exclusiva à Marie Claire de julho, a atriz, que vive uma mulher infiel na trama de “Passione”, conta que cansou-se do tipo mulher fatal e relembra a tragédia familiar que marcou a sua vida. Leia alguns dos melhores momentos deste longo papo feito no apartamento de Maitê, no Rio, e nos estúdios do Projac, onde grava a novela:


Marie Claire - Stela, sua personagem em "Passione" tem dado o que falar por trair o marido, sem culpa e quase compulsivamente, com garotos mais novos. Como você construiu a personagem?
Maitê Proença - O Silvio [de Abreu, autor da novela] me ligou e disse que tinha feito a Stela pensando em mim. Topei na hora. Ela não é uma mulher simples. Não só trai o marido, como mente cinicamente para ele e para os filhos. Quando parei de contar, em 23 capítulos, já tinham sido nove rapazes.

MC - O Alexandre [Colombo, diretor de marketing], seu namorado, tem 40 anos e você 52. Qual é a vantagem de namorar alguém mais novo?
MP - Os homens jovens, além de ter muito mais energia e disposição, não ligam para rugas. Reparam muito menos nelas do que nós, mulheres. Só percebemos os sinais de envelhecimento quando eles começam a aparecer na gente. Antes, não damos bola. A partir daquele espelho, que é o outro, a gente sente o que é envelhecer.

MC - E o que é envelhecer?
MP - É a passagem do tempo. Eu amo minhas rugas. Elas me trazem dignidade. Mostram a mulher que eu sou, a minha história. Nunca fiz plástica, só uma coisinha leve [tipo Botox] para atenuar linhas de expressão. Mas já saiu tudo. A verdade é que, depois que a Maria nasceu [filha única da atriz com o empresário Paulo Marinho, hoje com 19 anos], fiquei com mais cara de mulher. Gosto disso.

MC - Ao longo de sua carreira, você fez muitas personagens sensuais. E você, como lida com o sexo?
MP - Não considero sexo fundamental. Sexo é apenas delicioso. Não é uma coisa que você tem que fazer todos os dias para ser feliz. As pessoas falam da boca para fora para aparentar um erotismo que nem sentem. Ninguém é aquela mulher da capa da revista com jeito de leoa e cara de femme fatale.

MC - Você tinha 12 anos quando sua mãe foi assassinada, a facadas, por seu pai. Ou seja, desde menina, virou assunto nas ruas e manchetes de jornal.
MP - Sempre fui a diferente. Na escola americana, em Campinas, eu era a única brasileira. Depois que minha mãe morreu, fui para uma escola em que era a única menina rica. No clube dos ricos, por outro lado, eu era a que falava palavrão e mostrava o dedo. Não tenho a vivência do anonimato, por isso preciso tanto de férias de mim. Quero ser desconhecida.

MC - Quer mesmo?
MP - Muito. Uma vez, estava com Jô Soares em Paris e ele perguntou se eu não sentia falta de sorrirem para mim. Eu disse: “Não. Isso é o que eu mais gosto em viajar: sair sem maquiagem, com qualquer roupa”. E ele: “Ah, eu sinto falta daqueles olhinhos condescendentes”. Pois eu não. Prefiro sair do meu habitat. Sou uma desbravadora. Depois que minha mãe morreu [e seu pai foi morar numa clínica psiquiátrica de um conhecido da família], tive de cuidar sozinha do meu irmão [então com 7 anos] e fui morar em um pensionato luterano. Tive de aprender a me virar muito cedo. Pânico e vitória, isso foi minha vida. Sempre pânico e vitória.
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