terça-feira, 1 de junho de 2010

Lost é a jornada em busca de redenção

Fábio Nóvoa

Lost não é sobre viagens do tempo, pesquisas científicas, religião. Mas, uma jornada de vários personagens na busca pela redenção. Pelo seu Walkabout. Todos movidos pelo sentimento de culpa, pessoas ambíguas e solitárias (mas quem não é?). Claro que o fato de todos estarem em um avião da Oceanic, vôo 815, que caiu em uma ilha não é irrelevante. Mas todas as transformações que se sucederam, estas sim, foram a mais importante.

Jack queria ser o pai. Kate, uma mulher livre. Sawyer queria ter um passado. Hurley uma vida sossegada. Sayid estava querendo esquecer o passado. Charlie não queria mais ser um viciado. Rose e Bernard só queriam mais tempo. Benjamim Linus, ser o líder. Richard queria envelhecer. Desmond só queria o amor de Penélope. Sun, o de Jin. Jin, o reconhecimento da esposa. Michael buscava o amor do filho, Walt. Claire queria ser uma boa mãe. E finalmente, Locke almejava o seu destino, que não envolvia uma cadeira de rodas.


As muitas histórias que formaram a complexa saga de Lost
De uma forma ou de outra, no final, eles encontraram a redenção. Mesmo que para isso, tivessem que ir ao passado, enfrentar monstros de fumaça, ursos polares, sair da ilha. Voltar para a ilha. Passar uma infinidade de mistérios. Aqueles que os fãs queriam respondidos. E que foram. É só procurar e olhar direito pelas seis temporadas e 114 episódios. Estátua egípcia, Eletromagnetismo, aparições de mortos, estações de comunicações subterrâneas e aquáticas, teletransporte. Tudo foi devidamente explicado e subentendido.

Claro que a série teve suas falhas. Personagens sem função (Nikki, Paulo, Ana Lúcia). Os episódios chatos da Kate. Aquele episódio das tatuagens de Jack. Em compensação, contou com momentos espetaculares. Basicamente todos os episódios de Benjamim Linus e John Locke. As mortes chocantes e inesperadas. A narrativa fragmentada em Flashbacks, Flashforwards e Flashsideways. Poucas produções inovaram tanto na maneira de contar a história.

Aqueles que estão acostumados em acompanhar histórias bem explicadinhas, com manuais de como começa e como termina estão inconsoláveis com Lost. Como pode uma série cheia de mistérios, não fazer um último capítulo com aquelas explicações detalhadas?

E o final. Ah, o controverso final. A descoberta que aquela outra vida paralela, era na verdade após a morte, caiu literalmente como uma bomba na cabeça das pessoas. Todos se encontrando na igreja e finalmente “seguindo em frente”, não poderia ter sido melhor e mais poético.


“Te vejo em outra vida, Brotha”
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