segunda-feira, 16 de agosto de 2010

E SE..


Superinteressante

Todos os humanos fossem da mesma cor?


Não haveria intolerância ou o argumento de superioridade racial. Os negros, portanto, não teriam sido escravizados, não haveria existido o apartheid nem o nazismo. Ou seja, a história da humanidade seria completamente diferente. Engano seu. A natureza humana é bem mais complexa que isso: mesmo se todos tivessem a mesma cor de pele, textura de cabelo ou formato de olhos, bastaria que algum povo se destacasse no desenvolvimento técnico e econômico para se sentir superior aos demais.
Aí o argumento para o domínio não seria a diferença física, mas, sim, cultural, que justificaria a exploração dos mais fracos pelos mais fortes e daria origem a todo tipo de intolerância. Em algum momento, o conceito de raça apareceria. “Quem quer inventar raças não precisa de nenhum mercador aparente, apenas de uma narrativa”, justifica o sociólogo Demétrio Magnoli, doutor em Geografia Humana pela USP.
E nem é preciso muita imaginação para exemplificar como isso ocorreria. Em Ruanda, tútsis e hútus não se distinguem por traços físicos, língua nem religião. Mas, para dominá-los, a Bélgica, seu ex colonizador, criou carteiras raciais que distinguiam os dois grupos. Apoiou a elite tútsi e a jogou contra a hútus. Em 1994, passadas 7 décadas, os hútus se vingaram matando meio milhão de tútsi.
“Todas as sociedades têm um elenco de elementos com os quais consegue distinguir-se dos demais pejorativamente”, diz o antropólogo João Baptista Borges Pereira, professor da USP e do Mackenzie. Se a evolução não tivesse criado distintos biótipos, a divisão da sociedade seria baseada nas diferenças de língua, religião, ancestralidade ou castas.
Mesmo por caminhos diferentes, no final o mundo estaria dividido, dando origem a disputas por poder, guerras étnicas e, mais adiante, luta por igualdade e movimentos relacionados ao orgulho das minorias. Sim, você já ouviu essa história antes...

Texto: Maurício Horta
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