sexta-feira, 7 de novembro de 2008

EDIÇÃO DO O GLOBO COM VITÓRIA DE OBAMA GANHA DESTAQUE MUNDIAL




Sérgio Matsuura, do Rio de Janeiro



Alguns fatos, pela importância, ganham destaque na imprensa do mundo inteiro. O resultado da última eleição americana foi um deles. Pela primeira vez um negro ocupará a Presidência dos Estados Unidos. Para os jornalistas, resta o desafio de buscar o diferencial. Na quarta-feira (05/11), O Globo conseguiu esse feito e foi o único jornal do mundo a trazer na primeira página o segundo nome do presidente eleito, Barack Hussein Obama.
O diretor de redação do veículo, Rodolfo Fernandes, explica o motivo da escolha que levou o O Globo a ser o único jornal brasileiro exposto no Newseum, em Washington, e a receber destaque no noticiário da rede CNN.

“Nós queríamos evitar os títulos mais previsíveis, tipo ‘O primeiro negro presidente’, ‘Obama eleito’. Então optamos pelo que consideramos mais simples e significativo: a história toda do Obama, tudo o que ele carrega. Todo o simbolismo da sua eleição está contido integralmente no nome dele. Não era preciso dizer mais nada. A carga histórica de tudo o que aconteceu nos EUA se resume aos três nomes, Barack Hussein Obama. Neste sentido, ressaltar o nome do meio dele era fundamental. Acabou sendo um fato único entre todos os jornais do mundo, o que também é muito difícil em eventos como este”, diz Fernandes.

Como o anúncio do resultado da eleição ocorreu por volta das 2h (horário de Brasília), apenas o terceiro clichê da edição noticiou o fato. A primeira versão, fechada às 22h30min, tinha como manchete “Voto em massa por Obama”. A segunda, fechada uma hora depois, dizia “Obama sai na frente”.

“A confirmação da vitória de Obama só saiu às 2hs, quando grande parte da nossa edição já estava fechada. Foi realmente uma grande superação de todos os envolvidos. Mas são esses momentos históricos que deixam os jornalistas mais motivados. Todos vão se lembrar muitos anos ainda que estavam trabalhando na madrugada em que o primeiro negro chegou ao poder no país mais rico do mundo, apenas 44 anos após o fim da segregação racial”, comenta Fernandes.

Nos EUA, os jornais impressos se transformaram em documentos históricos e artigos de colecionadores. A procura em bancas foi alta e, de acordo com o site Editor & Publisher, o The New York Times teve que imprimir uma carga extra de 50 mil exemplares. O The Washington Post imprimiu 30% a mais que o normal e, mesmo assim, foi forçado a lançar uma edição comemorativa com tiragem de 350 mil.
O Chicago Tribune, da terra natal de Obama, imprimiu 200 mil exemplares extras. No USA Today, o número chegou a 500 mil. Mesmo com a iniciativa dos jornais de aumentar a produção, o site de leilões online eBay tinha na noite de quarta mais de 200 ofertas de venda da edição do The New York Times. Alguns dos vendedores pediam até US$ 400 pelo produto que, em banca, custa US$ 1,50.
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