sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A VITÓRIA DA CNN, POR LEILA CORDEIRO


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Leila Cordeiro (*)



Foram quase dois anos de campanha. Nesse período, as grandes redes de TV americanas aumentaram aos poucos o espaço dos candidatos até o sensacional desfecho nesta terça-feira histórica. Os telespectadores puderam nesse período acompanhar a preferência de cada uma das emissoras em relação a este ou aquele candidato.
Na reta final da disputa, a FOX não fez questão de disfarçar sua opção por McCain, através dos comentários de seus principais âncoras e analistas políticos. A ponto de repetirem os mesmos "mantras" lançados nos palanques de campanha republicanos. A ordem era falar da inexperiência de Obama e de sua ligação com terroristas, além de dizer a todo momento que ele, se eleito, implantaria o socialismo nos Estados Unidos.
A MSNBC, casamento perfeito entre a Microsoft com a poderosa NBC, embora de forma menos agressiva que a FOX assumiu a candidatura Obama, mas abriu espaço para opiniões e entrevistas com partidários de McCain. Eles podiam falar livremente, sem serem quase agredidos como acontecia na FOX, com quem defendia a candidatura democrata.
Mas o grande show, sem dúvida, ficou com a CNN. Pode até ser que seus profissionais tivessem simpatia por uma candidatura, mas o espaço dedicado à cobertura foi igual para os dois candidatos e seus estrategistas. Essa é a posição correta (e responsável) que uma emissora de TV deve tomar diante de seu enorme poder de penetração.
Entre o radicalismo da FOX e a simpatia ostensiva da MSNBC por Obama, a CNN foi a grande vitoriosa. Como fez nos debates presidenciais, montou duas mesas redondas. Uma com estrategistas politicos, devidamente creditados como republicanos e democratas, e outra com analistas da própria emissora, também assumidamente democratas e republicanos. Mais imparcial do que isso, impossível.
A naturalidade com que seus âncoras, repórteres e comentaristas se movimentavam no estúdio era impressionante. Parecia que estavam todos em casa numa grande reunião onde o assunto era política. Cada um com seu laptop, sem preocupação de fazer caras e bocas para as câmeras. Aliás, todos se comportam como se não houvesse câmeras. São focalizados de lado, de costas, de frente, como se não estivessem num estúdio de TV. Também a quantidade de câmeras e os cortes de imagens transformam a transmissão num espetáculo quase cinematográfico. Um reality show "real", com redundância mesmo.
A CNN inovou também em tecnologia. Na transmissão desta terça-feira, ela lançou uma novidade que deixou telespectadores e até os próprios profissionais de boca aberta. O jornalista Wolf Blitzer, que ancorou toda a cobertura dos estúdios em Nova Iorque, chamou uma repórter que estava em Chicago e ela apareceu na frente dele de corpo inteiro, como se estivesse ali em carne e osso. Eles tentaram explicar como funciona todo esse avanço, difícil para quem não é do ramo entender mas ficou a impressão de que as técnicas realmente futuristas chegaram a CNN, algo parecido com o que se vê em filmes de ficção como Star Wars, por exemplo, onde os personagens se comunicam através da chamada holografia.
É a tecnologia a serviço de um novo tempo, uma nova era que está começando para o país e para o mundo. A CNN e todas as emissoras de TV podem comemorar porque transmitiram um momento histórico e esperado por toda a comunidade internacional, a eleição de Barack Obama um líder nato, negro, filho de mãe solteira , um professor que virou senador e em pouco mais de dois anos presidente da maior potência do planeta... e isso é mais importante e poderoso do que qualquer tecnologia!

(*) Começou como repórter na TV Aratu, em Salvador. Trabalhou depois nas TVs Globo, Manchete e na CBS Telenotícias Brasil, como repórter e âncora. É também artista plástica e tem dois livros publicados.

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