quinta-feira, 13 de novembro de 2008

REDE TV! E BAND FALTAM À AUDIÊNCIA SOBRE CASO ELOÁ NA CÂMARA


Carlos Soares Martin, de São Paulo





Rede TV! e a TV Bandeirantes, apesar de serem convidadas para a audiência pública que, nesta terça-feira (11/11) discutiu a cobertura da mídia no caso Eloá (uma adolescente que foi morta pelo ex-namorado Lindemberg Alves, em Santo André, São Paulo), não participaram do encontro. A Rede TV!, Record e Globo fizeram entrevistas com Lindemberg Alves e foram acusadas pela polícia de atrapalharem as negociações e influenciar no desfecho do caso. A iniciativa partiu da Comissão de Direitos do Consumidor.

Na tarde desta terça, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) apresentou vídeos que mostram a interferência da mídia nas negociações. “Nós chamamos as emissoras porque tiveram claramente participação no desfecho trágico do caso Eloá. Quebrou-se o código de ética e extrapolaram os limites em busca de audiência. A informação virou uma grande mercadoria que visa ao lucro”, disse Valente.

Participaram ainda da audiência mais sete parlamentares, o promotor de Justiça de Santo André Augusto Rossini, o pesquisador sênior do núcleo de mídia da Universidade de Brasília (UNB) Venício Arthur de Lima, a presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Maria Luiza Oliveira, o representante da TV Globo Evandro Guimarães e o representante da TV Record Márcio Novaes.

O promotor de Justiça de Santo André disse, em sua exposição, que demorou duas horas para poder falar com Lindemberg porque ele estaria negociando com emissoras de TV. “Fui chamado lá por exigência do próprio Lindemberg, que queria alguém ligado à Justiça e aos direitos humanos para não sofrer retaliações, e ele só acreditou quem eu era eu quando dei uma carteirada via TV”, acrescentou.

Segundo Ivan Valente, a TV Globo admitiu que talvez tenha cometido um erro ao fazer a entrevista com Lindemberg. A TV Record disse que cometeu “excessos” mas que, em nenhum momento, fizeram um mau jornalismo. Disse ainda que os parlamentarem não poderiam cometer infrações à liberdade de imprensa, ao questionarem a qualidade da apuração da TV no caso.

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