segunda-feira, 18 de junho de 2012

Indígena critica construção de Belo Monte no RJ

Diário Online

Uma das estrelas da conferência, Raoni apresentou carta de intenção de vários povos indígenas (Foto: Everaldo Nascimento)

A aparição foi como a de uma estrela pop, com todos querendo posar para fotos ao lado dele. Mas a missão era menos mundana. O cacique Raoni apresentou na Cúpula dos Povos reunidos na Rio + 20, a carta de intenção dos povos Kayapó, Juruna, Tapayuna, Panara, Kayabi, Apiaka, Trumai e Terena, em relação às discussões feitas na conferência. “Nós recusamos qualquer iniciativa do Governo Federal que resulte na diminuição das Terras Indígenas já demarcadas e homologadas no Xingu. As que já foram demarcadas e homologadas devem permanecer com seus limites respeitados”, afirmou.
São nove terras nessa situação. No documento os índios reiteram que o governo brasileiro tem de ‘respeitar e proteger’ os costumes indígenas, cumprindo a Constituição de 1988 e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), visando defender os direitos dos povos indígenas. “É isso que queremos dizer para o mundo”, diz Raoni.
Os povos indígenas são os que mais tem chamado a atenção da Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo. Em grande número e organizados, tem apresentado uma série de reivindicações a respeito da garantia dos próprios direitos.
Segundo as lideranças indígenas, a demora nas demarcações vem causando conflitos, ameaças e ataques de fazendeiros e pistoleiros da região. “No Brasil, nenhuma terra indígena ou unidade de conservação pode ser diminuída. Todas as terras que ainda estão faltando devem ser urgentemente demarcadas. É a melhor forma de proteger os povos indígenas que estão sendo ameaçados e sendo expulsos de suas terras tradicionais. Se estas terras não são protegidas, os brancos vão acabar destruindo toda a floresta e rios da Amazônia”, afirma Raoni.
Esse é o motivo, segundo ele, dos índios recusarem a PEC 125 que quer tirar o processo de demarcação de Terras Indígenas da Funai para deixar nas mãos do Congresso. As lideranças indígenas alegam que assim o governo poderia liberar mais facilmente os projetos de barragens e minérios. “Isto é um atentado aos povos indígenas. Essa PEC deve ser cancelada porque é muito prejudicial e perigosa para nós”, defende Raoni.
Outro foco de resistência dos índios são os projetos de barragens nos rios Xingu, Teles Pires, Tapajós e outros rios amazônicos. Segundo os índios, Belo Monte ‘tem que parar’. “Nunca vamos aceitar esse projeto, que é ilegal, destrói o rio Xingu, mata muitos peixes, animais, destrói a floresta e afeta muitos índios que vão ficar sem terra, floresta e alimento. Nós nunca vamos deixar o rio Xingu morrer”, diz o cacique.
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